Para ser conservador é necessário possuir tanta fé quanto para ser esquerdista?

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Um forista do Orkut, Cotrim, tentou partir para um desafio. Que beleza, gosto de desafios.

Eu havia dito o seguinte:”Você crê em socialismo, correto?”. Resposta dele: “Claro, certamente com a mesma fé que você defende o capitalismo laissez-faire”.

Ao esquerdista só posso dizer: foi uma tentativa, reconheço, mas não passou disso. A tentativa, no caso, é a de tentar imputar ao oponente de debate a mesma fé que ele possuia.

O fato é que a expressão “fé” virou uma marca maldita depois da rotina “Dono da razão”, criada nos tempos do Iluminismo. E, como os esquerdistas possuem crença no homem, tentam dizer ao conservador: “Mas você possui fé na opção oposta, o capitalismo”.

Isso é uma inverdade completa, mesmo que eu reconheça que muitos conservadores são religiosos. A maioria deles, eu diria. Isso é explicado pelo fato de que o ser humano tende à religião. Senão uma religião tradicional, uma religião política.

Seja lá como for, em relação às ideologias políticas, a fé é um atributo essencialmente esquerdista, enquanto que ao conservador resta o ceticismo.

Explicando melhor: para optar pelo capitalismo, basta duvidarmos do poder dado aos detentores do estado inchado. Ou seja, duvidamos do ser humano, portanto duvidamos da crença que propõe ser ideal dar-lhes o poder absoluto, que na quase totalidade dos casos só pode ser obtido através do estado inchado.

Outra forma de obtenção de poder absoluto seria o monopólio absoluto de uma empresa em um país, com capacidade inclusive legislativa sobre os demais. Entretanto, isso é bastante raro, e com pequenas regulações governamentais (surgidas a partir de demanda da população) tal problema poderia ser evitado.

Por isso, o capitalista opta por um sistema onde existem dois poderes, o poder econômico (dos grandes empresários) e o poder do estado (daqueles que tomam conta do estado). O balanceamento entre esses dois poderes reduz as chances de um grupo específico assumir o poder absoluto perante a população.

Resumo: para ser capitalista, basta não crer nem no estado, nem nos empresários. Não é preciso de fé de qualquer tipo para isso, basta assumir um ceticismo facilmente justificável.

Com o socialismo, a situação está no extremo oposto, pois temos a situação em que o estado assume tamanho poder que seus detentores obtem o poder absoluto. Não há dois poderes, mas um só. O detalhe é que para aceitar que um grupo assuma esse poder não por interesse, mas por vontade de gerar o “bem de todos”, é preciso de uma fé hercúlea, facilmente ridicularizável.

Portanto, a fé no homem que o esquerdista precisa para poder continuar acreditando no socialismo é totalmente diferente do ceticismo sadio que o capitalista precisa para duvidar do ato de dar poder absoluto ao homem.

E por que esse ceticismo é sadio? Simples. Basta lembrarmos de nossas mães, quando nos diziam na infância: “cuidado com os estranhos…”.

Nesse ponto, a realidade sempre nos mostrou que nossas mães estão certíssimas.

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