Tirando o escorpião do bolso

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Não raro me perguntam de onde tiro minhas influências. Como consigo mapear tão fácil o discurso desonesto da esquerda? Claro que além de minha especialização em investigação de fraudes corporativas (o que por si só já cria um “tino” para este mapeamento), é preciso de uma base de conhecimento que investigue a esquerda em si. Nesse ponto sou grato a autores como John Gray (mais especializado na destruição do humanismo), Olavo de Carvalho, Arthur Schopenhauer (mais focado na demolição do idealismo), David Horowitz, Ann Coulter, Luiz Felipe Pondé, Bernard Goldberg, Larry Amhart e outros. Quer dizer, sem o Conhecimento (com “c” maiúsculo), de nada adiantariam meus esforços. Este conhecimento, por sua vez, deve sempre ser amplificado, e sem medo daquilo que vamos descobrir. Devemos ler até os adversários, para entender como eles pensam. Tenho livros de Bertrand Russell, Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris, Carl Sagan, Jean Jacques Rousseau, Antonio Gramsci, Karl Marx, Saul Alinsky, Immanuel Kant e todos os outros que entram vez por outra em minha linha de fogo. Enfim, não há segredo. Ou se conhece o oponente, ou se perde para ele.

Este post, no entanto é para compartilhar uma recente descoberta, a editora Peixoto Neto, trazendo obras que sinto que me serão muito úteis – é uma editora que parece dedicada a lançar alguns livros que muitos esquerdistas gostariam de ver escondidos debaixo do tapete. Há poucos dias encomendei os cinco livros abaixo, em relação aos quais adiciono também a sinopse direto do site da editora, e também um link (junto ao título de cada um deles), caso vocês queiram adquiri-los também. Aliás, quanto mais pessoas comprarem estas obras, melhor, pois isso aumentará a chance de mais livros assim serem lançados no Brasil.

“O Poder”, de Bertrand de Jouvenel
Uma das mais importantes obras de teoria política de todos os tempos, O Poder foi o melhor livro de ciência política escrito no Século XX, um século marcado por revoluções, guerras, revoltas e, especialmente, por uma descomunal concentração do poder político. Concebido e escrito durante a Segunda Guerra Mundial, o livro surgiu “de uma meditação do autor sobre a marcha histórica rumo à guerra total”. A obra-prima de Bertrand de Jouvenel oferece uma análise detalhada do Poder sob todos os seus aspectos: sua origem, sua natureza e as razões de seu aumento. Pela primeira vez, alguém pareceu ter compreendido os mecanismos que estimulam o crescimento do Poder. Esta obra revela a lógica desse Minotauro e nos convida a perguntar por qual motivo todas as utopias ou promessas de libertação e todas as revoltas ou revoluções, ao longo dos tempos, geraram uma concentração cada vez maior de poderes ou, ainda: por que o rebelde de hoje transforma-se no tirano de amanhã. Inédito no Brasil, esta é uma obra clássica do pensamento moderno com a qual a Editora Peixoto Neto inaugura sua coleção Teoria Política.

“Os Radicais nas Universidades”, de Roger Kimball
Radicais nas universidades mostra como a educação superior nos Estados Unidos, em especial nas faculdades de ciências humanas, sofreu uma completa transformação que teve início nos anos 1960 e hoje atinge o seu ápice. Essa mudança foi a total politização das discussões, interesses e critérios acadêmicos em prol de certos grupos sociais e ideologias. Na atualidade, o ambiente acadêmico vive sob a ditadura do politicamente correto e do único critério que serve para julgamento e decisão do que quer que seja dentro desse ambiente: partidarismo. Roger Kimball aponta a farsa que são as carreiras acadêmicas nas áreas das ciências humanas em todas as universidades americanas. Mostra ainda a mediocridade, a infantilidade, a perversidade e a mesquinhez que imperam nesses departamentos. Como tudo que é nonsense, a realidade descrita por Kimball garantirá algum divertimento ao leitor, mas, ao fim, a sensação será de amargor e desânimo pela constatação do elevado grau de deformação da cultura acadêmica contemporânea. Essa mesma deformação aconteceu no Brasil com uma diferença: aqui, o fenômeno nem sequer foi percebido. A resistência e a crítica praticamente inexistiram nos meios acadêmicos locais. Em parte porque, no Brasil, as atividades nos departamentos de ciências humanas nunca passaram de um pálido reflexo dos modismos acadêmicos europeus que agora imperam também nas principais faculdades dos Estados Unidos. Em nosso país, o pior ainda está por vir: a importação do ideário politicamente correto que sufoca e debilita o ensino nos Estados Unidos, como o leitor poderá constatar em Radicais nas universidades.

“O Filho Radical”, de David Horowitz
David Horowitz relata em O filho Radical: a odisseia de uma geração sua peregrinação política desde os radicais anos 1960 até os primeiros anos da década de 1990 — e os amigos e inimigos que fez pelo caminho. Sob um privilegiado ponto de vista, no centro da ação, Horowitz preencheu sua autobiogra­fia com vívidos retratos de personagens que atuaram na cena radical da época. Encontramos Bertrand Russell, filósofo mundialmente famoso e fundador do Tribunal Internacional dos Crimes de Guerra, instituição responsável por investigar ações criminosas cometidas na Guerra do Vietnã; Tom Hayden, um radical que promoveu guerrilhas, casou-se com uma estrela do cinema, Jane Fonda, e se tornou senador pelo Estado da Califórnia quando suas revoluções falharam. Conhecemos Huey Newton, fundador do Partido dos Panteras Negras, juntamente com Bobby Seale, o qual se tornaria o mais ressonante símbolo da militância negra, e cujas ações violentas contribuíram para o afastamento de Horowitz da Esquerda. A autobiografia de Horowitz é um espirituoso relato sobre as implicações de suas escolhas políticas, do divórcio de seus dois casamentos até a alienação comunista de seu pai; do fim das amizades com ex-companheiros até a reconciliação com seus filhos já crescidos. Essa árdua e difícil jornada da Esquerda para a Direita fez de Horowitz o mais odiado ex-radical de sua geração. Contando sua história, ele nos forneceu não somente uma prestação de contas de sua própria transformação, mas também uma mordaz faceta de uma América radical, além de um retrato da evolução da consciência política de toda uma geração.

“O terrorismo intelectual”, de Jean Sévillia
Durante toda a segunda metade do século XX e início deste século, nenhuma intelectualidade exerceu tanta influência quanto a francesa. Aragon, Sartre, Beauvoir, Foucault, Althusser, Deleuze, Derrida, Barthes, Lacan e inúmeros outros influenciaram as redações de todos os jornais, moldaram os atuais currículos das ciências humanas em todas as universidades do mundo, deram o tom nas discussões e militância políticas e deixaram milhares de admiradores e seguidores. Em suma, influenciaram definitivamente o modo como as classes letradas de todo o mundo enxergam a realidade. Nessas seis décadas, nenhum outro grupo pareceu tão insatisfeito com a sua própria cultura, com as tradições de seu país ou do Ocidente ou com o modo de vida, organização política e econômica ocidentais. Nenhum outro grupo deplorou tanto as mazelas do passado e do presente e lutou tanto por uma revolução que criasse um mundo melhor, mais livre e justo. E, pode parecer estranho, nenhum outro grupo apoiou tão apaixonadamente os maiores déspotas e regimes totalitários surgidos após a Segunda Guerra, tal qual já o fizera grande parte da intelectualidade alemã em relação a Hitler e seu partido nacional-socialista. Stalin, Mao Tsé-tung, Ho Chi Minh, Pol Pot, Fidel Castro e seus respectivos regimes foram todos saudados como redentores e instauradores de uma nova ordem de justiça e liberdade. Quem quer que se opusesse às opiniões dessa intelectualidade era imediatamente rotulado de reacionário, imperialista, capitalista ou obscurantista e reduzido ao silêncio. Hoje, o discurso de autovitimização assumido desde o início por esses intelectuais, a ideia de que toda a sociedade pode ser remodelada pela ação política, de que todo o passado e o presente devam ser julgados com base em um futuro hipotético, é a forma de pensar dominante no mundo moderno. A ação desse grupo ao longo das últimas décadas, seus métodos e o seu domínio quase absoluto da cena intelectual francesa é o que Jean Sévillia denomina “terrorismo intelectual”.

“A traição dos intelectuais”, de Julien Benda
Os homens cuja função é defender os valores eternos e desinteressados, como a justiça e a razão, a quem denomino intelectuais, traíram essa função em proveito de interesses práticos. Nosso século terá sido propriamente o século da organização intelectual dos ódios políticos. Este será um de seus grandes títulos na história moral da humanidade. As advertências de Benda podiam, em 1927, ser tidas como pouco fundadas. Mas hoje elas nos parecem verdadeiramente proféticas. Julien Benda rejeitou todas as modas filosóficas de sua época e criticou a adesão dos intelectuais às paixões políticas (fossem elas de raça, de partido, de classe ou de nação), chamando esses intelectuais de traidores de suas verdadeiras funções. A traição dos intelectuais, que permanecerá um clássico, precisava ser publicado em um país que, há bastante tempo, só conhece um tipo de intelectual: o defensor dos interesses práticos de uma coletividade, adepto dos modismos e das paixões políticas, sem qualquer compromisso com os valores superiores da verdade, da razão ou da justiça.

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3 COMMENTS

  1. Opa, ótimo post. Bons livros, o que mais me interessou foi o “Radicais na Universidade” e “A traição dos intelectuais”, pois de certo que estou vivendo isto atualmente no cursinho e ano que vem irei para a UFRJ – Fazer Visual Design, o que muito provavelmente vai me encerrar no círculo da galera das ciências humanas.

    Não sou de debate, o faço quando é necessário. Mais são bons livros.

  2. Eu tenho “A traição dos Intelectuais” em espanhol. Particularmente, só ando lendo em português autores de língua portuguesa mesmo. O resto eu leio em inglês ou espanhol ou ambos até. Mas apoio a iniciativa da editora 😉

    P.S.: Não há de quê no post de William James \o

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