Técnica de propaganda: Comparação positiva com uma alternativa falsa

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Última atualização: 19 de janeiro de 2013 – [Índice de Técnicas][Página Principal]

Quando alguém precisa vender um objeto, tende a lançar uma imagem positiva sobre ele, podendo compará-lo a uma alternativa que na verdade não existe.

O esquerdista Frans de Wall faz isso em seu livro The Age of Empathy. Diz ele:

A direita diz que o ser humano é movido somente por egoísmo, mas vou mostrar que ele também é empático. Meus vários casos de demonstração de empatia na natureza provam que a direita está errada.

O problema é que se a direita realmente tivesse falado que o ser humano “é movido unicamente por egoísmo”, ele teria um caso. Como não tem, inventa a alternativa falsa, para apresentar a sua, que então é positiva.

Vi recentemente em um livro sobre neo-ateísmo, um autor se apresentar desta maneira:

Religiosos dizem que nós não temos moral, que matamos animais por diversão, mas demonstrarei que consigo agir eticamente, ao contrário do que eles dizem.

Em relação à outra alternativa, de fato tudo que ele apresentar é positivo, mas será que é verdade que essa outra alternativa sobre o comportamento dele foi apresentada ou ele está inventando essa alternativa para capitalizar politicamente na comparação?

Esse outro exemplo é típico de comunistas:

A direita diz que nós, esquerdistas, comemos criancinhas, mas podemos mostrar que isso não ocorre.

Bem, se a direita realmente tivesse afirmado que os comunistas “comem criancinhas”, tudo bem, mas não será essa uma alternativa falsa que ele inventou para, na comparação com essa alternativa falsa, projetar uma luz positiva sobre si próprio?

Vamos a estrutura desta técnica:

  • X = alternativa falsa, que de fato nem sequer foi considerada como alternativa, muito menos por seu oponente
  • Y = o que você tenta vender
  • Implementação:  Dizer que “ao invés de X, tenho (ou sou, ou represento) Y”.

Aí fica fácil, pois pode-se inventar absolutamente qualquer valor para X, e depois apresentar Y, que é, obviamente, melhor.

Não confunda esta técnica com o Falso Dilema (onde existe a sugestão de uma escolha entre duas alternativas, que na verdade não são mutuamente auto-excludentes, ou nem mesmo as únicas alternativas),  ou mesmo com Dos Males o Menor (quando duas opções ruins são apresentadas, e uma é selecionada, sendo esta menos ruim que a outra).

Aqui não há escolha, e o propagandista afirma que seu objeto de venda (muitas vezes, ele próprio, ou sua ideologia, ou produto), representado por Y, é muito melhor que X, onde Y de fato existe (ou ao menos é alegado por ele como existente), enquanto que X não existe e nem sequer foi apresentado por qualquer parte.

Enfim, nesta técnica X é inventado para perder na comparação com Y.



Categorias:Propaganda

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8 respostas

  1. Pequena correção: *menos ruim* em vez de “menos pior” (porque “pior” já quer dizer “mais ruim”).

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  2. Pessoas comendo crianças ocorreu na URSS durante o Grande Expurgo e na China durante o Grande Salto, e agora na Coréia do Norte.
    Isso daí é o resultado da fome que gera a política econômica socialista.

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  3. Bem lembrado. É bom sabermos desses fatos, pois podemos usá-los como histórias de horror muito eficientes, como no excelente mini-documentário “Killer Chic”.
    http://youtu.be/9nqncTVPc8k?t=6m19s

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  4. Luciano, o que acha de fazer um índice, uma espécie de anexo, com links para ocorrências de cada uma das técnicas de propaganda/”falácias” descritas aqui? Cada artigo que lermos deles com esses erros poderia ser acrescentado à lista referente a cada uma das técnicas. Divertido e utilíssimo para a desmoralização de farsantes.

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  5. Pode-se dizer que a diferença entre esta técnica e a da falsa dicotomia é simplesmente a de que nesta se tem uma escolha a ser feita e na naquela uma comparação, mas no resto são praticamente iguais?

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