Um raio X das regras para radicais de Saul Alinsky – Pt. 6 – No começo

Depois da Pt. 5 – Comunicação, Alinsky agora trata de um momento crítico para o organizador: o de quando ele chega a uma comunidade. É quando ele é observado com desconfiança pelos membros que lá estão. É indispensável, para ser aceito, “primeiramente, convencer as pessoas-chave de que se está do lado deles, e, segundo, que ele tem idéias e sabe como lutar para mudar as coisas”. Enfim, ele deve convencer os outros de que pode fazer a diferença.

Não só é preciso convencê-los de sua competência, talento e coragem, mas também fazê-los “ter fé” nessas habilidades suas. Basicamente, eles precisam sentir uma “garantia de vitória” com sua presença. Também necessitam “ter fé em sua coragem de lutar contra um status quo opressivo”.

Uma das formas disso ocorrer é ser qualificado pelo oponente como um “inimigo perigoso”. Isso é o suficiente para que a comunidade que necessita de sua ajuda já o perceba positivamente, pois, se os inimigos dessa comunidade o definiram como um “inimigo”, isso significa que a comunidade deve percebê-lo como um amigo. (É o famoso lema do “O inimigo do meu inimigo é meu amigo”)

Quando aliados do antigo sindicalista Lula o apresentavam como um “agitador” ou “inimigo”, isso permitia que ele pudesse ser apresentado aos sindicalistas como “amigo” deles. Assim como quando a esquerda define Olavo de Carvalho como um “inimigo”, isso facilita sua aderência aos conservadores de direita. Enfim, ser definido pelo inimigo do grupo que você quer defender como um “inimigo” aumenta as chances de você ser definido como um amigo deste grupo.

O ponto de partida de um organizador é estabelecer suas credenciais, e sua qualificação como “inimigo” pelos inimigos daqueles que você se dispõe a defender é o primeiro passo. Depois disso, outras credenciais são necessárias, como ser convidado para setores importantes dessa comunidade, incluindo organizações de bairro, igrejas, grupos locais, etc.

Vamos avaliar outra possibilidade: e se o organizador não tiver uma reputação pré-estabelecida? Neste caso, ele deve “inseminar um convite para si próprio, para agitar, introduzir idéias, embutir esperança nas pessoas e fazê-las desejar a mudança, identificando-o como a pessoa mais qualificada para ajudá-las nesse objetivo”.

Vejam um exemplo tirado da ação de Alinsky, utilizando o método socrático:

  • Organizador: Você vive naquele pardieiro?
  • Cidadão: Sim. O que tem?
  • Organizador: Por que diabos você vive lá?
  • Cidadão: O que você quer dizer com “por que eu vivo lá”? Onde mais eu vou morar? Eu vivo de ajuda do estado.
  • Organizador: Ah, significa que você paga aluguel por aquele lugar?
  • Cidadão: O que é isso? É uma piada? Muito engraçado! Você sabe onde podemos morar de graça?
  • Organizador: Hmm. Aquele lugar parece que tem vários insetos e ratos rastejando por lá.
  • Cidadão: Com certeza tem.
  • Organizador: Você já tentou conversar com o proprietário a respeito disso?
  • Cidadão: Tente falar com ele a respeito de qualquer reclamação! “Se você não gosta, saia”. É tudo o que ele tem a dizer. Há muitas pessoas procurando lugar para morar.
  • Organizador: E se você não pagasse o aluguel?
  • Cidadão: Eles nos jogariam fora em 10 minutos.
  • Organizador: Hmm. E se ninguém no edifício pagasse o aluguel?
  • Cidadão: Eles iam jogar… Ei, é verdade, eles iam se dar mal se jogassem todos para fora, não acha?
  • Organizador: É, eu aposto que iriam ter problemas.
  • Cidadão: Ei, foi interessante o que você disse – eu gostaria que você conhecesse alguns de meus amigos. Que tal uma bebida?

Proposta política depois do poder

Um dos maiores problemas no início dos trabalhos de uma organização é que “as pessoas jamais sabem o que querem”. É como “uma esquizofrenia de uma sociedade livre na qual nós exteriormente abraçamos a fé nas pessoas, mas internamente temos fortes dúvidas em relação a confiar nelas”. Estas reservas “podem destruir a efetividade até mesmo do organizador mais talentoso e criativo”. Alinsky conta mais detalhes de como isso funciona em grupos de baixa renda, como em um gueto habitado em sua maioria por afro-americanos:

Em um gueto de negros se você pergunta “O que está ocorrendo de errado?”, ouve “Bem, as escolas são segregadas”. “O que você acha que deve ser feito para termos melhores escolas?” “Bem, elas devem ser desegregadas”. “Como?” “Bem, você sabe”. E se você disser que não sabe, a partir daí a possível falta de conhecimento ou inabilidade daquele com quem você está conversando pode se transformar em uma reação hostil e defensiva: “Vocês, brancos, foram responsáveis pela segregação no início. Nós não fizemos isso. Então é seu problema, não nosso. Você começou com o problema, resolva-o”. Se você tenta aprofundar mais no ponto questionando “O que mais há de errado com as escolas atualmente?” “Os prédios são velhos, os professores são ruins. Nós temos que mudar”. “Bem, que tipo de mudança” “Bem, todos sabem o que precisa ser mudado”. Este é normalmente o fim de linha para a conversa. Se você pressionar um pouco mais, novamente obterá uma resposta hostil e defensiva ou até o abandono da reunião por parte deles, pois eles lembrarão de imediato que há algo mais a fazer em qualquer outro lugar.

A lógica é clara: se as pessoas não confiam que você é um agente de mudança, então eles não tem motivos para pensar em sua ajuda. “Uma vez que as pessoas estão organizadas de forma que elas tenham o poder para fazer mudanças, então, quando confrontadas com questões sobre mudança, elas começam a pensar e questionar a respeito de como fazer as mudanças”. A partir daí é que as soluções construtivas começam a aparecer, mas para isso é preciso “descobrir que acreditar nas pessoas não passa de um mito romântico”. “Mas aqui você descobre que o primeiro requisito para a comunicação e a educação é que as pessoas tenham uma razão para obter o conhecimento. É a criação do instrumento ou das circunstâncias de poder que fornecem a razão e aí tornam o conhecimento essencial”.

Não se pode esquecer que “a resolução de um problema particular irá trazer outro problema”. Normalmente o organizador sabe disso (e se não souber é um problema para ele), mas não vai sequer mencioná-lo, pois “se o fizesse, iria trazer um senso de futilidade vindo dos demais”. O fato é que as vitórias ocorridas hoje mudarão situações, que mudarão os desejos e as motivações. Mais ou menos como: “Antes estávamos lutando por hambúrguer, e agora queremos filé mignon. E por que não?”

Saber lidar com tudo isso, com os desejos mutantes e elementos voláteis, é um dos talentos do organizador, e ainda assim ele deve “agir dentro da experiência das pessoas com as quais ele está atuando, e agir em termos das resoluções e questões específicas”. Ignorar este aspecto levaria-o a criar um grupo que não vai a lugar algum.

Nos primeiros dias, o organizador toma a dianteira em qualquer situação de risco, especialmente aquelas que podem gerar algum tipo de retaliação. Neste caso, o organizador serve como um escudo protetor: “se algo dá errado ele assume a culpa, ele tem a responsabilidade. Se ele obtém sucesso, todos os créditos vão para as pessoas da comunidade”. “No futuro, assim que o poder aumenta, os riscos diminuem, e gradualmente as pessoas tomam a frente para assumir os riscos. Isto é parte do processo de crescimento, tanto para os líderes da comunidade como para a organização”.

Nunca se deve esquecer que é “praticamente impossível para as pessoas entenderem por completo – muito menos aderir a – uma idéia completamente nova”. Como discutido anteriormente, o medo da mudança é um de nossos maiores medos, “e uma nova idéia deve ser pelo menos revestida na linguagem de idéias passadas; geralmente, ela deve ser, primeiramente, diluída com vestígios do passado”.

Racionalização

No início, uma lacuna que surge nas organizações é a ausência de racionalizações, mas, segundo Alinsky, todos “tem uma racionalização para o que faz ou deixa de fazer”. “Não importa o que for, cada ação carrega sua racionalização”.

Ao atuar como organizador, é preciso estar ciente da enorme importância do papel que reside nas racionalizações em larga escala, o que não é diferente da racionalização em escala individual. “Em larga escala, os residentes e líderes da comunidade se justificam em relação aos motivos pelos quais eles não conseguiram fazer nada até a chegada do organizador”. Isso os leva a, inconscientemente, sentirem-se incapazes e diminuídos, com menos inteligência até. A maioria das pessoas age assim, não para se justificarem ao organizador, mas “para justificarem-se a si próprias”.

No mundo da psicanálise, isso seria chamado de racionalizações, ou mesmo defesas. No mundo da terapia, “o paciente tem uma série de defesas, que devem ser demolidas para chegarmos ao problema – com o qual o paciente deve se confrontar”. Buscar por racionalizações, para Alinsky, é “como buscar o arco-íris”. Elas apenas devem ser reconhecidas como tal, de forma que o organizador “não fique preso em problemas de comunicação, ou no tratamento das racionalizações como situações de fato”.

Alinsky nos fala de um diálogo com um líder indígena:

  • Líder índio: Bem, nós não podemos nos organizar.
  • Alinsky: Por que não?
  • Líder índio: Por que essa é uma maneira que os brancos encontraram para lidar com as coisas.
  • Alinsky[1]: Eu não entendo.
  • Líder índio: Veja bem. Se nós nos organizarmos, isso significa que vamos lutar da maneira que vocês nos dizem para fazer, e isso significa que nós seríamos corrompidos pela cultura do homem branco, e perderíamos nossos valores.
  • Alinsky: Quais são esses valores que você perderia?
  • Líder índio: Bem, existem vários valores.
  • Alinsky: Como o quê?
  • Líder índio: Bem, exista a pesca criativa.
  • Alinsky: O que significa a pesca criativa?
  • Líder índio: Pesca criativa.
  • Alinsky: Você já falou isso. Mas o que é a pesca criativa?
  • Líder índio: Bem, veja só, quando vocês, brancos, vão pescar, vocês apenas saem e pescam, certo?
  • Alinsky: Bem, eu acho que sim.
  • Lider índio: Pois bem, quando nós saímos para pescar, nós pescamos de forma criativa.
  • Alinsky: Bem, é a terceira vez que você me fala disso. Mas o que é a pesca criativa?
  • Líder índio: Bem, para começar, quando nós vamos pescar, nós nos desconectamos de tudo. Nos embrenhamos na floresta.
  • Alinsky: Bem, nós, brancos, não vamos pescar exatamente na Times Square, você sabe disso.
  • Líder índio: Sim, mas conosco é diferente. Quando nós vamos pescar, nós caímos na água e você pode ouvir as ondas no casco da canoa, e os pássaros nas árvores e as folhas caindo, e – você entende o que quero dizer?
  • Alinsky: Não, eu não entendo. Mas a propósito, eu acho que tudo isso é uma grande bobagem. Você acredita nisso de fato?

Após esse diálogo, surgiu um silêncio causado por choque. Mas Alinsky havia planejado ser profano com um objetivo. A partir daí, o assunto mudou para “bem-estar criativo”, no qual Alinsky argumentava que “desde que os brancos roubaram as terras dos índios, todos os pagamentos de bem-estar social para os índios não seriam caridade, mas sim prestações pelo uso da terra”. Após alguns minutos, surgiram outras “racionalizações”, todas elas “criativas”, e não demorou para chegarem à causa da organização.

Sobre esta história, Alinsky nos conta sobre um documentário feito pela National Film Board of Canada, no qual um líder índio disse: “Quando o Sr. Alinsky nos disse que estávamos somente falando bobagem, foi a primeira vez que um homem branco realmente nos tratou como iguais – você [apontando para um líder comunitário branco local] jamais diria isso para a gente. Você normalmente diria ‘Bem, estou vendo seu ponto de vista, mas estou um pouco confuso’, e coisas do tipo. Em outras palavras, você nos tratava feito crianças”.

Conclui Alinsky, sobre este caso: “Aprenda a encontrar as racionalizações, trate-as como racionalizações, e rompa com elas. Não cometa o erro de ficar aprisionado em conflito com eles, como se estas fossem as questões ou problemas com os quais você está tentando envolver as pessoas locais”.

O processo de poder

A partir do momento em que um organizador adentra uma comunidade, ele “vive, sonha, come, respira e dorme apenas uma coisa: a construção de uma base de poder de massa do que ele definirá como exército”. Essa é a sua prioridade zero. Até que ele tenha instrumentos e meios de poder, sua “táticas” são muito diferentes das táticas de poder. Quanto mais participantes na organização, melhor. O foco é no aumento de força da organização. Afirma ele: “Mudança vem do poder, e poder vem da organização. Para agir, as pessoas precisam se juntar”.

“Poder é a razão de ser de uma organização. Quando as pessoas entram em acordo sob certas idéias religiosas e querem o poder para propagar sua fé, eles se organizam e chamam isso de uma igreja. Quando as pessoas entram em acordo em certas idéias políticas e querem o poder para colocá-las em prática, eles se organizam e chamam isso de um partido”. Nunca se deve esquecer, portanto, que “poder e organização estão juntos”.

O maior trabalho do organizador é dar às pessoas a sensação de que podem agir, e, se todos na organização aceitarem a noção de que organização significa poder, eles precisam experimentar essa idéia em ação. O organizador deve gerar confiança da comunidade no ideal da organização, e nos próprios participantes: “a idéia é vencer vitórias limitadas, cada uma das quais construindo confiança e o sentimento de ‘se nós pudemos fazer tanto com o que temos agora, imagine o que seremos capazes de fazer quando nós nos tornarmos grandes e fortes”. “É quase como ser o coach de um pugilista em direção ao título – é preciso ser cuidadoso, selecionando com cuidado seus oponentes, sabendo muito bem que certas derrotas seriam desmoralizantes, a ponto de acabar com sua carreira”. Em alguns casos, “há tamanho ponto de desolação entre as pessoas”, que o organizador deve entrar no ringue.

O organizador “simultaneamente carrega muitas funções, já que ele analisa, ataca, e quebra o padrão de poder predominante”. Aliás, para ele, “comunidade é o mesmo que organização”. Mesmo que as pessoas da comunidade estejam apáticas, esta seria a forma deles se organizarem. Para quebrar o padrão atual, Alinsky diz que “o primeiro passo na organização de uma comunidade é a desorganização dela”. Por isso, “toda mudança significa a desorganização do antigo e a organização para o novo”.

Isso leva o organizador de imediato em direção ao conflito. Muitas vezes, pessoas da própria comunidade terão ressentimentos, e isso é normal, pois em sua trilha ele fará muitos questionamentos incômodos, na busca de controvérsias e questões. Ao invés de evitar, o organizador deverá abraçar o conflito. Não existem “questões não-controversas”, pois, se há uma questão (em âmbitos públicos), ela é controversa por si só. Senão, não seria uma questão. “O organizador deve criar um mecanismo para drenar a culpa subjacente por eles terem aceito a situação anterior por tanto tempo. A partir deste mecanismo, surge uma nova organização”.

A idéia é sacudir as pessoas, fazê-las agir. Em resumo, “desenvolver e armar o poder necessário para entrar em conflito efetivamente com os padrões predominantes e mudá-los”. Por isso, muitos irão descrever um organizador como um “agitador”, pois está é sua função: “agitar até o ponto de conflito”. Muitos estão conformados com  o padrão atual, “mas isso por causa da falta de oportunidade para ação efetiva”. Ao lembrar das organizações sindicais, Alinsky fala que grande parte do tempo dispendido é focado em obter o poder para então ir às mesas de negociações. Ele resume: “Ninguém pode negociar sem o poder para forçar a negociação”.

Em resumo, esta é a função do organizador de comunidades. “Qualquer outra coisa, é wishful thinking. Buscar operar com esperança na boa-vontade ao invés de um foco no poder significaria alcançar algo que o mundo ainda não experimentou”.

No começo o organizador deve fazer aflorar as questões e os problemas, sabendo lidar com as racionalizações que envolvem as pessoas que vivem no paradigma atual. Em seguida, as situações de dificuldades atuais devem ser convertidas em um “problema”, ou seja, algo a ser solucionado. Depois do problema, chegamos às questões: Como? Quando? Por quais meios? “A organização é construída das questões, e as questões nascem a partir da organização”.

As organizações devem ser focadas em muitas questões, pois a ação é necessária para as organizações assim como o oxigênio é necessário para os animais. “Cada pessoa tem uma hierarquia de desejos ou valores; ele pode ser simpático a sua questão em particular mas não preocupado o suficiente a respeito daquela outra em particular, a ponto de lutar por ela. Muitas questões significam muitos membros”. Por isso, elas são mais complexas que os tradicionais sindicatos.

Outro ponto a não ser esquecido é que na sociedade móvel e urbanizada, a palavra “comunidade” significa comunidade de interesses, “não comunidade física”. Quando Alinsky escreveu isso nem existiam soslaios do que a Internet se tornou hoje. Hoje uma pessoa morando em Manaus e outra em São Paulo podem fazer parte da mesma comunidade.

Fundamental para um agente de mudança é saber que “se você respeita a dignidade do indivíduo com o qual você está atuando, então os desejos dele, não os seus, os valores dele, não os seus, as escolhas de liderança dele, não as suas, os programas dele, não os seus, são importantes e devem ser seguidos; exceto se os programas dele violam os mais altos valores de uma sociedade livre e aberta”. Alinsky diz que a estrela norte é sempre a “dignidade do indivíduo”. “Obviamente, qualquer programa que opõe pessoas por causa de raça, religião, credo, ou status econômico, é a antítese da dignidade fundamental do indivíduo”.


[1] Garantindo que decidiu deixar essa passar batido, mesmo que obviamente fosse uma afirmação falsa, já que a humanidade desde os tempos imemoriais sempre se organizou, independente de raça ou cor, sempre que quiseram mudar algo



Categorias:Guerra política (ensaios)

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1 resposta

  1. é só reconhecer, não há que se fazer outra coisa. Os esquerdistas estão de parabéns em ter tido um autor como Saul Alinsky em 1971, e o Reveille for Radicals é de 1946. Só agora nós estamos descobrindo Alinsky, que é melhor que Gramsci. Vai demorar algum tempo para recuperarmos o tempo perdido. Incrivel eu não ter ouvido falar de Alinsky até agora.

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