Princípios e fundamentos para o ceticismo político

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O ceticismo de desmascaramento, de Carl Sagan, sempre foi normalmente aplicado contra alegações paranormais, geralmente de origem mística ou religiosa.

O ceticismo de desmascaramento, defendido aqui, é aplicado contra religiões políticas e alegações que dão sustentação a essas religiões políticas.

Podemos chamar Carl Sagan não de “cético”, mas de um “cético anti-religião” ou “cético contra a religião”. Assim como eu não seria só “cético” (afirmar a palavra sozinha seria o truque de verbo não especificado, visto já aqui), mas “cético político”, o que seria um cético em relação às religiões políticas.

Uma alegação seria a citação de fatos ou argumentos para sustentar uma declaração. Uma alegação política é toda alegação que, se aceita, irá gerar benefícios para a pessoa ou grupo que a propaga. Se alguém disser “Há um Deus” não é uma alegação política, mas se disser “Há um Deus, e ele me enviou para guiar sua vida, e acredite no que digo”, seria uma alegação política. Quando o esquerdista diz “Estou do lado dos pobres”, isso já é uma alegação política.

A religião tradicional tem como exemplos cristianismo, judaísmo, islamismo, etc. Geralmente possuem crença em um Deus. Religiões políticas geralmente possuem crença em que o homem irá levar a humanidade para uma condição melhor, em que suas contingências humanas serão vencidas. A religião política tem como exemplos marxismo, humanismo, positivismo e outros do tipo, e pode ser resumida em “esquerda”.

Ironicamente, muitos ateus (não todos) não tem religião tradicional, mas possuem religião política. Também ironicamente, muitos religiosos tradicionais não possuem religião política, pois são de direita, ou seja, céticos quanto ao homem e ao ato de dar poder ao homem. Isso pode ser explicado que a absoluta maioria dos humanos possuem necessidade biológica de fé.

O ceticismo anti-religioso foi um mecanismo poderoso para desbancar as religiões, principalmente na época dos monarcas (iluminismo). Entretanto, isso gerou como efeito colateral o surgimento de religiões políticas (todas as manifestações do esquerdismo).

As religiões políticas carregam todos os problemas da religião tradicional (sendo o risco de fanatismo e absolutismo os dois piores), e nenhum dos benefícios. Por isso, as religiões políticas mataram tantas pessoas em genocídios como na Rússia, Alemanha Nazista e China, além do Cambodja. Isso não é uma “falha” das implementações esquerdistas, mas sim casos de sucesso. Se isso não ocorre na Venezuela é por que o esquerdista beneficiário (Chavez) ainda não conseguiu poder de forma tão absoluta.

O fim da monarquia gerou uma lacuna, ou seja, as pessoas teriam que trabalhar para conseguir as coisas. O poder absoluto, que os monarcas tinham, não estava mais disponível. Pode-se supor que a criação da religião política, com a esquerda, serviu para retomar o mesmo tipo de poder perdido com a monarquia, agora a ser estabelecido através do estado inchado.

Algumas religiões tradicionais são absolutistas, mas nem sempre. Todas as religiões políticas são absolutistas, no sentido em que impõem aos outros sua visão de mundo, e não admitem que os outros vivam fora dessa visão de mundo.

Para combater a religião tradicional, foi estabelecida no passado a secularização da sociedade. Isso só foi conseguido através do ceticismo e desmascaramento das religiões (e, é claro, com a aplicação de alguns estratagemas, os quais já refutei por aqui, e refutarei ainda mais).

Para combater a religião política, precisamos estabelecer a secularização política. Ou seja, criar um estilo de vida na qual as crenças dos esquerdistas não afetem aos que não acreditam na esquerda.

Isso pode ter como exemplo o caso de alguém de direita pagando imposto mínimo, e alguém de esquerda pagando impostos opcionais. Por exemplo, quem é de direita pagaria 10% e teria acesso a menos recursos fornecidos pelo Estado. Quem é de esquerda poderia optar por pagar 60 a 70% por mês se quisesse. Esse é o exemplo de uma situação na qual a crença de esquerda afetaria o esquerdista, mas não quem é de direita.

Outro exemplo é o ensino do gayzismo. O esquerdista poderia colocar seu filho em uma escola na qual todos os paradigmas da viadagem sejam ensinados. Já alguém de direita deveria ter o direito de que isso não fosse ensinado ao seu filho em uma escola pública. Que se ensine viadagem ao filho do esquerdista, não ao filho de alguém de direita.

Isso seria a secularização política, objetivo último pelo qual deveríamos lutar.

Os esquerdistas teriam o direito de ter sua religião política, desde que isso não afetasse os que não são crentes nessa religião. Assim, o ensino de Marx nas escolas como VERDADE ÚLTIMA seria a quebra da secularização. Mas o ensino de Marx como teoria alternativa, dando espaço para os oponentes, seria a manutenção dessa secularização.

Para chegar a isso, teríamos que implementar o mesmo tipo de ceticismo contra a religião política que foi implementado contra a religião tradicional. Não há diferenças em termos esquemáticos. Temos que refutar estratagema por estratagema, fraude por fraude, esmiuçar estratégia por estratégia e desmascarar rotina por rotina.

Não podemos esquecer de alguns fatos para nos lembrar da questão de urgência.

A estratégia número 1 da esquerda é a Obtenção de Autoridade Moral, o que por si só já torna a religião política mais perigosa que a religião tradicional. (junto com a Retórica de Ódio, outra estratégia deles, isso habilita que eles façam o que quiserem quando conseguem o poder).

A religião tradicional, em suas alegações sobrenaturais, possui ausência de fatos que a comprovem. Por exemplo, em relação a ressurreição de Jesus Cristo, não temos evidências de que isso ocorreu. Mas não temos evidências de que não ocorreu. Logo, aí faltam evidências para sustentação à crença. E só. No caso da religião política, devido aos estudos do darwinismo e da psicologia evolutiva, assim como Dinâmica Social, sabemos que as principais crenças que dão sustentação à esquerda possuem evidências em contrário ao que elas alegam. Assim, a religião política tem menos sustentação factual que a religião tradicional.

Hoje existe secularização em relação a religiões tradicionais, mas não há secularização em relação a religião política. Por isso mesmo, nossa vida é mais afetada (contra a nossa vontade) por religiões políticas do que pela religião tradicional.

Exemplo: Se eu não quiser ir em uma Igreja, não vou. E não vou mesmo! Se eu não quiser pagar impostos altos, não tenho essa possibilidade. Isso mostra um exemplo de que a religião política afeta mais nossas vidas que a religião tradicional.

Se a religião política é menos válida que a religião tradicional E se as conseqüências que ela traz são mais
negativas ainda, por que ela não é questionada? E, se a essência do ceticismo é o questionamento à autoridade E a estratégia número 1 da esquerda é a obtenção de autoridade moral, por que o ceticismo não é utilizado contra a religião política para questionar essa autoridade?

Vamos lembrar que o ceticismo que eu falo aqui não é SÓ ceticismo, mas sim ceticismo SEGUIDO DE desmascaramento. É exatamente o que James Randi faz com os médiuns, espíritas ou qualquer um que alegue o sobrenatural.

O ceticismo é o questionamento em si. O desmascaramento é a humilhação pública de um fraudador (que foi pego pelo crivo cético). Sem o desmascaramento, o ceticismo é estéril.

Então, para concluir, o objetivo que eu defendo é a luta pela secularização política.

Basicamente, é deixar que os esquerdistas curtam sua religião política, mas que lutemos para que as crenças delirantes deles NÃO AFETEM nossa vida. E, se afetarem, que afetem o mínimo possível.

Só será possível chegar a uma situação dessas através de um extensivo ceticismo em relação à religião política. (Não se esqueçam que sem o desmascaramento, o ceticismo será inútil neste caso)

E precisamos de forma urgente lutar pela secularização política.

Certa vez um professor disse o seguinte para um aluno rebelde em sala: “Olhe… eu não tenho filhos, mas vou ter. Mas quando nascer meu filho, não o rejeitarei se ele nascer feio. Isso não é uma escolha dele. Também não o rejeitarei se ele nascer burro. Ele pode nascer com QI baixo. Mas o rejeitarei se ele for INCONVENIENTE…”

O grande problema não é a existência de esquerdistas. Eles poderiam ter as crenças deles e viverem em pubs adorando essas crenças DESDE QUE isso não afetasse a vida dos não esquerdistas. Mas, do jeito que está hoje no Brasil, Argentina, Estados Unidos e Europa, eles se tornaram INCONVENIENTES.

Se eles estão agindo dessa forma, é por que estão na espiral da bobagem, e precisam sair de lá. E isso só ocorrerá a partir do ceticismo político.

Portanto, mãos à obra.

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4 COMMENTS

    • Boa pergunta! Na verdade, naquela época os monarcas se aliavam aos Papas, e aí poderíamos dizer que estava o embrião da religião política. No caso, o monarca obtinha autoridade moral (além da autoridade jurídica) por estar em alinhamento com o Papa.

  1. Sei que não é o objetivo do post nem do blog, então, se você achar melhor “abafar” essa discussão, entendo perfeitamente. Mas vou colocar minha posição assim mesmo:

    Você diz que “em relação a ressurreição de Jesus Cristo, não temos evidências de que isso ocorreu”. Eu discordo totalmente, e afirmo que as evidências apontam justamente para a ressurreição de Jesus. Essa é a melhor explicação para os registros históricos. Se não houve ressurreição, como explicar o surgimento do cristianismo? Vejo algumas alternativas:

    1) Os apóstolos inventaram tudo. Mas com que intuito? Serem perseguidos? O que eles ganhariam com isso?

    2) Os apóstolos foram enganados. Em que ponto, exatamente? Como Jesus fez uma morte “fake”, incluindo os açoites, diante de várias espectadores, sendo que a maioria deles queriam vê-lo morto? Os milagres também foram “fake”? Que benefício Jesus conseguiu com isso tudo?

    3) Jesus nem existiu, tudo foi inventado no século IV, quando a Igreja começou a ter poder. E mesmo sabendo que nada tinha acontecido, as pessoas aceitaram a história sem questionar? Por que eles inventaram 4 evangelhos em vez de um só, para evitar as pequenas contradições que existem entre eles? E como explicar todos os registros históricos anteriores, incluindo alguns produzidos por pessoas não cristãs? Como explicar os indícios arqueológicos das comunidades cristãs primitivas?

    4) Alguma outra explicação?

    É sério. Eu não consigo ver uma resposta mais coerente para explicar os fatos históricos que não seja “Jesus realmente ressuscitou”. Você tem alguma explicação pra isso? Ou prefere nem comentar?

    E se o Luciano permitir, lanço a questão aos leitores: se você, leitor, tem alguma outra teoria, comente aí, por favor. Só peço que pense um pouco antes, pra ver se é factível, né? Não vai jogar qualquer besteira irracional, senão fica difícil…

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