Estratégia de Esquerda: Simulação de Falso Entendimento

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Imagine uma situação na qual todos os debates em que alguém participa são ganhos, a priori, desde que o oponente não perceba uma estratégia em execução.

O padrão desta estratégia atende ao seguinte objetivo: fingir entender errado tudo que o oponente afirmar, desde que esse entendimento permita a capitalização política.

Em outros termos, seria uma variação da falácia do espantalho, mas ao invés de um erro de raciocínio, como na falácia, esta é uma estratégia que pode perdurar pelo resto da vida. Ou seja, mesmo que você diga ao esquerdista que o entendimento dele é errado, ele continuará “entendendo” errado o que você está dizendo.

O entendimento é selecionado não de acordo com o que você está afirmando, mas em relação à agenda particular dele.

Como exemplo, veja esta notícia do site ultra-neo ateísta Paulopes:

Desde que questionou judicialmente a presença de um banner de oração em sua escola, em uma pequena cidade americana, Jessica Ahlquist, 16, sofre na internet uma campanha de linchamento moral, que em alguns momentos ameaçou ter consequências de agressão física.

O cientista Lawrence Krauss usou esse caso, entre outros, para afirmar em um artigo no jornal inglês The Guardian que, em prol de uma convivência pacífica, os religiosos têm de aprender a respeitar os questionamentos dos céticos.

Krauss observou que, entre as mudanças da sociedade das últimas décadas, estão o fortalecimento do secularismo e as novas descobertas da ciência sobre o universo, e a consequência disso é que cada vez mais haverá divergências filosóficas e religiosas no espaço público.

Por isso, escreveu, os religiosos têm de compreender que não podem se ofender diante de “uma mera sugestão de que Deus pode não existir”.

Ele é diretor do Projeto Origens, da Universidade do Estado do Arizona (EUA), e autor de livros sobre física e origens da vida.

Como cientista, afirmou, está treinado para ser cético em relação a tudo, como a existência de uma divindade. “É lamentável que esse ceticismo seja considerado por muitos como um ataque não só as suas crenças, mas também aos seus valores.”

Também lamentou que a ciência seja tida por religiosos como um instrumento a serviço do ateísmo. Ele teme que, por causa desse preconceito, a ciência possa ser carimbada como não confiável, criando-se maior distanciamento entre ela e a sociedade.

Krauss disse que a ciência, por ser neutra, não tem inimigos. Se os fiéis não reconhecerem isso, afirmou, tenderá a se aprofundar a tensão entre eles e os céticos, que são questionadores por natureza.

Observe que na defesa de Laurence Krauss, ele mente três vezes. (E cada uma dessas mentiras é repetida à exaustão)

Vamos aos fatos. A neo ateísta Jessica Ahlquist pediu a proibição de um banner que continha uma oração em uma escola de tradição cristã. E por isso foi ofendida em retorno. Eu já mostrei aqui no passado que Jessica fez um avanço territorial em guerra cultural, e a reação de revolta do outro lado é natural.

Entretanto, Krauss fala que a reação dos religiosos seria a ausência de “respeito aos questionamento dos céticos”. Nada mais falso. A revolta dos cristãos não foi pelo “questionamento”, mas por um ato de proibição de uma manifestação de um grupo. Essa foi a primeira mentira.

Por isso, escreveu, os religiosos têm de compreender que não podem se ofender diante de “uma mera sugestão de que Deus pode não existir”. Essa foi a segunda mentira, pois não existiu a ofensa em relação a “sugestão de não existência de Deus”, mas sim quanto a proibição de um banner.

Ele também usa o truque do “Cético universal”, que dá brecha para a terceira mentira, quando ele lamenta que a ciência seja tida por religiosos como um instrumento a serviço do ateísmo. Na verdade, são os neo ateus que afirmam serem “da ciência”, e os religiosos têm gastado muito tempo dizendo que não são contra a ciência e sim contra o neo ateísmo.

Essa mentira é conveniente para Krauss, pois ao fingir que seu oponente está “contra a ciência” (ao invés de contra o neo ateísmo), ele implantaria na mente da platéia a idéia que seu oponente é o “malvado” e ele o “bonzinho”. (A mente da platéia tende a pensar de forma justificada que “ciência é boa”, e com a execução da estratégia de Krauss pode reconhecer alguém que seja contra a “ciência” como alguém fora do debate a priori…)

Esse padrão do comportamento neo ateu é visto em todas as vezes em que debatemos com os esquerdistas. Quer dizer, independente do que você afirmar, ele vai SIMULAR um entendimento que for adequado à agenda dele.

Em um post sobre debates com gayzistas, também apontei várias tentativas deles de falso entendimento simulado. Abaixo, uma auto-citação:

Quando eu digo que os gays “não deveriam forçar o seu comportamento como normativo”, eles me dizem: “Por que você quer proibir a homossexualidade”? Para variar, não há texto algum onde eu peça a proibição à homossexualidade.

Quando eu digo que gays não deveriam ir no meio de casais heterossexuais “se beijarem” por exibição ou tentarem se incomodar se os assuntos falados são de homem ou mulher (como no exemplo da confraternização de empresa, que citei), respeitando os limites de cada um, eles me dizem: “Quer dizer que você tolera os gays desde que eles não ajam como gays?”. Isso mesmo que eu tenha afirmado que o gay pode fazer o que quiser em sua vida privada. Importante adendo: o falecido Clodovil lutava pelo direito dos gays poderem ficar em paz, os gayzistas lutam pelo direito de não deixarem os outros em paz. Quer dizer, se alguém ficar incomodado ao ver gays se esfregando ao seu lado, vão te infernizar até o fim dos seus dias pelo fato de você ter se incomodado. É contra esse tipo de patrulha gayzista que me posiciono, não em relação a eles serem gays.

Quando eu afirmo vários motivos, DENTRE ELES o benefício evolutivo do comportamento heterossexual (o qual é benéfico em todos os aspectos, portanto não precisa ser negado), eles surgem com: “O Luciano apresenta com o único motivo para a relação sexual a procriação! Ele é eugenista! Filhote de Hitler!” (É sério, já escreveram algo do tipo, e foi o tal de John Thomas, na caixa de comentários)

Quando eu digo que se marketeiros dizem que “casais gays são família nos mesmos moldes que a família tradicional” estão tentando impor um estilo de vida como normativo, eles dirão: “Você não quer dar o direito de gays constituirem família?”. Aliás, se quiserem adotar crianças e se “casarem”, simulando um casamento real, tudo bem, mas não queiram me enrolar e que eu ensine isso aos meus filhos como padrão normativo.

Quando eu digo que não vou mais comprar a pomada Nebacetin, pois ela lançou uma propaganda em que defende o “casal gay, com filhos adotados, como normativo”, dirão “Você quer censurar o direito aos gays terem filhos! Você quer censurar a propaganda!”. Isso tudo mesmo que eu não tenha pedido a proibição deles adotarem filhos e nem pedido a censura da propaganda. Apenas não gosto que isso seja ensinado como normativo aos meus filhos, e tenho o direito de não comprar o que eu quiser. É o meu direito à liberdade de consciência.

Creio que fui até pouco ambicioso neste mapeamento ao afirmar que “a regra acima vale para TUDO que um conservador escrever a respeito do assunto gayzismo. TUDO, sem exceção, será entendido não de acordo com o que você diz, mas de acordo com um programa padrão que os esquerdistas executam.”

Na verdade, a regra vale para TUDO que um conservador escrever a respeito de QUALQUER ASSUNTO debatido com esquerdistas.

Como regra (caso tenha oportunidade), recomendo que você cheque o ENTENDIMENTO do esquerdista a respeito de tudo que escrever. Aí será possível que você tire as dúvidas em relação ao fato desta estratégia ser executada ou não.

Também é importante notar que existe a possibilidade do ERRO, e já tratei isso em um texto antigo, “Como Identificar um Fraudador Intelectual”. Neste caso, basta fazer uma retificação PÚBLICA do erro cometido no entendimento.

Se o esquerdista, mesmo após o erro de entendimento ser corrigido, continuar “entendendo” errado o que você está afirmando, a suspeita da execução desta estratégia torna-se uma certeza.

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