A ilusão do esquerdismo moderado

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Existem duas formas de se avaliar a religião política (esquerda): o modelo fundamentalista e sua versão “moderada”.

Na versão fundamentalista, os cânones da doutrina são seguidos a risca.

No caso dos marxistas, eles vivem em guerra contra os “burgueses” e lutariam dia e noite pela ditadura do proletariado, da forma mais violenta quanto possível. No caso dos social democratas, eles nada mais são do que uma versão “moderada” dos marxistas. No caso dos neo ateus, o seu primeiro autor (Sam Harris) é bastante explícito que os islâmicos devem ser bombardeados por causa de sua doutrina e que um governo global deve ser implementado para “salvar” o mundo”.

Seguir as doutrinas da religião política não só torna difícil a convivência dos esquerdistas em termos sociais muito difícil para o mundo atual, como também os coloca em situação ridícula várias vezes. Outro problema do esquerdismo fundamentalista é que alguns deles, em especial os marxistas, teriam que destruir até seus líderes, que enriquecem por causa de sua crença. (ver Beneficiários e Funcionais)

Imagine se a cada 3 meses tivesse que existir uma revolução em Cuba, só pelo fato de que os líderes que tomaram o poder enriqueceram após chegar lá. É claro que uma sociedade assim não se sustentaria, entrando em colapso, e por isso até o marxismo em Cuba hoje tem que adotado em uma versão “moderada”. Isso, é claro, depois que o barbudo tomou o poder por lá.

Isso nos leva a uma sociedade em que o esquerdismo hoje é aceito normalmente e chegamos até a tratar um marxista que anda com camisa do Che Guevara como uma pessoa normal. Ele muitas vezes adota uma versão moderada de seu marxismo para conviver em sociedade. Há um amigo meu que é marxista e trabalha como gerente em uma empresa de TI. Ao invés de estar incitando uma guerra para a tomada da empresa e distribuição da propriedade aos “pobres” (transferência dos meios de produção para os pobres), ele adota uma visão “moderada” e consegue trabalhar.

A única razão pela qual ele adota um esquerdismo moderado é pelo fato de que sua vida seria muito complicada caso ele adotasse a versão fundamentalista de sua crença.

Isso nos leva a um dilema: será que o esquerdismo moderado é uma posição razoável considerando tudo que já aprendemos sobre as consequências das idéias esquerdistas implementadas à risca, desde os tempos das pessoas guilhotinadas em série na Revolução Francesa?

Alguns poderiam dizer que os norte-americanos, com seu progressismo água com açúcar, não são tão totalitários quanto os marxistas russos e chineses. Capaz, mas isso é apenas uma versão moderada por conveniência. Como já disse, é um recurso para tornar a vida do esquerdista menos complicada e sua postura mais aceitável para os oponentes.

Outros poderiam dizer que os humanistas seculares, com sua luta por “promover a empatia universal”, não seriam tão totalitários quanto os positivistas e humanistas que apoiaram o Massacre da Vendéia, na França dos jacobinos. Mas, assim como no exemplo anterior, esta postura somente mostra uma tentativa de criar uma versão “light” da crença, para garantir a aceitação deles perante os oponentes.

Nos dois casos, podemos até suspeitar de que estão tentando enganar os oponentes por sua “moderação” simulada.

Porém, o grande problema com a religião política moderada é que ela não nos fornece nenhuma proteção contra o extremismo esquerdista e a violência totalitária, quando o esquerdismo finalmente for implementado com sucesso e o ganho político da crença esquerdista finalmente for obtido.

Hoje em dia, um humanista poderá dizer que o mundo “será empático, de paz e prosperidade, mas tire os religiosos da frente”, mas em uma situação de colapso econômicos, em níveis continentais, quando for necessário um expurgo de pessoas, se a criação de rancor contra os religiosos estiver nesse caminho o destino dos cristãos não será muito diferente do que ocorreu com os judeus no Holocausto Nazista. Ou seja, idéias de esquerda, que sempre dependem do apontamento de bodes expiatórios, tendem a ser pagas com sangue no futuro. E geralmente é o sangue dos bodes expiatórios apontados pelos esquerdistas.

Outro motivo para duvidarmos do esquerdismo moderado é o Occupy Wall Street. Como já disse, o progressismo norte-americano aparenta ser uma doutrina de “paz e tolerância, com ênfase nas minorias, nos gays e no direito ao aborto”, mas eles sempre trabalham definindo bodes expiatórios. O Partido Democrata é essencialmente progressista e… quando surgiu o movimento Occupy Wall Street, focado em baderna, pregando o “fim do capitalismo” e até criando a cultura dos hackers Anonymous (algo criminoso em essencia), vemos que o socialismo mais radical estava lá, sendo gerado na barriga dos progressistas “moderados”. Até Obama acabou reconhecendo o Occupy Wall Street como algo legítimo.

Isso nos prova que esquerdismo moderado é uma ilusão. O esquerdismo só é praticado de forma moderada para facilitar o convívio de esquerdistas junto aos não-esquerdistas, e para evitar que os oponentes do esquerdismo percebam o que está por vir.

O esquerdismo puro, por seu framework (*), é essencialmente totalitário e genocida. Muitos, no entanto, seguem uma versão “light” do esquerdismo para conviverem em sociedade e não atraírem muita atenção dos oponentes do esquerdismo.Tudo isso gera um conflito na mente de alguns direitistas, olhando para os esquerdistas como “ele é esquerdista, mas é meu amigo, pois é moderado”. Ele poderá até dizer: “olha, ele nem cospe na minha cara por eu ser cristão”. O grande problema é que essa versão light serve como fachada para o esquerdismo radical, que é aquele a ser praticado quando a tomada do poder acontece. Por isso, os esquerdistas moderados seriam como “lobos em pele de cordeiro”, mesmo que sejam sinceros em sua crença. (Até por que o processo de formação destas turbas é feito pelos beneficiários, e os funcionais apenas seguem, com um ardor sincero pelos ideais)

A conclusão a que podemos chegar é a seguinte: não importa o nível de moderação do esquerdista, a refutação e o desmascaramento deve ser o mesmo. Aliás, o próprio esquerdismo moderado é essencialmente perigoso pois muitas vezes ele é de difícil detecção.

O preço da liberdade é a eterna vigilância em relação aos esquerdistas. E, em relação ao esquerdismo moderado, a vigilância deve ser maior ainda.

(*) Segue o framework, para não esquecermos:

  • 1) Projeção de paraíso em Terra
  • 2) Simulação de que se pertence ao grupo que criará este paraíso
  • 3) Definição de bodes expiatórios (que seriam aqueles que não deixam o paraíso ocorrer)
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4 COMMENTS

  1. Esta aqui é para “abrir o olho” não somente dos esquerdas “calminhos”, mas também dos *** ateus que não se opõem com firmeza à sandice dos neo-ateus *** — se e quando acontecer a ditadura em escala global, os esquerdinhas serão os primeiros na lista dos “inúteis”, e os ateus que “consentiram em silêncio” serão tachados de “covardes” e “traidores” 😉

  2. Olá Luciano, seu Blog é realmente muito bom.
    Acho muitíssimo interessante a forma como você é capaz de refutar os diferentes discursos vigentes hoje em dia, sejam eles de cunho neo-ateísta, esquerdista, revolucionário, anti-cristão e etc.
    Você tem dado uma contribuição valiosa sobretudo para os cristãos, como eu, que são notadamente atacados e perseguidos de maneira impiedosa nos dias de hoje.
    Seu Blog tem prestado um serviço primoroso.
    Obrigado pela ajuda e parabéns pelo trabalho.

  3. Ayan, dê uma olhada nesta matéria, em que se diferencia o tratamento de Jesus e de Maomé:

    http://adventismoemfoco.wordpress.com/2012/03/06/bbc-confessa-zombaremos-de-jesus-mas-nunca-de-maome/

    BBC confessa: Zombaremos de Jesus, mas nunca de Maomé

    Posted on março 6, 2012 by IASD

    O chefe da BBC, Mark Thompson, admitiu que a rede de televisão britânica nunca zombaria de Maomé como zomba de Jesus.

    Ele justificou a chocante confissão de preconceito religioso ao sugerir que zombar de Maomé poderia ter a “força emocional” de “pornografia infantil grotesca” [atraindo muita revolta e fúria do público].

    Mas Jesus é alvo fácil de zombarias, sem maiores consequências, porque, ele disse, o Cristianismo tolera tudo e tem poucos laços com etnia.

    Preconceito

    O sr. Thompson diz que a BBC nunca teria transmitido Jerry Springer The Opera — um polêmico musical que zombou de Jesus — se seu alvo tivesse sido Maomé.

    Ele fez as declarações numa entrevista para um projeto de pesquisa na Universidade de Oxford.

    O sr. Thompson disse: “A questão é que para um muçulmano, uma representação teatral, particularmente uma representação cômica ou humilhante, do profeta Maomé pode ter a força emocional de uma peça de pornografia infantil grotesca”.

    Insultos

    Um representante da BBC não estava disponível para comentar.

    No ano passado o ex-âncora de notícias da BBC Peter Sissons disse que os cristãos são “alvo fácil de zombarias e insultos”, sem maiores consequências, na empresa, enquanto ao mesmo tempo é proibido ofender muçulmanos.

    O sr. Sissons, cujas memórias foram publicadas em série no Daily Mail, disse: “O islamismo não deve ser ofendido a qualquer preço, porém os cristãos são alvo fácil de zombarias e insultos porque eles não fazem nada para se defender quando são ofendidos”.

    O ex-apresentador também disse que os funcionários têm suas carreiras prejudicadas se eles não seguem a mentalidade da BBC.

    Traduzido por Eliseu P. L. J. do artigo de The Christian Institute: We’ll mock Jesus but not Mohammed, says BBC boss

    Fonte: http://www.juliosevero.com

  4. Ondem no jornal da Band eu ouvi o termo “conservadores de esquerda” em uma matéria que não estava prestando muita atenção, que diabo de monstro híbrido é isso?

    E exatamente como previ, esses “conservadores de esquerda” eram nada mais nada menos que cristãos fracos engambelados pelo discurso utópico,”lindinho” e marxista…

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