A Arte da Guerra Política – II – Os princípios

Aqui estão os princípios da guerra política que a esquerda compreende, mas os conservadores não:

  1. Política é guerra conduzida por outros meios
  2. Política é guerra de posição
  3. Na guerra política, o agressor geralmente prevalece
  4. Posição é definida por medo e esperança
  5. As armas da política são símbolos que evocam medo e esperança
  6. A vitória fica do lado do povo

Primeiro, uma ressalva. A política é contextual: não espere aplicar as regras de forma rígida e obter sucesso. Se é verdade que o agressor geralmente prevalece, há momentos em que isso não vai acontecer, e é importante reconhecer estes momentos. Se política é guerra, também é verdade que uma mentalidade de guerra produz uma atmosfera de hipocrisia e auto-censura. Para ser eficaz, você precisa se levar a sério e trazer soluções ao mesmo tempo. Se política é guerra, também é uma combinação de blackjack, jogo de dados e poker. Politicamente, é melhor ser visto como um pacificador do que um fomentador de guerras [1]. Mas nem sempre isso é possível. Se forçado a lutar, então lute para vencer.

I.     Política é guerra conduzida por outros meios

Na guerra política você não luta somente para fazer seu argumento prevalecer, mas para destruir a habilidade de combate de seu inimigo. Os Republicanos geralmente tratam os combates políticos como se estivessem indo debater na União Política de Oxford, como se a vitória dependesse de argumentos racionais e princípios cuidadosamente articulados no decorrer do discurso. Mas a audiência da política não é feita de fidalgos de Oxford, e as regras são completamente diferentes [2].

Você tem apenas trinta segundos para estabelecer o seu ponto. E mesmo que tenha tempo para desenvolver um argumento, a audiência que você precisa alcançar (os indecisos, assim como aqueles que ficam pelo “meio do caminho”, e que não estão prestando muita atenção) não irá absorvê-lo. Suas palavras passarão por cima de suas cabeças e o resto nem sequer irá ouvi-lo (ou se o fizerem, rapidamente o esquecerão), pois estão envolvidos pela pressão e correria do dia-a-dia. Pior, enquanto você está desenvolvendo o seu argumento o outro lado já te pintou como um racista extremista e mesquinho, que com certeza está representando a elite, além de ser controlado por fanáticos religiosos. Ninguém que o perceber desta maneira irá ouvi-lo de qualquer forma. Neste caso, você está politicamente morto.

Política é guerra. Não se esqueça disso.

II.      Política é guerra de posição

Na guerra existem dois lados: amigos e inimigos. Sua tarefa é definir você próprio como o amigo de um eleitorado tão grande quanto possível que seja compatível com seus princípios, enquanto define o seu oponente como o inimigo sempre que conseguir. O ato da definição de combatentes é análogo ao conceito militar da escolha do território da batalha. Mas tome cuidado. A política americana ocorre em um cenário pluralístico, onde o eleitorado é diversificado e geralmente em conflito [3]. “Justiça” e “tolerância” são as regras formais do compromisso democrático. Se você aparentar ser um egoísta ou alguém excessivamente crítico, seu oponente irá defini-lo de forma mais fácil como uma ameaça, e portanto “o inimigo” (ver o princípio 4).

III.   Na guerra política, o agressor geralmente prevalece

Os republicanos normalmente atuam com base em uma estratégia conservadora de esperar pelo ataque vindo do outro lado. No futebol, isto é conhecido como “defesa preventiva”. Na política, é a estratégia dos perdedores.

Agressão é geralmente vantajosa pois política é uma guerra de posição, que é definida pelas imagens que ficam. Ao atacar primeiro, você pode definir os termos do debate assim como definir o seu adversário. Definir a oposição é a jogada decisiva em toda a guerra política. Outros aspectos sendo igualados, aquele que estiver na defensiva geralmente perde. [4]

Ao atacar o seu oponente, tenha certeza de fazê-lo efetivamente. “Ir para o ataque” aumenta o risco de você mesmo ser definido como um inimigo. Portanto, há uma chance disso ser contraprodutivo. Fugir da agressão, entretanto, pode incorrer em um risco ainda maior. Na última eleição para senador da California, Barbara Boxer – uma das Democratas mais radicais à esquerda (de fato, a gastadora número 1 no congresso inteiro) – duelou com um republicano brando e moderado. Matt Fong era tão moderado que conseguiu obter apoio dos principais jornais da esquerda – o Los Angeles Times e o San Francisco Chronicle (a primeira vez que eles apoiaram um Republicano em uma disputa estadual desde os anos 60) – e estava a frente nas pesquisas. Como resultado, Boxer resolveu definir a si própria como moderada e Fong como extremista. O publico americano favorece o centro [5]. A decisão de evitar o ataque não livrou Matt Fong de ser definido pelo seu oponente como um extremista. Mas custou sua eleição. Nunca diga “nunca” em batalhas políticas. É uma arte, não uma ciência.

IV.   Posição é definida por medo e esperança

As emoções gêmeas da política são medo e esperança. Aqueles que fornecem esperança ao povo tornam-se seus amigos; aqueles que inspiram medo se tornam inimigos. Dos dois, esperança é a melhor escolha. Ao oferecer ao povo esperança e a si próprio como o fornecedor desta esperança, você mostra o seu melhor lado e maximiza seu potencial apoio. [6]

Mas o medo é uma ferramenta poderosa e indispensável. Se o seu oponente o define de forma negativa o suficiente, ele irá diminuir sua habilidade de oferecer esperança. Este é o motivo pelo qual os Democratas são tão determinados em pintar os Republicanos como elitistas e hostis às minorias, à classe média e aos pobres.

A campanha de difamação contra Clarence Thomas, por exemplo, foi projetada para contaminar todos os negros Republicanos. Foi um aviso para outros negros que pensassem sair de baixo das asas dos Democratas. Sem o seu eleitorado negro cativo – o símbolo mais poderoso da preocupação deles com os vitimados – os Democratas estariam mortos nas pesquisas. Eles perderiam todo e qualquer centro urbano e se tornariam uma minoria política permanente. Os Democratas exploram sua imagem como o partido dos negros para estigmatizar os Republicanos como o partido dos racistas. O sucesso destas táticas significa que como Republicano você pode ter muito a oferecer aos afro-americanos e outras minorias, mas terá que realizar um trabalho extraordinário para ser ouvido.

Os Democratas conseguiram associar com sucesso a Direita Religiosa com intolerância moralista. Nisso, eles foram auxiliados por pronunciamentos intolerantes de líderes religiosos e por grupos políticos com nomes politicamente tóxicos como “Maioria Moral” e a “Coalizão Cristã”. Como resultado, é fácil para os esquerdistas os apontarem como uma ameaça para qualquer eleitorado que não compartilhe dos valores religiosos: “Os religiosos irão impor a moral deles a você” [7]. Não importa se isso é verdade ou não. Uma vez que uma imagem negativa se apoderou, o alvo está machucado – normalmente de forma mortal – na batalha política.

Para combater esta forma de ataque, é importante atuar afastado desta imagem negativa que seu oponente quer impor em você. Se você perceber que está para ser atacado como se fosse um moralista autoritário, é uma boa ideia atuar com uma posição que é inclusiva e tolerante. Se você está para ser classificado como avarento e egoísta, é uma boa ideia colocar um sorriso no rosto e demonstrar atos de generosidade e caridade. Isso irá fornecer um escudo contra o ataque. Quando Clinton assinou o projeto de lei de reforma da previdência, ele garantiu que estivessem ao seu lado duas mães de bem-estar.

Os símbolos são tão poderosos que se você os manipulá-los de forma inteligente, como fazem os Democratas, pode até lançar ataques ofensivos aos seus oponentes e fingir compassividade ao mesmo tempo. Os Democratas entendem, por exemplo, que quando eles se auto-rotulam como vítimas adquirem licença para atacar. Um político gay como Barney Frank pode atacar um oponente e chamar isso de auto-defesa. A esposa do presidente pode lançar proclamações no estilo McCarthy a respeito de uma “grande conspiração de direita” e sair ilesa pois é uma mulher e a primeira dama, além do fato dela possuir aliados como James Carville e Sidney Blumenthal, que irão fazer sua agressão aparentar auto-defesa. Da mesma forma, os Democratas dependem de extremistas negros como Maxine Waters [8] para caluniar os Republicanos chamando-os de racistas.

Mas lembre-se disso: utilizar o medo como arma pode ser perigoso. Os inimigos inspiram medo; os amigos não. Este é o motivo pelo qual Clinton deixa seus suplentes fazerem o trabalho sujo. Quando e como usar o medo é uma arte política. Se você é um branco em uma cultura cujos símbolos foram definidos pelos esquerdistas, tome cuidado quando você partir para a ofensiva, e tenha certeza de se cercar de aliados que não são nem brancos nem homens [9].

V.      As armas da política são símbolos que evocam medo e esperança

O símbolo mais importante é o candidato. Este candidato, em sua própria pessoa, inspira medo ou esperança? Os eleitores querem saber: ele é uma pessoa que se preocupa com aqueles como eu? Eu me sinto bem a respeito dele, ou ele me deixa em guarda? Eu gostaria de me sentar próximo a ele no jantar? Estilo, especialmente para os altos cargos públicos, é tão importante quanto qualquer questão ou estratégia. Jack Kennedy – um congressista que não fez absolutamente nada, um senador relativamente inexperiente – foi capaz de ganhar uma eleição nacional simplesmente recitando problemas e repetindo a litania “nós podemos fazer melhor”. Por que? Em parte por que ele era bonitão, inteligente, jovem e encantador – além de não ser um fanático.

Republicanos perdem um monte de batalhas políticas pois são percebidos pelo público como inflexíveis, carrancudos, radicais e hipócritas. Uma boa regra é ser exatamente o oposto. Você deve convencer as pessoas de que se preocupa com elas antes que elas se preocupem com o que você tem a dizer. Quando você for falar, não se esqueça que uma frase de impacto é praticamente tudo o que você tem. Não importa o que você tem a dizer, se assegure de dizê-lo de forma alta e clara. Simplifique o discurso e torne-o rápido – um slogan é sempre melhor. Repita-o sempre. Coloque-o na televisão. Radio é um bom meio, mas com poucas exceções, apenas a televisão alcança um público significante em termos eleitorais. Na política, televisão é realidade.

Obviamente, você possui uma base de apoiadores que irão ouvir por horas aquilo que você tem a dizer, se isso é o que você deseja. Nas batalhas envolvendo você, eles terão um papel importante. Portanto, o que você diz a eles também é importante. Mas não irá decidir eleições. As audiências que irão determinar seu destino são as audiências que você antes de tudo precisa persuadir. Você precisa encontrar uma forma de alcançá-los, fazê-los te ouvir, e a partir disso apoiá-lo. Portanto, é absolutamente essencial focar sua mensagem e repeti-la várias vezes, de novo. E de novo. Para um candidato isso significa a mais estrita disciplina. Falta de foco irá fazer sua mensagem descarrilhar. Se você estabelece muitos pontos, sua mensagem será difusa e nada será absorvido. O resultado será tão pífio como se você não tivesse estabelecido qualquer ponto.

O mesmo é verdadeiro para o partido como um todo. Os Democratas tem uma linha partidária. Quando estão lutando por uma questão eles focam em sua agenda. Cada vez que um Democrata está em frente a uma câmera há ao menos uma linha em seu discurso que é compartilhada com seus colegas. “Incentivos fiscais para os ricos à custa dos pobres” é um exemplo. A repetição garante que a mensagem será absorvida. Quando Republicanos falam, todos marcham sob um compasso diferente. Há muitas mensagens ao invés de uma. Uma mensagem é uma frase de impacto. Muitas mensagens são um barulho confuso.

Os símbolos e frases de impacto determinam o voto. Estes são aqueles que atingem as pessoas em seu âmago antes que elas tenham tempo de pensar. E estes são aqueles que as pessoas se lembram. Os símbolos são as impressões que permanecem, e portanto aqueles que em última instância lhe definem. Palavras cuidadosamente escolhidas e frases são mais importantes que parágrafos, discursos, plataformas de partido e manifestos. O que você projeta através de imagens é o que você é.

As faces que representam os Republicanos também são imagens. Em uma comunidade pluralística, diversidade é importante. Atualmente, muitas faces Republicanas (as que você vê na tela da televisão) são homens brancos do Sul.

A América é baseada na idéia de que os méritos individuais são os que contam. Como conservadores do princípio americano, nós rejeitamos diversidades artificiais e cotas raciais. Mas isto é guerra política. Imagens são aquelas que contam. A imagem é a mídia, e a mídia é a mensagem. Portanto, diversidade é mais que importante. É crucial se tornar uma maioria nacional. Mas isso também é crucial pois é justo. Como conservadores, e como defensores do princípio democrático americano, queremos que todo eleitorado se sinta incluído.

VI.   A vitória fica para o lado do povo

Esta é a linha de fundo para cada um dos princípios e para todos os princípios. Você precisa definir a si próprio de forma que as pessoas entendam. Você precisa dar esperança com sua vitória, e fazê-los temer a vitória de seu oponente. Você pode conseguir ambos ao identificar a si próprio (e suas questões) com os oprimidos e as vítimas, com as minorias e os desfavorecidos, com os Janes e Joes do dia-a-dia.

Isto  é o que os Democratas fazem melhor, e os Republicanos normalmente neglicengiam por completo. Cada declaração política feita por um Democrata é um esforço para dizer o seguinte: “Democratas se preocupam com mulheres, crianças, minorias, trabalhadores americanos, e os pobres; Republicanos são mesquinhos, servem aos ricos, e não se preocupam com você”. Esta é a estratégia Democrata para a guerra política. Se os Republicanos querem vencer a guerra política e se tornar maioria nacional, eles precisam transformar todas essas imagens ao redor da disputa.

Eles também precisam transformar sua campanha em uma causa. Durante a Guerra Fria, os Republicanos tinham uma causa. Eles estavam salvando o país do Comunismo, e – nas últimas décadas – dos esquerdistas simpatizantes ao Comunismo. A causa ressoava em todos os níveis junto ao povo americano. Os cidadãos mais pobres entenderam que sua liberdade estava em jogo quando elegiam os Republicanos para conduzir a defesa da nação [10].

Em uma democracia, a causa que desperta paixões é a causa do povo. Este é o motivo pelo qual os políticos gostam de ir “contra Washington” e o “contra o governo estabelecido”. Como a esquerda demonstrou, a idéia de justiça é um motivador poderoso. Nas campanhas, ele irá energizar as tropas e adicionar o combustível necessário para vencer a guerra política. Os Republicanos acreditam em oportunidades econômicas e liberdade individual. O núcleo dessas idéias é justiça para todos. Se puderem tornar isso inteligível para o eleitorado americano, eles se tornarão o partido do povo americano.

David Horowitz

***

[1] Um exemplo disso pode ser visto no uso da música “Imagine” por Richard Dawkins e Sam Harris. Ambos os autores neo ateus declaram que a religião e os religiosos devem ser combatidos e extirpados do cenário público, o que é uma atmosfera de guerra, mas mesmo assim ela é remodelada como “luta pela paz”, pelo fato deles chamarem os seus oponentes de “proponentes da guerra”. Nesse caso, Dawkins e Harris estariam plenamente de acordo com os princípios da guerra política.

[2] Este é um dos pontos mais trágicos da postura conservadora em debates políticos (sim, eu sei, nos Estados Unidos a coisa está melhorando depois da chegada de Glenn Beck e Ann Coulter, e ambos são posteriores ao material de Horowitz). Quando eu escrevi o texto “Falando ao Coração”, era exatamente a isso que eu me referia. Não adianta usar discursos empolados que não serão compreendidos por ninguém, temos que falar de forma a cravar nossa mensagem no coração de nosso público. Essa é a abordagem defendida por Horowitz.

[3] Em um de seus vídeos recentes, Olavo de Carvalho explica um pouco dessa forma de atuação, onde ele diz que, ao lutar contra o gayzismo, os conservadores não podem definir a si próprios como “oponentes” dos gays. Pelo contrário, eles deviam se posicionar a favor dos direitos dos gays que não querem transformar sua opção sexual em causa política. Politicamente, Olavo está bem alinhado com as regras do jogo.

@

[4] Isto tem tudo a ver com um texto que escrevi há muito tempo, ainda em 2010, a respeito do embate entre um neo ateu e um religioso: Não li e não gostei OU Como o show de ferocidade ainda engana alguns. Na guerra política entre neo ateus e religiosos tradicionais, estes últimos passam a maior parte do tempo se defendendo, ao invés de atacarem o humanismo. Por exemplo, quando um neo ateu diz que a religião é “violenta, por causa da Inquisição”, a resposta seria dizer que realmente a Inquisição, de tons religiosos, pode ter causado a violência, mas esta é modesta perto do humanismo, defendido pelos neo ateus, que por baixo matou 200 milhões de pessoas no século passado. Sim, pois todos os regimes da religião política são humanistas. Nesse caso, ao invés de ficar na defesa, o religioso tradicional vai para o ataque.

[5] Não é apenas o público americano que favorece o centro. Os seres humanos são assim, de forma geral. O fato é que sempre que alguém é pintado pelo outro lado como “extremista”, está sendo afastado (muitas vezes sem perceber, infelizmente) da guerra política. Ou por que você acha que Daniel Sottomaior gasta tanto tempo rotulando seus adversários de “fundamentalistas”? Pensem nisso.

[6] A maior dificuldade, neste caso, é que a religião política (esquerda) foi formatada para vender esperança à patuléia, ao passo em que sempre definem que o povo deve ter medo do oponente (conservador). Muitos conservadores ainda não perceberam que eles estão apenas praticando o jogo político à risca. Voltando ainda à questão do neo ateísmo (e a análise do material da guerra política de Horowitz nos ajuda a ver o neo ateísmo de outra forma, basicamente como um movimento político da esquerda para lutar contra a religião), fica claro o motivo pelo qual John Hartung passa tanto tempo dando esperança aos que acreditarem nele, mas definindo os religiosos como aqueles que devem ser temidos, pois enquanto estes existirem a esperança oferecida por ele não poderá ser ofertada. Pior ainda, os religiosos são apontados por ele como os causadores de um provável fim da humanidade. Essa abordagem é base de todo o material neo ateu, em especial o de Sam Harris. Mas o bom é que agora você já sabe, com esta tradução apresentada aqui, o EXATO motivo pelo qual eles fazem isso.

[7] Isso deixa claro de forma mais que óbvia o alinhamento EXTREMO existente entre o neo ateísmo e o esquerdismo, certo?

[8] Para se ter uma noção do extremismo de Maxine Waters, em relação à violência desenfreada (58 pessoas morreram) ocorrida em Los Angeles após o veredito do caso Rodney King em 1992, Waters disse que a violência não deveria sequer ser chamada de rebelião: “Se você rotula isso como rebelião pode parecer que tínhamos um bando de malucos que saiu para realizar coisas ruins sem razão aparente. Eu mantenho que toda a ação foi de certa forma compreensível, senão aceitável.” Mais ainda, ela disse que a violência “foi uma reação espontânea para uma série de injustiças”. Em relação ao saqueamento de lojas de corenos pela população negra, ela disse: “Haviam mães que aproveitaram isto como uma oportunidade para levar algum leite, obter algum pão, recolher alguns sapatos… Eles não são bandidos”. O importante de lembrarmos de figuras como Maxine Waters é mostrar que o extremismo de esquerda não é uma exclusividade dos países latino-americanos. Na verdade, o modelo do marxismo cultural que levou a isso já vinha sido praticado muito antes nos Estados Unidos.

[9] No Brasil, não temos uma direita. Eu já disse isso anteriormente e sempre é bom repetir. Entretanto, em algumas eleições torcemos para que o PSDB vença o PT. O motivo é claro: é melhor que o PT não se torne hegemônico, e que o aparelhamento estatal petista seja reduzido. Considerando esse aspecto, podemos mapear alguns erros cometidos pelo PSDB na luta contra o PT. Por exemplo, já tivemos duas mulheres assumindo a prefeitura da capital de São Paulo pelo PT, Marta Suplicy e Luiza Erundina. E o PSDB, o que fez em oposição a isso? Praticamente nada. Como se nota, assim como os Democratas jogam o jogo político muito bem nos Estados Unidos, podemos notar que no Brasil o PT joga muito melhor que o PSDB. Simples assim.

[10] É exatamente por isso que afirmo que o surgimento do Occupy Wall Street, mais que uma ameaça, pode ser encarado como uma excepcional OPORTUNIDADE para os conservadores. O uso do discurso socialista pelos adeptos do Occupy Wall Street nos dá evidências de que a ameaça socialista não está vencida nos Estados Unidos, e portanto os conservadores passariam a ter uma causa, a de proteger a liberdade dos americanos das mãos de um sistema totalitário. Na época do lançamento do livro, um movimento como o OWS não estava em voga. Agora temos isso em mãos. É apenas uma questão de aproveitar.



Categorias:Guerra política (ensaios)

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4 respostas

  1. 1) As notas de rodapé estão muito boas, muito esclaredoras mesmo 🙂

    2) Em [9], “prefeitas mulheres” é pleonasmo vicioso — ou não? 😀

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  2. Um trabalho simplesmente espetacular! Tomara que isso seja divulgado para o maior número possível de conservadores.

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