Petralhas no caso Battisti: um exemplo da inversão sujeito-objeto

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Fonte: Blog Presidente 40 (Folha)

A aparição surpresa do italiano Cesare Battisti em Porto Alegre incomodou petistas que acompanham a presidente Dilma Rousseff no Fórum Social.

O ex-ativista, que motivou uma disputa diplomática entre Brasil e Itália no governo Lula, tenta usar o encontro para divulgar o livro “Ao pé do muro”.

Ontem, ele foi ao Palácio Piratini cumprimentar o governador Tarso Genro, que comprou briga com o STF (Supremo Tribunal Federal) para evitar a sua extradição. Hoje, programou uma sessão de autógrafos no campus da UFRGS, uma das sedes do evento.

“Ele sabe que causou desgaste ao governo e ainda quer desviar o foco do Fórum para vender o livro. Está se comportando como um elefante numa loja de louças”, reclama um petista da comitiva de Dilma.

Meus comentários

A declaração deste petista da comitiva de Dilma é simplesmente bizarra. Mas isso já foi abordado por Olavo de Carvalho, pois ele cita como um dos componentes da mente revolucionária a inversão sujeito-objeto. Veja a descrição abaixo:

A culpa dos atos de horror causados pela mente revolucionária é sempre das vítimas, porque estas não compreenderam as noções revolucionárias que levariam ao inexorável futuro perfeito e destituído de qualquer “mal”. As vítimas da mente revolucionária não foram assassinadas: antes suicidaram-se, e a ação da mente revolucionária é a que obedece sem remissão a uma verdade dialética imbuída de uma certeza científica que clama pela necessidade desse futuro sem “mal” ― portanto, a ação da mente revolucionária é impessoal, isenta de culpa ou de quaisquer responsabilidades morais ou legais nos atos criminosos que comete. Segundo a mente revolucionária, as pessoas assassinadas por Che Guevara ou por Hitler, foram elas próprias as culpadas da sua morte (suicidaram-se), por se terem recusado a compreender a inexorabilidade do futuro sem “mal” de que os revolucionários seriam simples executores providenciais.

Aplicando isso ao caso Battisti.

O sujeito foi julgado como culpado por 4 homicídios na Itália, e PROTEGIDO pelo governo brasileiro do PT. Ou seja, o governo ACOBERTOU um criminoso.

Ora, a única culpa que Battisti possui é em relação aos italianos, pois estes foram ofendidos com suas ações criminosas. Mas em relação a Battisti e o PT, o italiano está com a ficha limpa.

Nesse caso, os únicos culpados por Battisti estar no Brasil, com um sorriso de orelha a orelha, são os senhores Lula e Tarso Genro.

Logo, Battisti não causou desgaste nenhum para o governo petralha. Na verdade, é o PT quem causou um desgaste para eles próprios por acorbertarem Battisti. Qualquer afirmação vinda de um petista dizendo que “Battisti causou desgaste ao governo” é simplesmente um exemplo de delírio de interpretação, do tipo inversão de sujeito-objeto.

Battisti está fazendo o correto ao comparecer aos eventos petralhas. Em termos biológicos, animais que são libertos costumam gostar daqueles que os libertaram.

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2 COMMENTS

  1. Caro Luciano, acabo de descobrir seu blog…

    Sensacional! Você escreve muito bem, tem um olhar agudo e uma erudição de fazer inveja. Parabéns! Mesmo! Mais um oásis na aridez desértica dessa internet tomada pela esquerdopatia.

    Cheguei ao seu blog por um comentário que você fez a um artigo recente do Klauben Soares no Mídia Sem Máscara. Aliás, por tabela, mais uma vez sou devedor do Olavão, cujos veículos sempre acabam me levando a textos e blogs interessantes (e a alguns, diga-se, fundamentais).

    Parabéns mais uma vez e abraços!

  2. MAS e quando o Battisti estava “morando na França”? Por que não houve esse furor italiano em julgá-lo nem mesmo repatriá-lo? Pelo que eu saiba ele foi julgado à revelia pelos tribunais italianos? Este caso é confuso demais…abraço

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