Técnica de Propaganda: Endosso a quebra sistematizada de regras e leis

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Última atualização: 12 de fevereiro de 2013 – [Índice de Propaganda][Página Principal]

Esta é uma técnica sofisticadíssima, que se baseia em implementar no público a percepção de que o objeto ou ideia vendido pelo propagandista está acima das regras e leis. Estas regras podem inclusive significar regras da linguagem ou da lógica.

Qual o objetivo? O objetivo é transmitir a noção de que o objeto/idéia propagandeado é tão especial que as regras e leis que existem atualmente não servem para julgá-lo. A mensagem a ser sub-comunicada é que se trata de algo muito especial.

Por exemplo: imagine um anunciante dizendo que existem os automóveis, e algo além que não pode ser classificado como apenas um automóvel. Este é o automóvel para o qual ele está fazendo a propaganda.

Mas é no debate político que isso é visto com um talento impressionante, e normalmente praticado com uma amoralidade absurda.

Recentemente tivemos o exemplo dos 72 marxistas culturais, alunos da USP, que foram denunciados por formação de quadrilha. A esquerda já protesta dizendo que eles não podem ser julgados como criminosos comuns, mesmo que tenham cometido crimes comuns, pois “são estudantes e militantes”. Enfim, as regras que valem para o ser humano normal não valem para eles. Esta é a mensagem que o propagandista quer sub-comunicar.

Outro exemplo fica na proteção que o governo brasileiro deu ao terrorista italiano Cesare Battisti. Mensagem sub-comunicada: ele não praticou crimes, mas sim “atos revolucionários”, portanto não pode ser julgado pela lei dos homens.

Mas nada é melhor como exemplo recente do que a auto-definição de Dilma Rousseff como “presidenta”. Mas esperem. Não existe “presidenta”, mas sim “presidente”, pois este é um termo neutro, que vale tanto para homens como mulheres. Mas não importa, pois a partir daí todos os partidários começaram a chamá-la de “presidenta”. Mensagem sub-comunicada: as regras do português são apenas para os pobres mortais, mas não para a atual presidente do Brasil.

Nesta técnica, é feito o endosso automático de todas essas quebras de regras e leis, como se de fato essas regras não valessem para os objetos ou idéias que estão sendo vendidos pelo propagandista. Nos exemplos citados, tanto os apoiadores de Dilma, como os demais jornalistas pró-PT e até mesmo toda a mídia pró-marxismo cultural estão endossando toda e qualquer encenação dos indivíduos em questão em suas ações para simular que as regras e leis que valem para os outros, não valem para eles. (Atenção: eles não afirmam isso taxativamente, mas agem como se assim fosse)

Lembre-se do motivo pelo qual os religiosos consideram que Deus não está submetido as mesmas regras que os homens. É por que ele é considerado acima do homem. Assim como nos filmes de super-heróis, por que não se vê problemas neles quebrarem várias regras? Por que também estão acima do ser-humano comum.

Portanto, não se deixem enganar achando que jornalistas e partidários, ao chamarem Dilma de “presidenta”, estão cometendo apenas um erro de português, mas sim uma técnica sofisticada de propaganda, que a esquerda domina com maestria.

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16 COMMENTS

  1. Podemos considerar nessa técnica aquele lance de “um (setor da população usado pelo religioso político como massa de manobra) não é opressor quando faz (alguma coisa bem condenável que se fosse feita por “opressor” receberia saraivadas de críticas), pois temos de levar em conta que ele está extravasando séculos de opressão” ou isso vai além desse endosso?

  2. Aproveitando o tema do post, vejam quem está (ou estão) de volta. Como diria a velha canção: “as andorinhas voltaram…”

    http://oglobo.globo.com/mundo/ativistas-do-femen-invadem-igreja-comemoram-renuncia-do-papa-7558276

    Ativistas do Femen invadem igreja e comemoram renúncia do Papa

    PARIS – Ativistas do grupo feminista Femen invadiram nesta terça-feira a Catedral de Notre-Dame, em Paris, para comemorar a renúncia do Papa Bento XVI. Elas tomaram conta dos arredores do oitos sinos de bronze na parte central da igreja, gritando dizerem como ‘não à homofobia’ e ‘adeus, Bento XVI’. Seguranças agiram rapidamente e tentaram retirar as jovens do altar da igreja, que completa neste mês 850 anos.

    De acordo com as ativistas, o protesto também acontece em comemoração à decisão do Parlamento francês de aprovar o rascunho de uma lei aprovando a união homossexual. O grupo Femen prega o ateísmo, mas raramente realiza protestos em centros religiosos. Surpresos, dezenas de turistas na Catedral de Notre-Dame filmaram e fotografaram as jovens.

    Depois de serem retiradas do local por seguranças, elas continuaram o protesto por cerca de dez minutos do lado de fora. Uma das jovens chegou a ser agredida por um agente de segurança e exibiu os dentes ensanguentados para jornalistas no local.

  3. “Mas nada é melhor como exemplo recente do que a auto-definição de Dilma Rousseff como “presidenta”. Mas esperem. Não existe “presidenta”, mas sim “presidente”, pois este é um termo neutro, que vale tanto para homens como mulheres. Mas não importa, pois a partir daí todos os partidários começaram a chamá-la de “presidenta”. Mensagem sub-comunicada: as regras do português são apenas para os pobres mortais, mas não para a atual presidente do Brasil.”

    “Presidenta” já era dicionarizado antes, Ayan. E outra, regras de uma língua não precisam ser imutáveis.

    • Mas aí é que está a essência da regra. Basta alguém “dicionarizar” que tá feito o serviço…

      Amanhã, eu farei uma reunião com várias gerentas de projeto. Uma delas tem uma filha adolescenta. Preciso também ligar para a agenta de contas da empresa. Precisarei dar licença para uma delas, pois ela será pacienta em um tratamento.

      Pura palhaçada.

      Abs,

      LH

      • Palhaçada não, Ayan, mudanças normais em uma língua. Se você considera isso bizarro, deveria já me corrigir aqui, pois o certo é “vossa mercê”. A questão também é que só se dicionariza o que já é muito usado pela maioria, e que essa dicionarização veio antes inclusive de Dilma ser sequer cotada à presidência, se não me engano.

      • Uma coisa é “mudança” em uma língua, como, por exemplo, para simplificação, no caso apresentado. Outra coisa é uma mudança desnecessária. Hoje em dia fiz até uma brincadeira com uma gerente, chamando a de “gerenta”. Ela riu. Quer dizer, modificações na língua para atender a “manias”? Isso é o que se chama de guerra semântica.

        Sobre a dicionarização, me apresente fontes, quais dicionários fizeram isso…

      • Aí o próximo presidente pode ser um presidento. 🙂

        Mas tem que arrumar um para dicionarizar. Tem que ver a agendinha do pessoal. 😉

      • Ayan, eu estava prestes a pegar um texto do professor Sírio Possenti para te mostrar isso, mas lembrei que tinha um dicionário em casa. Veja bem, é a 2ª Edição do Dicionário Escolar da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras de 2008. Frisemos isso: 2008, bem antes de Dilma ser sequer cotada para a eleição de 2010. Vamos ver o que tem na página 1024?

        presidenta (pre.si.den*.ta) s.f. Mulher que exerce a presidência.

        O asterisco é meu e foi colocado no lugar do itálico que deveria estar em “den”, sílaba mais forte. Agora, se até a ABL, super-tradicionalista, se rendeu a essa mudança. Não foi, então, uma “transgressão”, mas sim o uso de algo já dicionarizado.

        Sobre simplificar, nesse caso, eu considero que a questão é meio relativa ao que vamos chamar de mais simples. Veja bem, como estudante de Letras, tenho Latim (nossa língua “avó”, digamos assim) na grade curricular por dois anos. Porém, só precisei de um ano para saber que o número de substantivos neutros no Latim era infinitamente maior do que o da nossa língua. Nem por isso o Latim é fácil de aprender, especialmente porque pega em outras coisas, como as 6 declinações para substantivos.

        Mas, sem mudar o nosso sistema, nossa língua poderia ser simplificada de duas formas: ou desneutralizar todos os substantivos (e, assim, criar palavras como “atleto”, “especialisto” e outras), ou neutralizar todos com essa terminação em “e”. De qualquer jeito, haveria chiadeira. Mas, como você bem nota, essas mudanças não são plausíveis hoje. Quem muda a língua é o povo, e o povo tem uma criatividade fantástica. Quem diz que não podemos usar, daqui uns anos, “adolescento” e “adolescenta”, por exemplo? Criaríamos bem menos polêmicas assim.

        O que eu quero fazer compreender aqui, Ayan, é que é muito complicado a gente chamar algo de “palhaçada linguística” só por critério estético. Alguns ainda poderiam dizer “ah, mas aí não teremos mais língua, falaríamos só em grunhidos”. Só que isso é o que dizem há muito tempo. Sabe aquela leitura que eu te indiquei no Facebook? Pois é, aquele livro deve ter sido publicado há cem anos, quando ainda se escrevia “êle”, “cousas” e outras coisas da velha regra pré-primeiro Acordo Ortográfico. Ainda assim, mesmo com uma língua mais próxima do português de Portugal, havia na redação a que se reporta Isaías Caminha o Lobo, um purista gramatical fundamentalista fanático que reclamava dos “grunhidos” que este “povinho” falava. E por quê? Porque “não lhe agradava aos ouvidos”.

        Não sei se estou me fazendo muito claro, mas o que quero dizer é que não devemos receber essas mudanças sempre como “marxismo cultural do PT”, pois algumas delas já até ocorreram. Tripudiar em cima das mudanças da língua é demonstrar falta de maturidade para compreender o fenômeno linguístico. As mudanças ocorrem naturalmente. Nem por isso vamos deixar de ter regras universais da Língua Portuguesa. O único que vai acontecer é abrirmos um pouco mais a nossa língua, o que é fenomenal do ponto de vista lexical, rs.

    • IMNSHO, mudanças nos idiomas ao longo do tempo NUNCA são “naturais” 😛 Algum dia, alguém DECIDE fazer uma mudança. Às vezes essa mudança é aceita pela maioria e se transforma numa nova regra, às vezes essa mudança proposta é rejeitada e ignorada, ficando no máximo documentada historicamente. A título de exemplo, sou do tempo em que o verbo *extrapolar* NÃO ERA sinônimo de “exagerar” ou “passar dos limites”. E eu acho sumamente horrível a palavra “des-in-compatiblizar”, quando um simples *compatibilizar* seria mais do que suficientemente claro. 😉 Mas tudo bem, devemos agradecer às nossas faculdades de jornaleirismo, certo? 😛 BTW, procure conhecer como surgiu o som “grasseyé” (vibrante gutural) da letra *R* na língua francesa, de acordo com as antigas edições da Encyclopaedia Britannica. 😉

      E no caso das tais reformas ortográficas, a coisa acaba sendo IMPOSTA mesmo. Junto com o Silveira Bueno e outros, ainda prefiro a orthographia etymológica pré-1943. “Simplificações” em casos assim funcionam mais é como demagogia, e serve para nivelar a educação por baixo >_< Os comunistas "simplificaram" o chinês escrito, e o ditador Mustafa Kemal trocou o alfabeto árabe por letras romanas no idioma turco. Hummm, em 1943, Getulio Vargas era o ditador do Brasil. Pode me chamar de super-paranóico, mas são coincidências demais pro meu gôsto.

      • Concordo com quase tudo, mas apenas me responda uma coisa sobre isso. Você disse:
        “E no caso das tais reformas ortográficas, a coisa acaba sendo IMPOSTA mesmo. Junto com o Silveira Bueno e outros, ainda prefiro a orthographia etymológica pré-1943. “Simplificações” em casos assim funcionam mais é como demagogia, e serve para nivelar a educação por baixo”

        Pergunta: qual é a grande diferença entre escrever “elle”, “êle” e “ele”? Qual é o problema dessa simplificação? Qual é o problema em trocar “ph” por “f”? Velho, sério, para com isso.

        Além disso, não é sempre “decisão” de alguém mudar a língua, a não ser que você ache que as diferenças do inglês americano para o britânico, incluindo as diferenças de vocabulário (coisas como “subway” vs “underground” e “chips” vs fries”), sejam frutos de “guerra ideológica”.

        “Hummm, em 1943, Getulio Vargas era o ditador do Brasil. Pode me chamar de super-paranóico, mas são coincidências demais pro meu gosto.”

        Sim, são coincidências, pois os dois acordos, de 1943 e 1971, foram IMPOSTOS ao Brasil por Portugal. Além disso, a ABL é relativamente autônoma nesse tipo de questão.

        ” Os comunistas “simplificaram” o chinês escrito,”

        Imagina se tivessem complicado. Além disso, simplificaram para tornar a língua mais acessível também a estrangeiros. Ah, PS, nem mesmo as pessoas que falam “chinês” falam em “língua chinesa”. Eles preferem conhecer seus dialéticos locais (cantonês e outros) como suas línguas.

      • @ Octavio Henrique, que perguntou:

        «
        Pergunta: qual é a grande diferença entre escrever “elle”, “êle” e “ele”? Qual é o problema dessa simplificação? Qual é o problema em trocar “ph” por “f”?
        »

        O problema é que, com essas “bem-intencionadas” simplificações, fica muito mais fácil NÃO-perceber que as línguas IN-VOLUEM, em vez de “evoluírem”. 😉 Significa também que as pessoas querem ficar ainda mais cegas para um dos grandes problemas dos sistemas de escrita adotados no Ocidente — a falta de correspondência biunívoca entre os fonemas e os símbolos que os representam.

        Saudaçoens dextrógyras, reaccionárias e imperialistas. 🙂

      • Então, pelo que eu percebo, basicamente, segundo você, quanto menos semelhanças um fonema tiver com seu grafema, menos evoluída a língua será, ou, melhor dizendo, quanto mais distante for ficando a relação entre “letras faladas” e “letras escritas”, mais a língua vai piorar.

        Bom, vamos aos trabalhos. Primeiro, quando os linguistas falam da “evolução da língua”, não falam em termos de progresso ou regresso (pois isso, em línguas, é super-difícil de medir), mas sim em termos de mudanças que os falantes “impõem” à língua naturalmente.

        Segundo, a sua mentalidade é de gente que crê piamente que a escrita é representação da fala. O problema é que isso é falso. A escrita não foi criada para representar a fala, mas sim para ser uma forma de representar A LÍNGUA graficamente. O problema aí é você querer que um plano representativo da língua represente não a língua, mas um plano que representa a língua de modo diferente. Fantástico, rs.

        Bom, sobre a ABL, é, fato, eles não são adoráveis. Aliás, até Machadão (Machado de Assis) fez cagadas lá, imagine esses caras de hoje.

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