De saco cheio de lamentações

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Uma coisa eu aprendi desde a tenra infância: quem possui uma relação de respeito (verdadeiro) em relação ao outro, não fica apenas paparicando, mas também criticando aquilo que é necessário.

E é claro que preciso criticar a postura de muitos conservadores e libertários pelo que tenho visto nas redes sociais. (Aliás, eu me defino essencialmente como cético político, portanto um conservador cético, e não sou contra todas as idéias libertárias)

Cientes da doutrinação gramsciana em estágio avançadíssimo no Brasil, muitos apresentam ares de um desânimo tão potente que alguém sugestionável entraria em letargia absoluta somente ao lê-los.

Não são raros discursos envolvendo coisas como: “É, realmente o Brasil já uma nova Venezuela. Vou arrumar minhas malas para os Estados Unidos”. Neste caso, a pessoa continua ainda morando no Brasil. Um outro já disse: “A doutrinação gayzista chegou a tal estágio que é irreversível. Agora, não há mais nada a fazer”.

E assim, sucessivamente, a Internet transforma-se em um mar de lamentações do conservador. Ele liga o seu computador e vai reclamar de alguma coisa que encontra de errado no Brasil e sentencia ao final: “Está acabado!”.

A preocupação é vital e temos que mantê-la sempre. Seres “despreocupados” são em essências co-responsáveis pelas maiores desgraças da humanidade. Quando o anti-semitismo alemão começou lá pelos idos de 1880, provavelmente muitos intelectuais judeus disseram “There’s no big deal”. Os genocídios nos campos de concentração tem portanto uma parcela de culpa desses “despreocupados”. Além do mais, qualquer partidário da democracia sabe o valor da expressão “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.

O que defendo aqui não é a ausência de preocupação, mas a manutenção dela, e isso nunca deve ser retirado de nós. Pois, assim que isso ocorrer, estamos perdidos. Mas não podemos tornar essa preocupação, além da constatação de como andam as coisas, um viés para a letargia e o desânimo absoluto, pois isso não leva a lugar algum.

Pode-se até dizer que grande parte do discurso conservador atual acaba sendo um motivador para a letargia. Algo como “não há mais o que fazer, acabou-se”. Eu diria até mais. Poderíamos dizer que muitos conservadores hoje são apologistas da depressão. E sabemos que pessoas em depressão nada fazem para sair de sua situação atual.

O que proponho é uma mudança de paradigma, na qual elementos como constatação da situação atual, e consequente preocupação com o estado das coisas, não sejam LIMITADORES DA AÇÃO. Pelo contrário, devem ser motivadores dela. Seria mais ou menos algo como ouvirmos um conservador lamentando e dizer-lhe: “ok, já ouvi, e o que você vai fazer a respeito?”.

Se alguns acham que não há nada a fazer, mostro que a Internet é um mar de opções. Hoje em dia, muitos letrados frequentam a Internet. E dentre os letrados está a totalidade dos formadores de opinião. E muitos outros tantos seguem estes formadores de opinião.

Desmascarar os esquerdistas em comunidades do Orkut é um começo. Ou então criar um blog denunciando as fraudes intelectuais que eles cometem. Ou mesmo criar um videoblog denunciando farsas como os recentes populismos da imprensa vermelha nos casos Pinheirinho e Cracolândia. São várias opções.

Em cada uma delas, o trabalho a ser feito é o de formiguinha, mas que, se executado por muitos, tem um efeito poderoso.

Acho isso muito mais proveitoso do que ficar escorado na pura lamúria, criando um cenário lúgubre, quando na verdade vemos o começo de uma revolta (ainda que tímida, é verdade) contra o establishment de esquerda.

O mero fato da revista Veja dar espaço ao Reinaldo Azevedo é um sinal positivo. Onde poderíamos esperar tantas chicotadas em esquerdistas publicadas em um meio de larga escala em pleno 2012?

Ou mesmo recentemente vimos a publicação de “A Revolta de Atlas”, de Ayn Rand. Tudo bem que autora era libertária e há problemas no embate entre libertários e conservadores, mas o que importa são os chutes nos fundilhos esquerdistas praticados por ela. E não são poucos. (Aliás, o livro já chegou a alcançar recentemente o status de mais vendido da lista de ficção da Fnac)

Isso significa que existe uma DEMANDA por ação anti-esquerdista. E essa ação devia partir de muitos que hoje gastam seu tempo dizendo “Não é justo”, ou “Que triste o estado em que estamos”, mas sem atuação nenhuma em relação a isso.

Por onde começar?

Você não tem muito tempo disponível? Então, faça um retweet deste texto. Achou algum texto bom de refutação à esquerda aqui ou em qualquer outro blog, divulgue-o a toda sua lista de contatos.

Já tem um pouquinho a mais de tempo sobrando? Encontre o primeiro esquerdista capitalizando no Orkut e, se não tiver visto ninguém desmoralizá-lo, faça-o.

Você resolveu dedicar uma parcela considerável de seu tempo para sua ação política? Crie um blog ou, vá lá, uma comunidade no Orkut e estabeleça uma rotina de ação.

Eu mostrei exemplos de ação até mesmo para os que não tem tempo de sobra.

Portanto, não há mais motivos para ficar só na rotina diária de “oh, céus, ó, vida”.

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7 COMMENTS

  1. O perigoso desse discurso é que ele, como o humanismo, promete uma possível solução.
    Refutar e desmascarar não significa solucionar – e você como cético deve saber disso.

    Se você acha que o Brasil tem jeito, ok, bom pra você. Uma de suas maiores referências, o Olavão, discorda. Eu também. Lógico que não estamos decretando nada, há a possibilidade de mudança.

    E estar ciente da derrota não é ser depressivo, é ser honesto consigo próprio. Como diria o Yuri:

    “Será que perceberão o óbvio, que o ser humano é ruim?”

    Cuidado, Luciano, para não cair no jogo do “conservadores do mundo uni-vos”. É assim que a verdade começa a ir pro ralo da história…

    • Euclides,

      Eu não vejo solução para o mundo. Aliás, não há como confiar no ser humano. Essa é uma das premissas minhas.

      Mas vejo como possível dificultar a vida dos esquerdistas.

      Eu sempre tenho escrito aqui que o desmascaramento dos esquerdistas não implica em abdicarmos da verdade.

      • Mas vencê-los implica…
        Contra gente que inventa, distorce, manipula (quando não chega a agredir fisicamente ou matar), como a verdade pode surtir efeito?
        Há debate de idéias com bandido? Você argumenta com uma pessoa que está apontando uma arma na sua cara dizendo estar certa?

        Enfim, eu entendo o que você quer dizer e já disse mais de uma vez aqui que considero a sua disposição importante. Mas não achei pertinente o tom “utilitarista” desse post.

        Valendo-me de uma premissa do cristianismo: “E a verdade VOS libertará.”.
        Veja, libertará a cada um que aceitá-la e não àquele cuja verdade esfregamos na cara. A salvação é individual no cristianismo. Deus só pede que a palavra seja espalhada, não garante que uma vez espalhada todos a aceitarão e o mundo ficará melhor.
        E estou me referindo à teologia e não à crença, à religião. Até porque sou ateu agnóstico.

        Enfim, deixando você mais “de saco cheio”, minha crítica é no sentido de não acabar se tornando um ativista, de permitir que cada um aja ou deixe de agir conforme suas próprias perspectivas. Rotular de depressivo, letárgico e coisas do tipo não leva a nada. O contrário também poderia ser feito, chamando blogueiros como você de pró-ativos, crédulos, Pollyannas e por aí vai.

      • Euclides

        Gostei de seus questionamentos e eles implicam uma resposta adequada.

        Mas vencê-los implica… Contra gente que inventa, distorce, manipula (quando não chega a agredir fisicamente ou matar), como a verdade pode surtir efeito? Há debate de idéias com bandido? Você argumenta com uma pessoa que está apontando uma arma na sua cara dizendo estar certa?

        Uma coisa. Nesse cenário que vc falou (e concordo), isso configura aquilo que chamo de Espiral da Bobagem. Falei disso há mais de um ano aqui: http://lucianoayan.com/2010/09/26/um-novo-ceticismo-pt-7-a-espiral-do-silencio-e-a-espiral-da-bobagem/

        Contra esquerdistas, que fazem tudo isso que você falou, não debatemos, mas sim DESMASCARAMOS. A verdade não é lançada para que ele debata contigo, mas para a platéia. Esse é o objetivo de TODAS as iniciativas que defendo aqui: JAMAIS debater com o esquerdista, mas sim falar para a platéia…

        Enfim, eu entendo o que você quer dizer e já disse mais de uma vez aqui que considero a sua disposição importante. Mas não achei pertinente o tom “utilitarista” desse post .. Enfim, deixando você mais “de saco cheio”, minha crítica é no sentido de não acabar se tornando um ativista, de permitir que cada um aja ou deixe de agir conforme suas próprias perspectivas. Rotular de depressivo, letárgico e coisas do tipo não leva a nada. O contrário também poderia ser feito, chamando blogueiros como você de pró-ativos, crédulos, Pollyannas e por aí vai.

        Vou colocar de outra maneira.

        Esse texto meu se refere aos que já AGEM, postando na Internet, contribuindo com conhecimento, etc., mas ao INVÉS de uma ação efetiva de ataque aos esquerdistas, focam mais em reclamação. Teoricamente, meu texto é uma DICA para uma mudança de comportamento, no qual as lamentações são combinadas com AÇÕES.

        Eu posso garantir algo. Eu me sinto muito bem quando desmascaro um esquerdista. Vou aos poucos aumentando meus skills e aprendendo sobre eles.

        Eu não preciso ser crédulo em relação a nada para fazer isso, aliás, o ceticismo defendido aqui é mais AMPLO que o ceticismo tradicional. E posso fazer isso sem nenhuma esperança em relação ao homem. Aliás, a Dinâmica Social me ensinou muito sobre não confiar no ser humano, e isso MELHOROU meus argumentos, pois eles estão sintonizados com o que de melhor o Darwinismo nos ensina.

        É claro que é tua opção achar que a batalha está perdida e nada precisa ser feito. Mas, considerando até como o Darwinismo vê o homo sapiens, essa é uma alternativa que tende a causar mais estresse, pois você é ofendido, e não ofende em retorno. Acho que a postura que defendo é mais darwinisticamente justificável.

        Vou elaborar isso em um texto no futuro…

  2. Euclides,

    Relendo meu texto, concordo que os últimos parágrafos foram muito estilo “Capitão Nascimento”. Eu devia dar a idéia de OPÇÃO e não sair dizendo para todo mundo ir para a net agir.

    Mas deixarei o texto assim, e complemento em um texto futuro.

    • Hahaha…

      Nosso ponto de discórdia acho que é esse: a platéia, em sua maioria, responde a apelo emocional e não à análise lógica, fiel aos fatos. O trabalho de desmascarar gente desonesta acaba surtindo menos efeito do que o joguinho emotivo dos esquerdistas. Considero uma batalha desproporcional. Afinal de contas, se a maioria fosse tão capacitada intelectualmente assim, blogs como o seu não se faziam necessários, dado que poucos cairiam nesse engodo revolucionário.

      Enfim, é complicado porque ao mesmo tempo que é um trabalho de formiguinha, como você disse, é a única chance de mudar alguma coisa. Acho que concordamos que ou a ação começa no microcosmo ou fica quase impossível mudar algo.

  3. Isso quando tais “conservadores” aderem a um comportamento de ira histérica e propoem ao vento e ao léu “medidas” catastróficas, tais como:

    -Os radicais islâmicos tem mais é dominar o Ocidente mesmo e MATAR MESMO feministas, abortistas, pedófilos, gays, comunistas, ateus/agnósticos, praticantes de sexo antes do casamento e demais esquerdistas E simpatizantes. E quem não gostou que vá pra casa do caralho!

    -Tinhamos que separar o SUL do país dessa merda do resto do Brasil, principalmente daquele pessoal nojento do Nordeste.

    -A raça humana é uma bostinha mesmo! Maioria é tudo esquerdista instintivamente! Merecia ser tudo assassinado como os chineses TENTARAM fazer com o maoístas antes destes tomarem o poder !Infelizmente, como disse Chiang Kai-Shenk, não haveriam balas para todo mundo.

    -O povo brasileiro é muito desgraçado mesmo viu? Eles mereciam uma ditadura BEM RUIM, que MATASSE ELES MESMO, aí quem sabe esse povo de merda não aprendia a lição?

    -Tinha de haver O RETORNO DE UMA MONARQUIA CENTRALISTA COM CONTROLE TOTAL DE SEUS SÚDITOS.

    -Bem que a Klu Klux Klan podia ser reestabelecida para dar conta destes negros animais!

    -Não só os muçulmanos, mas os JUDEUS também tem complôs revolucionários contra o Ocidente, tanto seculares quanto religiosos!

    E por aí vai. Não, eu NÃO inventei NADA das coisas aí acima. As essencias dessas bravatas acima podem ser encontradas nas discussões de certos leitores do Mídia Sem Máscara e em sites como o DEXTRA (que depois virou VERA dextra, depois OVER dextra e depois, pelo que eu saiba, sumiu). No caso dos comentaristas esquizofrênicos do MSM, a situação chega aos extremos de, por exemplo, fazer com que Heitor De Paola NÃO permita comentários em seus textos. Isso sem falar das briguinhas diretas entre católicos e protestantes que ocorrem com frequência nos textos do Nivaldo Cordeiro. Aliás, para quem tiver dúvida de que eu não estou inventando (O que, eu reconheço, é justo pelo fato de ser uma acusação de gravidade relevante) bastam ler o recente “União AnticristãxDesunião Cristã” lá no próprio site do MSM e chorar com as picuinhas dos comentaristas em geral.

    E quanto ao texto aqui, vou ser bem franco: faço parte dessa luta comum entre nós NÃO com a perspectiva de “vitória”, mas simplesmente para NÃO COLABORAR com todo o esquema prometeíco revolucionário em suas diversas ramificações do passado, presente e,NÃO SE ILUDAM COM RELAÇÃO A ISSO, futuro. É uma questão “meramente” – se não for incorreto a adjetivização que estou dando aqui – MORAL, que não visa loas públicas, rios de dinheiro, fama e segurança social chique, entre outras metas patéticas não em essencia mas em sua busca restrita.

    Isso significaria que, no fundo, eu não creio em uma “vitória conservadora” ou mesmo “vitória conservadora-liberal” ou até em uma “vitória conservadora-liberal-libertária” ou inclusive em uma “vitória conservadora-liberal-libertária-reacionária” ou por fim na “vitória conservadora-liberal-libertária-reacionária-retrógrada”? Não, não é essa a questão! A tal “vitória” é – RECONHEÇAMOS – MUITO DIFÍCIL (mesmo com a junção de TUDO que seja autentica ou mesmo supostamente anti-revolucionário que exista – e por isso que eu citei tantas junções acima SÓ para dara uma idéia…), mas NÃO impossível. O problema, ao meu ver, seria o “day after” da “conquista direitista”. Confesso que eu NÃO TENHO (muita) confiança geral em um corpo majoritário de conservadores em algum cargo governamental qualquer, ainda mais quando se vê mesclado nesse grupo os “chorões” do texto do Luciano, os “histéricos”, os “de meia-tigela” (“conservadores” que só se definem assim em teoria, mas na prática… ex.: militantes “conservadores” do PSDB…) e os prudentes sob igual medida (e isso porque estou tentando ser justo na “repartição de proporções” de aderentes do grupo). É ÓBVIO que mesmo em círculos conservadores há desavenças e brigas FEIAS, e muitas delas desnecessárias – assim como em círculos esquerdistas. Acontece que, no caso dos últimos, até as desavenças entre eles a curto e mesmo médio prazo são LUCROS, em especial quando estão no poder (a longo prazo, porém, é prejuízo, e infelizmente não só para eles…). Já no caso conservador, tais divisões só se justificam a LONGO prazo SE conservadores adquirem o poder E o mantêm. E é claro que tentar um clima forçado de “vamos-ser-todos-amigos” entre grupos conservadores (não esquecendo seus aliados mais próximos) com idéia peculiares E dispares é um ganho a curto, mas perda a MÉDIO e LONGO prazo. Com tudo isso – e mais -, volto a repetir: uma “grande vitória conservadora (e congêneres)” NÃO É IMPOSSÍVEL, mas MUITO DIFÍCIL. É dureza! Tanto é assim que é mais fácil vermos vitórias MOMENTÂNEAS de movimentos anti-revolucionários em questões separadas por tempo limitado – mesmo na “mídia chique” pululam casos assim, ainda que sob viés deturpado (exemplo recente: o bafafá que o atual governo conservador da Hungria anda procando) do que vitórias acachapantes e DURADOURAS em questões de fato decisivas.

    Nada disso é otimista – E FAÇO QUESTÃO QUE ASSIM NÃO O SEJA. Mas também não é algo pessimista (no sentido pleno dessa palavra) ou mesmo cinicamente “realista”. São apenas fatos tais quais eu os compreendo aqui – e obviamente eu posso estar bem enganado. E mesmo sob tal perspectiva eu continuo ou aqui ou, por enquanto, em minhas pesquisas. Nada disso talvez trará algum ganho para mim, mas certamente (assim espero!) nada disso trará um lucro proveitoso SEQUER para “eles”. Isso talvez já seja alguma coisa não? E talvez – talvez! – esse seja o tipo de coisa que tais “choramingões” da direita tinham de ter em mente aoinvés de ficar se lamuriando pelos cantos.

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