Introdução ao controle de frame OU Como começar a vencer os esquerdistas

Já citei o controle de frame no post anterior, em que desmascarei Daniel Sottomaior. Agora vou abordar o que significa o controle de frame de uma forma mais detalhada e metodológica.

Antes de tudo, vamos aos paradigmas que serão tomados como premissa por aqui.

Um: o sistema darwinista. Nós, seres humanos, somos apenas mais uma espécie animal que busca o componente de sobrevivência (neste caso, auto-preservação) nos outros seres humanos. Nós somos a espécie mais perigosa do planeta, em especial por causa de nossa racionalidade. Mas antes de NEGAR nossa racionalidade, temos que entendê-la e usá-la a nosso favor.

Dois: neurociência. Temos que entender o funcionamento básico do cérebro. Saber que o sistema límbico profundo, área do cérebro responsável pelas emoções, é aquela que recebe os insights mais fortes e duradouros. Quando buscamos o impacto de uma ação ou idéia nossa em relação a outros, estamos atingindo essa região do cérebro dos outros. O neocórtex, região responsável pelo pensamento racional, é um UTILITÁRIO, para ajudar-nos a aumentar nosso fator de sobrevivência. Entretanto, nossas motivações finais estão no sistema límbico profundo.

Três: dinâmica social. O que importa em nosso comportamento, e nossas ações, é ver QUAL O RESULTADO de nossas ações em relação aos outros durante a interação social. Logo, se queremos obter vantagem em um debate, temos que saber QUAIS NOSSOS COMPORTAMENTO que nos levarão à ter vantagem ou desvantagem na interação. Quais ações nossas que deverão ter efeito no sistema límbico profundo da audiência estão sendo implementadas? Somos responsáveis pela forma como somos percebidos nesse tipo de interação. Falarei um pouco mais de dinâmica social adiante.

Quatro: o duelo político. Em política, o que importa para um grupo é LEVAR VANTAGEM sobre o outro. É claro que podemos, de forma aristotélica, buscar a verdade, mas SE NÃO ENTRARMOS PARA VENCER UM DEBATE, isso significa que vamos perder. Logo, ser ingênuo e “suspirar” unicamente por Aristóteles é o prenúncio do desastre. Você perderá poder e seus oponentes ganharão. Simples assim.

Acho que é o suficiente para começarmos.

Vamos entender um pouco agora o controle de frame da forma que ele é usado em um dos universos mais polêmicos do underground da Dinâmica Social: os “pegadores de mulheres”. Também conhecidos como PUAs, ou Pick Up Artistss.

Sim, existem estudos sobre isso, e Desmond Morris ajudou muito com essa base de conhecimento ao estudar o mecanismo de acasalamento nos diversos animais, o que pode ser visto em sua série “Human Sexes”.

Agora o papo é reto.

O homem basicamente é atraído por mulheres com alta capacidade de reprodução. Não significa que ele use o neocórtex para pensar “puxa, que interessante, ela poderia ser a mãe de meus filhos”. Talvez em alguns casos, até pense nisso, mas o que geralmente vai acontecer é que o sistema límbico profundo dele irá SE SENTIR ATRAÍDO por qualquer mulher que demonstrar atributos físicos relacionados ao instinto que diz “essa irá ter bons e saudáveis filhos”. Este é o desejo natural de REPLICAÇÃO.

Pelo lado do homem gerando atração nas mulheres, o sujeito também poderá causar muito boa impressão mostrando as seguintes características: (1) ser um macho dominante dentro de um grupo de homens, ou seja, o líder, ou até melhor, o macho alfa, (2) demonstrar capacidade de proteger seus amados, (3) demonstrar confiança e um bom nível de poder, (4) demonstrar que que ele não está “necessitado” da mulher, mas sim o inverso.

A maioria das mulheres irá se atrair naturalmente por um homem com essas características pois as mensagens principais que estão registradas no sistema límbico profundo dela incluem “esse é um bom pai para meus filhos” junto com “além de me fazer um filho, ele tem potencial para protegê-los”.

Ou seja, as mulheres buscam duas variáveis principais nos homens, o valor de SOBREVIVÊNCIA e de REPLICAÇÃO. O homem busca essencialmente valor de REPLICAÇÃO em sua interação com as mulheres. Essa “busca” não é definida racionalmente, mas emocionalmente/instintivamente. Atração não é uma escolha racional.

Agora, vamos sair do contexto da pegação de mulheres em direção à interação cotidiana, especialmente a interação escolar, e, posteriormente a interação profissional.

Homens buscam em outros homens o valor de SOBREVIVÊNCIA, a não ser os gays, mas estes estão fora da minha análise, pois são pontos fora da curva dentro do jogo darwinista. Gays não estão no jogo para transmitir seus genes para frente. Assim, dentro da Dinâmica Social, eles são apenas exceção. Não a regra. Voltemos à regra…

Veja como homens que gostam de esportes se unem desde a época escolar e EXCLUEM de seu habitat os nerds. Isso por que o sistema límbico profundo nosso PERCEBE o nerd como aquele que abaixa nosso valor de sobrevivência, ao passo que aqueles que poderão LUTAR AO SEU LADO aumenta seu valor de sobrevivência (isso, é claro, na escola, pois no mundo profissional nerds podem assumir funções de poder, e o jogo seria revertido). Isso não significa que é preciso excluir os inválidos, de forma alguma. A nossa cultura é baseada na caridade, devido à herança cristã. Estou apenas mostrando como o PROCESSO MENTAL funciona, baseado na análise darwinista da coisa.

Em resumo: homens buscam se aliar a outros homens que AUMENTEM seu valor de sobrevivência. Homens buscam relacionamentos amorosos com mulheres que AUMENTEM seu valor de replicação. Mulheres buscam relacionamentos amorosos com homens que AUMENTEM seus valores de replicação e sobrevivência. Mulheres buscam amizades (ou seja, não é sexo) com outros homens e mulheres de acordo com o AUMENTO de seus valores de sobrevivência (neste caso, não entra mais a variável replicação).

Está claro que quando NÃO TEMOS a variável RELACIONAMENTO AMOROSO envolvida, tiramos a busca de valor de REPLICAÇÃO, e ficamos apenas com o valor de SOBREVIVÊNCIA.

Logo, se quisermos conquistar uma garota, temos que MOSTRAR A ELA que aumentamos o valor dela em relação às variáveis SOBREVIVÊNCIA e REPLICAÇÃO. Isso é o que gera a verdadeira atração. E tudo ocorre lá no sistema límbico profundo…

Vamos a um exemplo de como isso pode ser feito. Imagine que um sujeito está em uma balada junto a uma garota, em uma conversação que é aceita por ambos, e aos poucos em sua conversa o sujeito embute, de forma sutil e confiante, a noção de que ele aumenta o valor de REPLICAÇÃO e SOBREVIVÊNCIA dela. Uma das coisas que ele pode fazer para dar um empurrãozinho é sentar-se confortavelmente, com as costas para trás, e deixando que a mulher arqueie o corpo em direção a ele, sem ela ter noção de que está fazendo isso. Isso provocará o efeito psicológico, lá no sistema límbico profundo dela, de que ele é o PRÊMIO desta interação (ela está curvando o corpo em direção a ele). Logo, ele parecerá ter maior efeito de REPLICAÇÃO e SOBREVIVÊNCIA para ela. (Atenção: não estou dizendo para vocês saírem fazendo isso, pois o estudo dos mecanismos de conquista sexual na natureza são muito mais complexos do que isso. Este foi apenas um EXEMPLO)

Mas o que o sujeito teria feito neste caso? Ele mudou a posição de seu corpo para ALTERAR A PERCEPÇÃO da garota a respeito dele. Ele simplesmente CONTROLOU O FRAME. Ele modificou uma situação para obter VANTAGEM. Esta vantagem será obtida quando a outra parte na interação PERCEBER o sujeito da forma que ele optou por ser percebido. De preferência, é claro que a outra parte não PERCEBA que está ocorrendo ali apenas um truque.

Novamente, vamos sair do contexto da pegação de mulheres e estudar o controle de frame em todas as interações QUE NÃO ENVOLVEM relacionamentos amorosos.

Agora não falamos de como nós aumentamos o valor de SOBREVIVÊNCIA E REPLICAÇÃO de uma garota com nossas ações, mas sim como atos são executados para obter a percepção dos outros de que estamos aumentando o valor de SOBREVIVÊNCIA deles.

Realize a situação. Certa vez eu estava em uma discussão com outro gerente, e este começou a aumentar o tom de voz. Eu aumentei o tom de voz também. Ambos começamos a conversar assuntos cotidianos, mas em uma altura realmente considerável. Se eu tivesse baixado meu tom de voz abaixo do dele isso seria PERCEBIDO pelas pessoas do local como se ele fosse automaticamente mais “dominante” do que eu.  Tudo por uma questão de postura. Mas após estudos de Dinâmica Social, aprendi a controlar o frame basicamente pela mudança do tom de voz. Esta é apenas uma das formas de controle de frame.

Se eu não tivesse controlado o frame, poderia correr o risco de perder o respeito até daqueles a quem eu lidero. Eu teria um menor valor de SOBREVIVÊNCIA aos outros.

Entender isso, tanto no contexto da pegação de mulheres como no mundo corporativo, como em qualquer outro, é entender como realmente a questão toda é baseada em como somos percebidos pelos outros pelos nossos valores de SOBREVIVÊNCIA (quando temos qualquer interação que não envolve relacionamentos amorosos), e de SOBREVIVÊNCIA+REPLICAÇÃO (no caso da interação para o relacionamento sexual).

A questão é decidida puramente no aspecto darwinista, nos mesmos modelos em que avaliamos a luta pelo poder e dominância nas demais espécies animais, e os efeitos de nossas interações, através de um melhor ou pior controle de frame dos que os outros, são captados através da região cerebral chamada SISTEMA LÍMBICO PROFUNDO, a área reservada aos instintos.

Antes de eu dar exemplos do controle de frame na guerra política, vamos a um outro fator. O da importância do poder.

Por que os seres humanos buscam poder em quantidades cada vez maiores? Simples. Quanto mais poder, maior as chances de SOBREVIVÊNCIA daquele que tiver o poder. Alguém que possui mais recursos financeiros poderá aumentar as chances de viver mais tempo. E mais. Se tiver filhos, aumentará as chances de deixar uma fortuna para esses filhos. Com isso, os genes, que serão a “sobrevivência” do sujeito após ele morrer, demorarão mais tempo para serem extirpados da face da Terra.

A derivação lógica disso é inevitável. A luta pelo poder é também um instinto natural, plenamente explicado por uma análise da espécie humana nos mesmos moldes das outras espécies animais.

E por que alguns seres humanos obtem tanto poder (especialmente os ditadores totalitários) enquanto outros obtém tão pouco? A explicação também é bastante simples, e fácil de observar na realidade. Pela maior capacidade de racionalização do ser humano, existe uma DISTÂNCIA maior no uso da razão do que aqueles que não usam a razão de forma alguma. Logo, esses vão obter MAIS VANTAGEM sobre os outros.

Vamos a um exemplo. Imagine um fusquinha. Um fusquinha quebrado chega a 0 km por hora. Já um fusquinha com problemas, pode chegar a 60 ou 70 km. E um fusquinha na máxima potência, chegaria a 100 km por hora. A diferença entre o melhor fusquinha e o fusquinha quebrado é de 100 km. No caso de uma Ferrari. Uma Ferrari quebrada chega a 0 km por hora. Uma Ferrari com o pneu furado não vai render muito. Mas uma Ferrari a máxima potência irá chegar a 400 km por hora. As Ferraris boas tendem se distanciar mais das Ferraris ruins, do que os Fusquinhas bons tendem a se distanciar dos Fusquinhas ruins.

Nós, seres humanos, pelo uso de nossa racionalidade, somos as FERRARIS dentre as demais espécies de animais.

Então, a consolidação de poder por algumas pessoas, em comparação a outras que tem pouco poder, é uma consequência natural do potencial cerebral da espécie humana. Não há como fugir desta contingência.

Estando ciente disso, temos os seres humanos que se destacaram na obtenção do poder perante os demais humanos. Podemos citar os reis dos tempos da monarquia, os ditadores de países islâmicos, enfim, os LÍDERES na luta pelo poder. E, como na natureza em geral, se existem os machos alfa, existem os machos beta.

Os machos alfa são aqueles que convenceram (não tanto pelo aspecto racional, mas pelo efeito no sistema límbico profundo) os outros de que possuem maior valor de SOBREVIVÊNCIA para o restante do bando. Logo, os machos beta vão lutar POR ESSE macho alfa. Quanto mais tempo o macho alfa estiver lá em cima, melhor para o grupo de betas. Basta assistir aos documentários de Desmond Morris e veremos que o processo é simples assim.

E que raios isso tudo tem a ver com o controle de frame e a esquerda?

Enfim, eu fiz toda essa introdução para mostrar o por que a esquerda tem conseguido se sair melhor na tomada de poder do que a direita.

Querem ver como tudo pode ser avaliado pelo controle de frame e a perspectiva darwinista da seleção pelo valor de SOBREVIVÊNCIA pros demais?

Imagine que existe um bando de pessoas neutras nas principais questões políticas. Não são os formadores de opinião. Mas são aqueles “carregados” pelos machos alfa e beta do debate político. Estes, que seriam os machos “gama”, são a maioria da população. (Aliás, o termo “macho alfa” não significa apenas que sejam homens, mas mulheres podem executar o perfil de “macho alfa” quando não existe a questão do relacionamento amoroso. Nesse caso, seriam as “mulheres alfa”)

Tente visualizar essa totalidade da “massa” como se fossem as mulheres na balada avaliando os homens pelo seu valor de SOBREVIVÊNCIA+REPLICAÇÃO.

Imagine que na balada apareça um sujeito, esteticamente similar a um rival, mas executando uma série de comportamentos pré-programados que fazem com que a garota escolha de forma instintiva a ir para a cama com ele, dispensando o outro que não exibiu os mesmos comportamentos. Se ambos são similares em termos estéticos, o vencedor para a obtenção do sexo é aquele que CONTROLOU MELHOR O FRAME. Ou seja, manipulou a situação e a PERCEPÇÃO da outra parte na interação para obter vantagem.

E, da mesma forma que se conquista uma garota levando-a para a cama, se conquista a mente de qualquer pessoa que faz parte da OPINIÃO PÚBLICA.

A conquista não é feita pelo discurso racional (embora discursos sejam executados alegando que “se é racional”, mas isso em muitos casos é truque), mas sim pelo APELO EMOCIONAL, e, enfim, uma PERCEPÇÃO gerada de que aquele que será escolhido aumenta a chance de SOBREVIVÊNCIA do ouvinte.

Atenção: no controle de frame não é preciso realmente aumentar a chance de SOBREVIVÊNCIA da massa, mas sim ser PERCEBIDO pela massa como se realmente fosse aumentar a chance de SOBREVIVÊNCIA. E como esse processo ocorre no sistema límbico profundo, após a crença estar residindo lá, é MUITO DIFÍCIL tirá-la. Se vocês assistiram o filme “A Origem”, provavelmente entenderão do que estou falando.

Sabendo disso, vejamos como começa a batalha pela mente da OPINIÃO PÚBLICA, usando o controle de frame, feito muito bem pela esquerda, e que temos que aprender a executar.

Dawkins entra no debate e diz que está “do lado da ciência” e seus oponentes “contra a ciência”. Qual a primeira sensação da opinião pública? Vamos lá: a ciência é boa, e nos ajuda. Dawkins vai aumentar a chance de SOBREVIVÊNCIA do grupo. Os religiosos “abaixariam” a chance de SOBREVIVÊNCIA. Logo, a platéia passa a ficar do lado de Dawkins.

Caso esse frame não seja controlado pelo oponente, e ele não seja desmascarado exemplarmente com evidências de que Dawkins “não demonstra estar do lado da ciência”, pelo simples fato do neo ateu controlar o frame repetidamente, o religioso está FORA do coração da opinião pública e o neo ateu ganhou. Neste aspecto do debate, pelo menos.

Mais um exemplo. Imagine que o militante de esquerda diga que se preocupa com “as classes desfavorecidas”. É claro que temos argumentos para mostrar que nem de longe isso ocorre. Mas ele CONVENCE a OPINIÃO PÚBLICA de que realmente está agindo para melhorar a SOBREVIVÊNCIA do grupo como um todo. Ora, uma pessoa que se “preocupa com os mais fracos” iria, caso você estivesse na selva com ele, te proteger se você estivesse machucado. É alguém que convence os outros de que DEDICA sua vida a isso.

Ou seja, se um esquerdista convenceu a platéia de que ele “se preocupa com os mais pobres”, ele JÁ GANHOU O DEBATE por ter controlado o frame. Ele fez com que a PERCEPÇÃO da platéia fosse favorável a ele, e não aos seus oponentes.

Querem mais uma?

Imagine um neo ateu que diga que está do lado da “razão” enquanto seu oponente está do lado “da ignorância”. Visualize agora que você está sendo protegido por um líder tribal que toma as decisões mais acertadas (ou seja, a “razão”, e este é o efeito psicológico da expressão “razão”), em comparação com outro que toma as decisões baseadas no “chute”. É claro que você escolherá aqueles das decisões mais acertadas.

Portanto, se alguém diz que está do lado “da razão”, sem apresentar provas, é evidente que estamos diante de uma tentativa de controle de frame.

Mais um exemplo para mostrar que toda a questão se avalia pelo controle de frame.

Imagine quando algum esquerdista diz que está a favor dos “Direitos Humanos”, mas automaticamente fica só defendendo criminosos. O problema é que o uso da expressão “Direitos Humanos” ativa no sistema límbico profundo da maioria da OPINIÃO PÚBLICA a idéia de que “ele nos defende, a todos os humanos”.

Neste caso, até alguns conservadores caem no truque e dizem “esse pessoal dos Direitos Humanos só defende bandido”. Aí não só o esquerdista controlou o frame como o conservador, vestindo a camisa de força imposta pelo oponente, FORTALECEU o frame do oponente.

Em todos os quatro exemplos, os esquerdistas se dão bem não por terem melhores argumentos, mas por executarem trucagens retóricas, e truques de repetição, que fazem eles ganharem espaço pelo fato de serem PERCEBIDOS pela OPINIÃO PÚBLICA como aqueles que aumentariam o valor de SOBREVIVÊNCIA da platéia.

Todo o jogo político é baseado nisso.

Ao estudarmos o Darwinismo, principalmente a Psicologia Evolutiva, juntamente com a Dinâmica Social, vemos que a realidade é muito mais cruel do que parecia-nos antes.

Já muitas pessoas dizendo que Dawkins “não parece entender os religiosos”. Será? E se ele “entendesse” os religiosos, como ele controlaria o frame fingindo ter mais valor de SOBREVIVÊNCIA para a platéia?

O estudo da Dinâmica Social, e o entendimento de que o sentido da vida está baseado na SOBREVIVÊNCIA e REPLICAÇÃO,  mostra com muito mais crueza as nuances da guerra política em que vivemos.

A partir dessa perspectiva, entendemos como funciona o processo biológico da luta política.

Agora eu entendo por que muitos neo ateus tentavam fazer outro controle de frame dizendo “darwinismo é meu, você não pode, não pode, não podeeee” ao dialogar com religiosos darwinistas. (Lembrem-se da série “Baixarias da Biologia”, partes 1, 2 e 3).

Quem sabe podemos elaborar uma teoria para explicar por que os esquerdistas controlam o frame melhor. Talvez por que mais deles estudem o darwinismo. Sabemos que muitos religiosos não estudam o darwinismo. Isso é uma pena. Com o estudo do Darwinismo, mas especialmente a Psicologia Evolutiva e a Dinâmica Social, poderíamos perder TODA NOSSA INGENUIDADE em relação aos debates políticos.

E aí sim partimos para o debate, não para apresentar discursos empolados e que serão entendidos por quase ninguém. Mas sim para CONTROLAR O FRAME e ferir moralmente nosso oponente político.

Ou será que você quer continuar em debates como se fosse para uma balada e não pegasse ninguém enquanto um outro executa truques e leva as beldades para a cama?

Não creio que como debatedor é isso que você quer para a sua vida.

Enfim, expliquei o que é controle de frame.

E, de agora em diante, este blog não é só de refutação a esquerdistas e humanistas. Além das refutações, o que mais me interessa é compartilhar as experiências de Dinâmica Social e como isso pode ser usado para CONTROLARMOS O FRAME em nossos embates políticos. (Ou seja, todos os debates com os neo ateus, humanistas e esquerdistas)

Se não controlarmos o frame, o ato de fazermos refutação não nos dá vantagem alguma nesse embate.

E eu não entrei nessa para perder tempo.

Deixemos que o jogo político comece!

P.S.: Vários outros textos, agora com dicas detalhadas sobre controle de frame, serão feitos em futuros posts.



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32 respostas

  1. Show. Simplesmente show.

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    • “Veja como homens que gostam de esportes se unem desde a época escolar e EXCLUEM de seu habitat os nerds.”

      Putz! E não é q é verdade? Não q eu exclua os nerds nas minhas artes marciais, mas eu apenas os tolero, pois prefiro estar sempre ao lado dos mais fortes para interagir, criar uma parceria para poder treinar com eles e me tornar mais forte. Outro ponto a se destacar é q quando um sujeito fraco começa a evoluir ele passa a ser mais respeitado.

      “Isso por que o sistema límbico profundo nosso PERCEBE o nerd como aquele que abaixa nosso valor de sobrevivência, ao passo que aqueles que poderão LUTAR AO SEU LADO aumenta seu valor de sobrevivência (isso, é claro, na escola, pois no mundo profissional nerds podem assumir funções de poder, e o jogo seria revertido).”

      Huahuahuhauhauhaua…

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      • O engraçado ao ler isso é que eu consegui ser psicológicamente imprevisível minha vida toda, por exemplo, sempre fui um nerd (viciado em informática e jogos) e jogador de basquete…

        Inclusive eu impunha respeito facilmente simplesmente ouvindo mais e falando menos, os outros adolescentes simplesmente não sabiam como me definir e alguns tinham até medo (inclusive os potenciais criminosos não mexiam comigo)…

        Eu não entendo exatamente o por que, mas algo me diz que só se pode prever o comportamento das pessoas quando se é imposto um sistema de controle nelas desde cedo, como propagandas, influencias na educação, pressão social, traumas, etc… Que moldam a pessoa de tal forma que ela se torna previsível e assim surgem os indivíduos tipo alpha, beta, etc… inclusive as táticas de “controle mental” foram desenvolvidas durante a guerra fria, seja do lado norte americano, seja soviético (vide programa monarca de dissociação de personalidades que hoje é muito usado na industria da musica)

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      • Igor, se você foi jogador de basquete dificilmente teria o perfil nerd padrão aqui. Você não abaixaria o valor de SOBREVIVÊNCIA dos demais. Entretanto, gostaria de saber mais detalhes a respeito da imposição sobre os outros falando menos, o que realmente é difícil. O que se vê, nos jogos corporativos, é que os que falam mais (e em tom de voz mais algo) vencem o jogo na Dinâmica Social. Em relação a previsão de comportamentos, ele independe dos sistemas de crenças. É claro que se tivermos sistemas de crenças, como humanismo, ateísmo radical, cristianismo, mormonismo ou qualquer outro, podemos PREVER MAIS ainda. Por exemplo, podemos prever que alguém vai ficar indignado com um texto do tipo como o que eu escrevi se for um cristão que seja aderente ao criacionismo da Terra Jovem. Isso pq meu texto toma como premissa uma crença diametralmente oposta a dele. Já se alguém for ateu, mas esquerdista, poderá também se indignar com meu texto, pois, mesmo reconhecendo o darwinismo, ele quebra vários paradigmas dos esquerdistas. Ou seja, realmente crenças EXISTENTES podem facilitar a previsão de ALGUNS comportamentos. Mas a previsão dos comportamentos básicos independem de crença. Abs, LH.

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  2. Achei muito interessante você aceitar a Psicologia evolutiva. Eu venho lendo os livros dos PUAs há muito tempo e ficava até meio indignado de ver você dizendo que psicologia evolutiva era pseudociência e tal. Eu acho que é a forma mais promissora de se entender o comportamento humano atualmente.
    Eu já era ateu quando comecei a estudar esse material (PUA), mas a impressão que eu tinha das religiões foi ficando pior depois disso, pois como você disse “a realidade é muito mais cruel do que parecia-nos antes”, e as religiões passavam uma visão mundo bem OPOSTA a essa realidade (pelo menos eu entendia assim).
    Foi quando eu tive a curiosidade de estudar o ateísmo mais a fundo. O primeiro livro que eu pensei em comprar -adivinhe- foi o Deus, um delírio. Comprei, li, achei até divertido, mas na parte filosófica vi que o livro deixava a desejar. Foi quando tropecei no seu blog. Apesar de não ter as mesmas visões políticas suas (não sou muito conservador), muito menos as religiosas (de quando você era cristão) e não gostar muito do que vi, tive que admitir que o livro era bem pior do que eu pensava, e inclusive outros ateus acham isso (tanto na parte filosófica quanto na parte “política”). Hoje eu já leio livros ateus de autores mais sofisticados.
    O que eu acho da religião? Falsa, mas e aí? Uma mentira boa (Ateísmo 3.0) ou ruim (Neo-ateísmo)? Não sei.
    O que eu acho dos neo-ateus? Poderiam parar de “queimar o filme” dos ateus com os argumentos ruins, incoerências e discursos de ódio. Acho o mesmo que os cristãos tradicionais
    acham dos fundamentalistas e mansos.
    O que eu acho da moral? Acho que há pelo menos uma teoria moral ateísta promissora.
    O que eu achei do seu texto sobre controle de frame? Corretíssimo na parte científica (de acordo com o que eu já li dos PUAs), a realidade é assim mesmo.
    O que eu acho do seu blog? Foi bom ter topado com ele. Estou aprendendo muito aqui, assim como aprendo estudando os ateus e os cristãos tradicionais. Até comprei o livro do
    Schopenhauer que você tanto recomenda. É mais uma forma de saber controlar o frame.
    Seu blog está tomando rumos interessantes, vou continuar acompanhando e é bom saber que você voltou.

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    • Opa, achei que seria difícil encontrar alguém que já conhecia o material dos PUAs. Realmente, é muito interessante. Juntando o material dos PUAs com livros como “Red Queen” (Matt Ridley) e “Moral Animal” (Robert Wright), além de tudo do Desmond Morris, temos uma mistura explosiva. Hoje eu concordo. Recusava a psicologia evolutiva mais por “birra” e rivalidade com autores neo ateus, que também a apoiavam. Mas não dá para negar que hoje é uma de minhas áreas preferidas de conhecimento. Mais ainda, com muito que pode ser testado na prática. Abraços, LH.

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    • voce nao é ateu, ateus nao existem, nem por consciencia, nem por intuição, nem por logica. se eu apontar um apartamento e dizer que ninguem o construiu , voce vai me responder dizendo que eu sou louco, e é assim que é um ateu faz quando olha pra toda criação e diz que Deus nao existe, é ilogico, irracional, o universo é o lembrete ao homem do que o homem ja sabe interiormente de que Deus existe, ou melhor de que Deus é , sempre existindo terno. nao existem ateus. existem homens que por razoes morais preferem dizer que Deus nao existe, porque odeiam o Deus santo, ja que o odeiam entao os homens tentam forçar a suas mentes para batalhar contra a existencia dEle em suas consciencia pois nao querem se submeter a Ele. Se voce nao quer se submeter a Deus nao se submeta, mas nao invente a negação da existencia de deus. seja ousado o suficiente pra dizer que voce nao quer se submeter ao todo poderoso. o ateismo é totalmente ilogico, a propria logica demanda que um ser Criador, inteligente sabio e todo poderoso crie o universo, pois nada vem do nada e nada causa nada. as proprias leis da natureza, a propria consciencia humana que diferente dos animais nao age instivamente mas a consciencia mostra ao homem quando ele faz algo mau o acusando ou qual ele faz algo bom. a propria injustiça humana faz do coração do homem gritar que o Deus justo que faça justiça.

      nao gosto de debater com ateus porque o problema nao é intelectual e sim moral

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  3. Parabéns Luciano. Fantástico post e texto.

    Gostaria de pedir uma ajuda pra você, que ja esta nesses debates a um bom tempo. Quero montar um clube de debates na minha universidade. Vi que isso é comum nas universidades americanas, e vi também Willian Lane Craig comentando que participava ativamente de clubes de debates na adolescência e juventude. Você tem alguma dica, ou até mesmo alguns passos seguros de como fazer. Pessoas interessadas existem, mas confesso não fazer nem ideia de como montar um.

    Obrigado!

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    • Raullk, obrigado pelas palavras. Infelizmente não sei sobre montar clubes de debates. Aliás, futuramente pretendo fazer um post sobre a importância do duelo político nas universidades. Abs, LH.

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  4. Dentro deste estudo podemos concluir q Jesus foi o maior macho alfa que já existiu, ok.
    Ninguém teve maior valor de sobrevivência do q Ele.

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  5. Este artigo foi super interessante. Muito altruísta do Luciano nos dar gentilmente todas estas informações. Isto prova o q ele disse sobre nossa cultura estar baseada na caridade cristã. Serve como complemento para o estudo de várias matérias e atiça nosso interesse pelo darwinismo. Aposto q muitos q leram e lerão, passarão a adotar uma postura realmente nova. Luciano abordou outrora q devíamos nos dar ao respeito, e agora ele prova cientificamente isto, hehehe…

    A partir do momento q atendemos eficientemente as pessoas em suas necessidades de sobrevivência, passamos a liderar, ok?

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  6. “Imagine que na balada apareça um sujeito, esteticamente similar a um rival, mas executando uma série de comportamentos pré-programados que fazem com que a garota escolha de forma instintiva a ir para a cama com ele, dispensando o outro que não exibiu os mesmos comportamentos. Se ambos são similares em termos estéticos, o vencedor para a obtenção do sexo é aquele que CONTROLOU MELHOR O FRAME. Ou seja, manipulou a situação e a PERCEPÇÃO da outra parte na interação para obter vantagem.”

    Ou então, um cara bonitão de ônibus e um cara bonitão de carro de luxo.

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  7. “A conquista não é feita pelo discurso racional (embora discursos sejam executados alegando que “se é racional”, mas isso em muitos casos é truque), mas sim pelo APELO EMOCIONAL, e, enfim, uma PERCEPÇÃO gerada de que aquele que será escolhido aumenta a chance de SOBREVIVÊNCIA do ouvinte.”

    “Digam-lhes o que eles querem ouvir” (Lenin).

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  8. Animal! O Luciano está fazendo apelos bem mais poderosos ainda q antes.

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  9. Nossa, impressionante como você aceita o darwinismo de forma quase dogmática, aceitando-o como lugar de compreensão da dinâmica vital. Daqui a alguns posts tenho receio de que vocêe esteja falando em materialismo dialético como forma de compreensão “privilegiada” da dinâmica social. Será que isso irá acontecer?
    Forte abraço.

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    • Olá Juliano. Por que existe “dogmatismo” nessa minha análise do darwinismo? Na verdade, eu sempre fui darwinista, mas a prática da Dinâmica Social, junto a estudos, mostra que ela FUNCIONA. Entretanto, não vejo como o materialismo dialético aumentaria a compreensão da Dinâmica Social. Vejo que a Dinâmica Social permite estudar TODA a interação marxista, todos os recursos do materialismo dialético. Ah, e permite estudar a religião também… Abraços, LH.

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      • « Ah, e permite estudar a religião também… »

        Bom, em minha não tão modesta opinião, essa tal de Dinâmica Social permite entender / INTERPRETAR certos aspectos do “fenômeno religioso”. Cumprimento esse que certamente é devolvido, às vezes com engenho assombroso, pelos respectivos representantes das religiões que foram assim “estudadas”.

        Referências: “Invitation to Sociology”, de Peter Berger, e as várias obras de René Guénon, onde a chamada “Ciência das Religiões” é devidamente desmascarada como uma simplista “apologia do ateísmo” ^_~

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  10. De certa forma o controle de frame é a raiz do argumentum ad populum, que consiste em seduzir um terceiro que acompanha o debate.

    Se eu fosse resumir ao mínimo o seu texto sobre controle de frame, com o seu perdão pelas óbvios cortes de nuances e ponderações, e já transformando em algo prático, eu diria que:

    “O segredo para se derrotar, por exemplo, neo-ateus e esquerdistas em um debate, está em argumentar objetivando não a vitória formal do debate, mas a derrota de seu adversário subjetivamente na cabeça-campo-de-guerra de cada um dos que assistem ao debate.”

    Em outras palavras: “Ganhar Corações e Mentes”

    OU AINDA:

    ****POPULISMO****

    A formula não é nova. Nem o argumentum ad populum é novo, nem o populismo que ele define. O mesmo para o controle de frame, virtualmente a mesma coisa com uma explicação biológica, a mesma coisa com a origem biológica supostamente ou demonstrada.

    Muito embora tais procedimentos representem uma desmoralização dos nossos modos de guerrear, seria uma maneira de aumentar as probabilidades de vitória tendo em vista que representaria o fim da guerra assimétrica no campo das idéias.

    Na guerra assimétrica, quando o inimigo tortura e mata, e nos furtamos a fazê-lo também, estamos em evidente desvantagem, ou seja, se jogarmos o jogo conforme as regras enquanto o adversário da de ombros para as regras PERDEMOS! No campo das idéias, a assimetria é ainda mais perigosa, porque os memes – usando um termo neo-ateísta – podem ultrapassar 1 século de vida humana com tranquilidade.

    Infelizmente, aumentar a simetria da guerra, o mano a mano, significa aproximar nossos métodos dos métodos do adversário, ou, nos tornamos iguais ao adversário em certos pontos. Deve-se avaliar se os pontos em questão não apagariam a linha que cria a dicotomia mesma dos debatedores. No caso do controle de frame, penso que o método em si, resolve não só o problema da assimetria, como apaga a divisória entre os debatedores. Se na guerra assimétrica da Guerra Fria resolvêssemos aumentar a simetria criando Gulags, teríamos naquele exato momento a vitória instantânea da URSS. Aumentar a simetria da guerra é mais perigoso do que a própria guerra assimétrica.

    Identificar o controle de frame alheio não chega a ser uma habilidade sobre-humana, mas utilizar-se da mesma arma me parece andar na corda bamba sobre uma piscina de jacarés, é estar diante de uma linha tênue que mais cedo ou mais tarde você atravessará, e se transformará em um esquerdista / neo-ateísta; porque a medida que você perceber que seus argumentos conservadores e/ou religiosos são basicamente “retórica” – que é a arma em que você está utilizando o conservadorismo e a religião como munição -, você não mais os aceitará como expressão da VERDADE OBJETIVA.

    Devo frisar ainda, que a sedução esquerdista, essa animalesca facilidade de brincar com o cérebro alheio, esse controle de frame – como você chama -, bastante natural diga-se de passagem para essa escória, muito semelhante a do homem sedutor, do rapaz popular da escola, daqueles ser humano que agrada gregos e troianos bem ao estilo Lula de ser 🙂 , enfim, desse ser capaz de flexibilizar-se e às suas idéias para atingir certos fins – os fins justificam os meios -, está muito próximo da figura do psicopata.

    (corro o risco de sua análise de texto sugerir que associar controle de frame à psicopatia seja controle de frame 🙂 )

    Os fins justificam os meios é o lema do controle de frame em minha modesta opinião. É algo como brincar de psicopatia seletiva, entrar na loucura do louco, para vencer o pisicopata/louco…

    Acredito que ainda vale a pena estar do lado da verdade, perdendo debates, perdendo aliados, perdendo tempo, enfim, nessa derrota toda, a ceder num ponto de suma importância como a INDIVIDUALIDADE e o LIVRE ARBÍTRIO da aceitação do terceiro da argumentação dos debatedores.

    Excelente texto e idéias, mas discordo essencialmente de seu uso prático.

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    • Peço autorização para responder seu texto ponto a ponto nas objeções. Não será uma refutação, como faço aos neo ateus (pois te respeito), mas uma RESPOSTA às objeções. Entendo que se eu fizer isso respondo aos seus questionamentos, e terei uma chance de dar mais SOLIDEZ ao meu argumento, complementando-o em pontos que possam ter ficado vagos. Creio que posso até ter dado a entender que o que importa é “vencer, independente de perder qualquer noção de moral ou dignidade”, mas o que proponho é basicamente controlar o frame. E não cair no nível do inimigo. Enfim, se me autorizar, farei um post respeitoso e as respostas ao seus questionamentos (muito bons e coerentes) serão uma sequência do primeiro texto. Tudo bem? Abs, LH.

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      • Um macho alfa não pede para refutar. Ele simplesmente vai lá e refuta. hehehe

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      • hehehehe… boa. Mas o Macartista está do meu lado, apenas não percebeu. Li o blog dele e quero ele como aliado. 😉

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      • Fique a vontade, meu nobre.

        Só peço com interesse sincero, e espero que não seja pedir demais, que em sua refutação você dê exemplos do uso em discurso do controle de frame por parte de um conservador ou direitista, enfim, de um sujeito reacionário – não precisa ser necessariamente um exemplo real, apenas uma ilustração do uso do “recurso” por parte de não-esquerdistas, para que possamos ter uma imagem mais real do “recurso” e assim possamos analisar sua validade.

        Se me permite, farei uma ou duas provocações amistosas em forma de pergunta antes de partir, que também peço encarecidamente, que você trabalhe em sua refutação se assim lhe aprouver:

        Um regime de paz a custa da liberdade pode de fato ser mais eficiente no quesito sobrevivência. Currais humanos bem alimentados, medicados, tratados, enfim, uma “vida de gado”, mais ou menos como em 1984, Admirável Mundo Novo ou o filme A Ilha. É mais ou menos claro para revolucionários e conservadores que o *FIM sobrevivência* poderia ser atingido por tais *MEIOS repressivos* de forma mais eficiente do que pela via democrática. No entanto, valeria a pena não sobreviver a viver assim em minha opinião. Eis a pergunta:

        1) Como um conservador, utilizando-se de “controle de frame”, pode rebater um argumento que utiliza-se do mesmo recurso para sustentar a ideia do fim das liberdades em prol da sobrevivência? Qual argumento em prol da sobrevivência poderia vencer um argumento com este poder de fogo; que voz poderia superar esse grito de sobrevivência que é o fim das liberdades?

        2) O sentimento de auto-sacrifício cristão não é uma sublimação do primitivo instinto de sobrevivência? Ou seja, entregar-se à morte por algo ou alguém, abdicar da própria vida, ou seja, vencer o instinto de sobrevivência pela sobrevivência do outro, não vai de encontro (ou seja, contra) a ideia mesma de controle do frame cujos argumentos apelam sub-repticiamente à sobrevivência?

        3) A sobrevivência não será sempre um argumento mais poderoso na voz das esquerdas que vivem da perseguição de um futuro hipotético onde não há limites para a imaginação de alternativas para a salvação e para um mundo melhor, seguro, de bem estar social, saúde, qualidade de vida, enquanto o conservador se limita ao real e as possibilidades escassas de sobrevivência deste mundo real e limitado?

        Agradeço as palavras fraternas
        O respeito é recíproco

        Abraços
        O Marcartista

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  11. Luciano

    “Entretanto, gostaria de saber mais detalhes a respeito da imposição sobre os outros falando menos, o que realmente é difícil. O que se vê, nos jogos corporativos, é que os que falam mais (e em tom de voz mais algo) vencem o jogo na Dinâmica Social. ”

    Leia “Como fazer amigos e influenciar pessoas” (tem pra baixar por aí). O livro é interessante, apesar de ter um título besta, ele fala bem sobre isto. Quando você induz a pessoa a falar mais sobre ela mesma em uma conversa, ficando em silêncio e prestando atenção, demonstrando-se interessado, você ganha mais respeito do que se tentasse ganhar a atenção dos outros falando sobre você mesmo, ou apenas falando. Não lembro-me muito bem do resto do raciocínio, mas é por aí. É um bom livro a se ler, e eu acho até que nele há algumas técnicas de controle de frame, embora eu não tenha certeza disto.

    Quanto ao seu artigo, achei ele ótimo. Todos deveriam colocar em prática o tal controle de frame para sair por cima nos debates (é claro, de uma forma honesta, se for possível). Espero aprender mais sobre o assunto.

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  12. “Igor, se você foi jogador de basquete dificilmente teria o perfil nerd padrão aqui.”

    Aí é que está o padrão de um nerd dependeria da capacidade de previsão precisa de comportamento.

    “Você não abaixaria o valor de SOBREVIVÊNCIA dos demais.”

    Se com isso você está dizendo que eu nunca me sujeitei aos “mais populares que vivem cercados dos outros”, está correto.

    “Entretanto, gostaria de saber mais detalhes a respeito da imposição sobre os outros falando menos, o que realmente é difícil.”

    É algo difícil de descrever pois cada situação exige inúmeras possíveis variáveis de comportamento, basicamente eu levei a cabo um comportamento dissimulado (à principio), em que falando menos, não alimentava o ódio dos outros (hoje em dia, chamados de trolls), aproveitando oportunidade de expor o comportamento ridículo deles a todos e em compensação elevei minhas capacidades intelectuais ao nível de prioridade ou seja, aprendia tudo, seja das regras de um esporte à matemática, em meio aos outros eu era acima da média em tudo sem ser um gênio, isso gerou respeito quase imediato, inclusive por ocasião de doença eu tive anos em que tirava notas ruins na escola, ainda sim todos me viam como referência…

    A isso também cabe ressaltar o fator presença de “espirito”, ser sério, não fazer aos outros o que não quer que façam a você, se testassem uma ameaça contra mim, não arredava o pé mesmo em desvantagem, rapidamente desarmando o que ameaçava usando táticas diferentes, dependendo da situação, com isso cheguei ao fim de minha “carreira” escolar sem uma briga sequer e com drogados ainda pedindo por favor se eu tinha 1 real para eles e aceitando uma resposta negativa.

    Só não sei dizer o quanto a seriedade que tinha dava impressão aos outros que eu era ameaçador ou mau, pois isso só dá para saber olhando de fora ainda ressaltando a possibilidade de que eu tenha passado por uma sorte absurda devido a reunião das situações favoráveis nos momentos certos.

    “O que se vê, nos jogos corporativos, é que os que falam mais (e em tom de voz mais algo) vencem o jogo na Dinâmica Social. ”

    Aí é que está, a psicologia baseada no darwinismo depende que as pessoas sejam previsíveis e de fato as pessoas se tornaram previsíveis, uma vez que o comportamento delas é majoritariamente desenvolvido pelas mídias de massa e a quebra traumática dos comportamento nas crianças, por exemplo, ensinando educação sexual a pre-adolescentes (e crianças mais nova se for aprovada a agenda esquerdista de educação sexual)

    http://ohomossexualismo.blogspot.com/2011/11/escola-inglesa-planeia-falar-de-sexo.html (leia eu recomendo, acho que vei te interessar de alguma maneira).

    E sim concordo com a maior parte do seu texto mas tenho ressalvas com a psicologia, sempre…

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  13. me interessei muito. Vc poderia me indicar alguma bibliografia livros sobre o assunto?

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  14. Vamos dar as fontes?
    Roissy do heartist.com e Roosh do rooshv.com

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  15. Concordo com algumas coisas. Entretanto, é óbvio que Richard Dawkins está do lado da razão, e os religiosos estão do lado da ignorância. Como alguém pode deduzir precipitadamente, não tão somente que existe um deus, como também que ele é exatamente da religião que o indivíduo segue. Se fossem deístas, ou agnósticos que consideram e aceitam essa POSSIBILIDADE, tudo bem. Mas tem que ser muito irracional, para pular para a conclusão: “Deus existe e ele é cristão.”

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    • Concordar NÃO É PROVAR.

      Como Dawkins pode estar do lado da razão fazendo um argumento como o Boeing 747 que foi tão facilmente ridicularizado pelo teísta William Lane Craig?

      Aliás, você comete erros gravíssimos de raciocínio, quer ver?

      Como alguém pode deduzir precipitadamente, não tão somente que existe um deus, como também que ele é exatamente da religião que o indivíduo segue. Se fossem deístas, ou agnósticos que consideram e aceitam essa POSSIBILIDADE, tudo bem. Mas tem que ser muito irracional, para pular para a conclusão: “Deus existe e ele é cristão.”

      Isso não faz absolutamente o menor sentido.

      Em sua lógica, supondo que alguém tenha um carro, mas não provou que isso é mais “lógico” que não andar de carro por opção, reduziu suas chances de estar certo NA OPÇÃO DE ANDAR DE CARRO por ter ESCOLHIDO UMA MARCA ESPECÍFICA DE CARRO?

      Tem que ser muito, mas muito irracional, para manipular categorias deste jeito.

      Desculpe, mas o neo-ateísmo suja a imagem dos ateus exatamente por fraudes lógicas como estas que você republicou aqui.

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      • Luciano,

        Uma dúvida. Uma forma de quebrar o frame “é óbvio que Richard Dawkins está do lado da razão, e os religiosos estão do lado da ignorância”, poderia ser feito da seguinte forma:

        se isso fosse verdade, não existiriam cientistas religiosos como Copérnico, Kepler, Galileu Galilei, Descartes, Newton, Pascal, Mendel, Planck, Eistein, Gödel. Nota-se, claramente, que Dawkins não está com a razão, pois ele afirma que religiosos estão do lado da ignorânca.

        É possível dessa forma?

        Valeu!

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      • urlan,

        Eles já criaram frames para rebater isso. Eles dizem que todos esses cientistas foram obrigados a se declararem religiosos nessa época, para não morrer.

        Uma dica é pensar em novos frames.

        Abs,

        LH

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