As evidências de que tudo o que o PT diz sobre a mídia é mentira deslavada

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Depois da prisão dos mensaleiros, a vida dos petistas se resume a dizer que estão sendo vítimas de uma grande conspiração por causa da mídia que está toda contra eles. Os tais “Barões da Mídia”, segundo eles, se uniram para tirar o PT do poder. Mas por que eles conspirariam para tirar o PT do poder? Será o PT o partido do bem, que luta contra os homens maus? Será que os homens maus tem como seus representantes os barões da mídia que viveriam para mentir contra o governo, fazendo a opinião pública pedir pela prisão dos mensaleiros? O STF, mesmo com vários ministros indicados por Lula (inclusive Joaquim Barbosa) se tornou um aliado dos homens malvados? A mídia fazia a condenação e o STF lançava as penas? Quando petistas respondem essas questões, sempre se mostram como pobres coitados vítimas dos vilões…

A história do PT, contada por eles, parece a história da Branca de Neve petista contra a Bruxa Má da mídia. Ou mesmo a história do Peter Pan petralha contra o Capitão Gancho da imprensa. E que tal a trajetória do Professor Pardal marxista contra o Professor Gavião do STF? Vítimas da malvadeza de carcarás sanguinolentos, os petistas sempre precisam se safar no final. José Genoíno, por exemplo, pode ser o novo Conde de Monde Cristo.

Mas será que realmente a mídia é tão malvada como os petistas dizem? Será que eles são pessoas inocentes vítimas de homens maus? Neste caso, o ceticismo político tem muito a nos ajudar. A slogan deles, dizendo que “a mídia é inimiga do PT”, é uma alegação que precisa ser testada.

Em um texto delirante e psicótico, o petralha Miguel do Rosário afirma:

O erro da mídia, como sempre, deriva de sua arrogância. Em outros tempos, a mídia conseguiria silenciar Dirceu. Não pode mais fazê-lo. Há um hiato crescente entre o poder de influência da grande mídia sobre setores sociais, como o próprio STF, cujos ministros são altamente vulneráveis à imagem de si que os jornais podem construir ou desconstruir, e o poder desta mesma mídia de silenciar e censurar quem pensa diferente. Antigamente, eles se aliaram à ditadura e efetivamente conseguiram amordaçar os críticos. Hoje não.
A verdade possui o tempo a seu lado. A mentira, não.
Uma das maiores mentiras, por exemplo, é falar na “demora” no julgamento do mensalão. Eram 39 réus! Desde que efetivamente o julgamento começou, ele veio à jato, com tempo curtíssimo para os réus apresentarem suas defesas. Foi um julgamento televisionado em que a acusação tinha 99% do tempo e a defesa menos de 1%. Isso nas instituições públicas. Nos meios de comunicação, a relação era ainda mais desequilibrada, com a acusação com 99,99% e a defesa com menos de 0,001%.

Note que eu não exagerei. Para os petistas exacerbados, a mente dos ministros do STR foi “moldada” pela mídia malvada, no estilo dos vilões Disney, para derrubar o PT. Com isso, a mídia selecionaria as notícias para prejudicar o PT, e esconderia as que ajudassem o partido.

Miguel de Rosário apenas repete os discursos bate-estaca que o partido lhe orientou a proferir. Repetidas em estilo minimalista, podem até levar os leitores do Brasil247 ao transe. Mas novamente preciso repetir: são alegações que precisam ser testadas.

E como podemos fazer o teste? A coisa é simples até demais: podemos “fotografar” as principais notícias da mídia em períodos específicos de tempo, e avaliar se existe o favorecimento alegado pelo PT. E, ao mesmo tempo, podemos “fotografar” órgãos de mídia que eles consideram “isentos”, e comparar com as mídias que eles condenam. Assim teríamos dois grupos de controle:

  1. Entidades de mídia alegada pelo PT como não-idôneas, como Globo, Folha de São Paulo, Terra e UOL
  2. Entidades de mídia tratadas pelo PT como idôneas, como o blog Brasil247 e a revista Carta Capital

Testes da amostra 1 – A mídia “vilã” contra o “mocinho” PT

Entre as 19:40 e 19:50 de ontem, 19/11, resolvi passar por alguns órgãos da mídia que compõem a amostra 1, aquela na qual os itens sob teste seriam “órgãos da mídia malevolentes, que vivem selecionando notícias para derrubar o PT”, na alegação da extrema-esquerda. Segundo Rosário disse pouco antes: “Nos meios de comunicação, a relação era ainda mais desequilibrada, com a acusação com 99,99% e a defesa com menos de 0,001%”.

Vamos começar com o primeiro item de teste:

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Este é o primeiro bloco de notícias do item 1 (Globo). Constitui todas as notícias de destaque daquela hora para o assunto Mensalão. Vemos quatro notícias, sendo que 3 delas (incluindo a manchete) favoráveis ao PT, e uma delas contra. Digo “favoráveis” pois trazem aspectos de notícias que ajudam o PT. Exemplo: duas das notícias falam de protestos de petistas contra a condenação, dando mais voz a pessoas do PT do que a oponentes do PT. Por que não tivemos duas manchetes dando voz a pessoas pedindo a prisão de mensaleiros? Enfim, ao menos quanto ao Globo, parece que este item (O Globo) da amostra não confirma a hipótese petista de que “a mídia está contra o PT”.

Façamos outro teste:

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Este é o UOL. Matérias como “Genoíno pede transferência para SP”, “Alves: Câmara não foi informada de prisão” e “Prestes a ser preso. C. Neto vai à Câmara” são claramente neutras. Há uma notícia, “Para Marco Aurélio, Lula sabia do mensalão” que realmente prejudica o PT. Mas a manchete principal (sobre o “estado grave” de Genoíno) e a crítica do vice da Câmara (que é do PT, aspecto omitido da manchete) contra Barbosa dão mais voz ao PT que a seus adversários. No geral, assim como no Globo, temos mais um item de teste com comportamento que mais beneficia que prejudica o PT.

Mais um:

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Este é o site da Terra. A manchete realmente não ajuda o PT. É a primeira das manchetes onde o PT sai perdendo. Na manchete, Pizzolato é tratado como ele é: um bandido procurado em vários países. Entretanto notícias como “PF: Genoíno pode usar tornozeleira” e “Não aceitamos humilhação” ajudam o PT. Ainda temos o convite de Romário a Joaquim Barbosa, que é uma notícia neutra. Até o momento, no Terra, temos o primeiro item de teste que se situa em um aspecto difícil de rotular. Não é nem contra, nem a favor do PT.

Vamos ao quarto item:

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Na Folha De São Paulo, acreditem se quiser, o PT obtem um resultado surpreendentemente favorável. A manchete ajuda o PT, e a outra notícia de destaque também. Duas notícias ao final são neutras, mas as outras três ajudam o PT. Devemos testar outros dias, é claro, mas em 19/11 a Folha foi o jornal mais favorável ao PT até o momento.

Para concluir este primeiro teste, o quinto item:

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Este foi o Estadão. Para quem diz que o Estadão é um jornal “de centro” e a Folha um jornal “de direita”, outra surpresa. O comportamento do Estadão é praticamente igual ao da Folha, só que de uma maneira mais extremada no apoio ao PT.

Ao que parece, ao menos nesta amostra de 5 elementos, os itens de teste mostram que a mídia favorece o PT nas notícias a respeito do Mensalão. Não há favorecimentos exacerbados, ao que parece, pois os grandes órgãos de mídia pretendem atender à toda população, sejam petistas ou não-petistas. Justifica-se: eles vendem anúncios e precisam atingir um número muito grande de leitores. Se fossem publicações somente para petistas, ou somente para anti-petistas, obviamente perderiam grande parte do público.

A tese da “mídia malvada” do PT é comprovadamente falsa.

Mas vamos seguir com o teste de dois organismos de mídia, que, segundo os petistas, “não são parte da mídia malvada”.

Testes da amostra 2 – Órgãos de mídia que, segundo os petistas, são idôneos e imparciais

Usarei dois itens de teste aqui. O primeiro é o blog Brasil247, que estampava a seguinte imagem em sua capa, as 23:14 de 19/11:

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Quem já leu o livro “Image Bite Politics”, entende o recurso usado acima. Sempre alguém da oposição é mostrado em imagens fazendo expressões de tensão. Enquanto isso, pessoas do PT são mostradas fazendo expressões de relaxamento. Claro que todos usam expressões de tensão e relaxamento durante o dia, mas quem visualiza a imagem acima entende que “Barbosa está sob pressão por ter tomado uma decisão ruim” ou que “A hora de Barbosa vai chegar”. Enfim, o Brasil247 é pego usando um truque de propaganda política que só seria cabível em campanhas políticas.

Veja agora todas as notícias publicadas em 19/11:

  • “Juristas e intelectuais gritam contra AI-5 de JB”
  • “Romário põe julgamento da AP 470 na marca do pênalti”
  • “Barbosa determina pena alternativa a não-petistas”
  • “PGR começa a desfazer erro crasso de Barbosa”
  • “Jorge Viana condena ‘ação espetaculosa” de prisões”
  • “Aécio rebate petistas: ‘Não foi um julgamento político'”
  • “Carta da prisão: ‘Não aceitaremos humilhação'”
  • “IML diz que Genoino é ‘paciente com doença grave'”
  • “Guimarães cobra mesmo rigor para propinoduto tucano”
  • “Falcão vê Genoino na Papuda e pede domiciliar”
  • “Para Vargas, Barbosa cometeu ato ilegal”
  • “Marco Aurélio volta a criticar prisões da Ação Penal 470”

Agora, a tendência moderada de apoio ao PT, vista nos itens de teste da amostra 1 (aquela acusada pelo PT de ser contra ele) se transforma em um verdadeiro linchamento daqueles que o PT não gosta. Com exceção de uma mísera notícia citando a declaração de Aécio Neves, vemos um verdadeiro massacre a favor do PT.

Mais um item da amostra 2, agora mostrando as notícias da página inicial do site da Carta Capital de 19/11:

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Aqui não tem o que discutir. Embora em uma visão aparentemente mais polida do que o Brasil247, a Carta Capital só publica notícias que tenham a perspectiva do PT, e só favoreçam o partido.

O que podemos tirar da análise da amostra 2, que seria a “mídia idônea”, na visão do PT? No primeiro caso (Brasil247) temos um órgão estatal que fala para petistas, pois depende principalmente de anúncios de estatais. Isso explica seu estilo mais estridente, focado em baixarias. Já o item 2 (Carta Capital) tenta se arvorar a uma publicação de maior escala como Veja e Época, mas não passa de uma publicação governista.

As duas publicações, no entanto, em uma mera análise de suas notícias e manchetes, não podem ser definidas como “tendendo para o lado do PT”. Isso seria um eufemismo infantil. Ambas as publicações são na verdade órgãos do governo petista, travestidas de órgãos de notícia para o público.

Bônus: O teste da Revista Veja

Para tornar esta investigação ainda mais interessante resolvi inclui um “teste” adicional”, visto no site de Rodrigo Constantino. Resolvi escolher a mãe de todas as abominações, na visão dos petistas. Basicamente, para eles, é Satanás no inferno, e a Revista Veja na Terra.

Aqui eu não preciso fazer nada, pois o Rodrigo Constantino fez o serviço no ótimo texto “As capas de Veja na era FHC OU Como o PT é bom aluno de Goebbels”, que reproduzo em parte aqui:

Falei aqui sobre a grande “isenção” da revista Carta Capital, que foi falar de rã em vez de falar da prisão dos mensaleiros petistas. Os esquerdistas que adoram esse blog fizeram a única coisa que sabem fazer: atacaram para se defender. Acusaram a Veja, que abriga meu blog, de ser parcial também. A isenção não passaria de um mito, e assim todos são igualmente culpados.

É o sonho de todo sujeito parcial, vendido, chapa-branca: a ideia de que todos são como ele. Repararam que muitos petistas “defendem” o PT, desde 2005, alegando que o partido é “apenas” como os demais? Seria patético, se fosse verdade. Mas é mentira. O PT é muito pior. Assim como certas revistas são totalmente enviesadas, enquanto outras não.

Para ilustrar aquilo que mais de um milhão de assinantes já sabem, segue uma amostra de capas da Veja durante o período FHC, tratando do tema corrupção ou de crise de governo. Depois, o leitor é convidado a refletir se essa outra revista faria o mesmo, no caso do PT estar no poder (não é preciso refletir, basta olhar para trás).

Seguem as evidências:

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Constantino conclui:

Como podemos ver, a Veja não poupou o ex-presidente FHC, seu governo, seus ministros, seus aliados, seus homens de confiança. O tema corrupção mereceu várias capas. Nada disso impediu que os petistas criassem o mito de que, se há a imprensa chapa-branca pró-PT hoje, a Veja era o ícone chapa-branca ontem, na era tucana.

A revista não tem culpa se os escândalos aumentaram muito na era do PT, se ganharam dimensão impressionante, se finalmente mensaleiros foram presos, se houve uma tentativa de golpe em nossa democracia, etc. Atacar a Veja é acusar o mensageiro para ignorar a notícia.

Assim funciona o PT: mentindo, inventando, acusando os outros daquilo que ele próprio faz. Nem a Veja era tucana, nem os tucanos são de direita ou liberais. Mas uma mentira repetida mil vezes…

Como se observa, a afirmação de que a Revista Veja é uma inimiga do PT também vai por água abaixo. Ao que parece, no máximo a Veja é uma publicação especializada em pegar pesado contra corrupções no governo, especialmente no governo federal. Parece que ela sabe que essa sua especialização ajuda a publicação a manter-se como a maior revista de notícias do Brasil.

Enfim, a maior publicação de notícias do Brasil, especializada em noticiar corrupções do governo federal, é a mais imparcial das publicações tratadas aqui até o momento. Por sua idoneidade, ela é odiada pelo PT.

Conclusão

Se juntarmos as evidências que incluem as capas de Veja (que os petistas odeiam), e a análise das páginas de notícias dos sites das publicações que os petistas recriminam, e daqueles que os petistas recomendam, podemos tirar as seguintes constatações óbvias:

  • Alegações como “o mensalão foi uma criação da mídia” e “o STF somente puniu os mensaleiros por causa de ‘pressão da mídia'” são mais falsas que menstruação de travesti. O PT foi punido em um ambiente onde as publicações de larga escala dão claramente espaço à oposição e à situação.
  • A afirmação de que “a mídia está contra o PT” também é flagrantemente falsa. Na verdade, a mídia, em geral, tende a favorecer o PT, mas nas publicações de larga escala este favorecimento é tímido, para evitar perda de audiência e a tentativa de se atingir um público vasto (por causa de anúncios com base no mercado). A verdade é que a mídia, em geral, tem ajudado o PT. Só que no caso do mensalão as evidências eram tão grandes que essa ajuda não foi o suficiente.
  • Publicações que se baseiam em anúncios do governo (ao invés de anúncios com base principalmente no mercado) tem maior chance de se tornarem porta vozes do governo, ao invés de publicações de mídia que reflitam os anseios de notícia da grande massa. Estas publicações, que o PT chama de “idôneas” e “imparciais”, são evidentemente parciais pró-governo, sob qualquer teste científico que fizermos.
  • Quando o PT reclama da mídia, na verdade vemos que ele reclama do fato da mídia aberta (ao invés da mídia estatal) não ser tão acintosa em seu apoio ao governo quanto ele gostaria.
  • Quando o PT pede “lei de mídia”, quer, na verdade, enfraquecer as organizações que atendem aos anseios de notícia do povo e atuam com base nas regras do livre mercado (de anúncios).
  • Quando o PT diz que a “lei de mídia” vai trazer pluralidade, sabemos que eles estão mentindo, pois os órgãos que eles chamam de “hegemônicos” ou “monopolistas” são muito mais plurais do que os pequenos órgãos que se submetem ao governo.

Quando eu falo de ceticismo político, é disso que estou falando. Uma alegação política é toda alegação que, se aceita, dá vantagem a seu oponente político.

Quanto mais pessoas acreditarem em mentiras como “a mídia está unida contra o governo” ou “uma lei de mídia precisa surgir para enfim termos pluralidade”, mais chances o PT tem de se beneficiar de uma lei que eles defendem para enfim acabar com a liberdade de imprensa.

Esse é o “cui bono?” do PT para viver mentindo para a população propagando o mito da “mídia que se uniu para derrubar o governo”, quando na verdade isso jamais aconteceu.

Por causa da estratégia gramsciana, temos muitos petistas na grande mídia, mas não o suficiente para calar opositores ou dissidentes do PT. O que irrita o PT é a pluralidade dos meios de comunicação.

A partir de agora, sempre que vir um petista vir com a ladainha dizendo que “precisa de lei de mídia para ter pluralidade” e que “a mídia da elite é contra o governo”, você já está moralmente legitimado a chamá-lo de mentiroso e safado. Este post serviu para que você tenha as provas da baixeza moral dos petralhas enquanto usam esse tipo de discurso, que, doravante, não tem mais justificativa racional para existir.

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13 COMMENTS

  1. Talvez petistas sejam dotados de uma inteligencia e um potencial cognitivo acima da média, quase uma paranormalidade, e isso explicaria porque apenas eles conseguem ver uma “conspiração da mídia” que pra nós parece existir apenas numa realidade paralela, inacessível pelos nossos limitados sentidos. Paradoxalmente, isso não impediu que seus militantes fossem mais conhecidos por suas ações primitivas (quebradeiras, manifestações violentas) e seus líderes acabassem desmascarados e presos.

  2. Prezado,

    Apenas recentemente, quando encontrei o seu blog, comecei a entender como pensa o cérebro de um esquerdista fanático. Portanto não me considero com autoridade para opinar sobre um assunto que apenas há poucos meses estou me inteirando. Por isso antecipadamente me desculpo por quaisquer equívocos no que esou expondo aqui.

    Me pergunto se não nos falta, a nós, que formamos a verdadeira oposição ao movimento esquerdista, algo além da verdade dos fatos para convencer as pessoas.

    Divulgar os fatos é MESMO muito importante, mas, caso meu entendimento esteja correto, não é suficiente. Precisamos criar um “frame” poderoso que se contraponha ao “frame” que, a meu entender, está sendo cuidadosamente montado pelas esquerdas para colocar a opinião pública favorável à censura á imprensa.

    Por sugestão sua, estou lendo Lakoff (Don’t think of an elephant) e, no início do livro ele fala que um dos erros dos “progressistas” – estou só mantendo o termo que ele usa – foi acreditar que, para as pessoas, bastava apenas mostrar os fatos, que elas veriam a verdade. Ao que ele, com base no seu conhecimento de neurolinguística, se contrapões, afirmando que isso é um erro. Explica que isso acontece porque as pessoas não mudam seus conceitos apenas com os fatos. Conceitos, como você sempre enfatiza, são construídos, não apenas com fatos, mas com “frames”.

    Com base nessa premissa, me pergunto se o que as esquerdas, lideradas pelo PT estão fazendo com essa choradeira sobre a prisão dos condenados, não é exatamente o que Lakoff aconselha, isto é, estão construindo um “frame” que a curto prazo – mais uma vez – os ajudará a, como se diz, transformar o limão da exposição pública de todas as suas trapaças, inclusive a confirmação de sua corrupção, conforme demonstrada pela condenação dos principais mensaleiros, na limonada da censura à imprensa, ao incutir, na cabeça da população mais desinformada, com a ajuda da poderosa cadeia de midiáticos chapa-branca que eles têm nas mãos, a “malignidade” da imprensa livre,

    Por outro lado, caso nos limitemos puramente à divulgação dos fatos, como expostos neste post, não estaremos repetindo o que Lakoff afirma ter sido o erro dos “progressistas” (na época em que o livreto “Don’think . . .” fora escrito)?

    Por isso, sou de opinião que, além de divulgar os fatos, pensemos na construção de um frame tão poderoso quanto o que a choradeira que as esquerdas estão fazendo com a exploração sentimental pela exposição do “sofrimento” de familiares e das dificuldades vividas na cadeia dos políticos presos (banhos frios, problemas de saúde, compartilhamento das celas etc. além da terrível “injustiça” de terem sido condenados “só” porque desviaram dinheiro do povo para o Partidão.

    Sds,
    PR

  3. Concordo em tudo, mas no que concerne à Veja, minha visão é esta: a linha editorial da revista mudou muito com o passar do tempo. Quem lia Veja há 20 anos atrás e a lê hoje, sabe que não é a mesma revista! E isso não é desproposital. A perda de qualidade é notória. Meu entendimento resumido é de que a Veja se tornou o nosso “tea party”. Ela existe para ser odiada por todos os espectros da esquerda, incluindo os mais ingênuos e “light”. Ou seja, ela serve para que toda a esquerda diga e pense: vejam como vocês – a direita são fascistas, violentos, radicais. Ao mesmo tempo, a Veja serve como uma “válvula de escape” para a direita, no seguinte sentido: não há ( quase) políticos, nem partidos, nem intelectuais de direita. Também não há (quase) mídia de direita, como foi mostrado acima. Mas há uma enorme população conservadora. Para essa, foi feita a Veja dos nossos dias, para que ela receba a Veja semanalmente, fique alegrinha e ache que “seus problemas acabaram”, como diziz o pessoal do Casseta & Planeta. Por isso faço a comparação com o Tea Party, pois lá acontece a mesma coisa: o Partido Republicano se tornou um partido de direita fake, uma direita biônica ( é claro, não tanto como a daqui). Se os democratas não põe em prática a agenda da nova ordem, os republicanos a colocarão (conforme a “estratégia das tesouras”). Para que os conservadores americanos tenham sua válvula de escape, criou-se o Tea Party. O pensamento por taz disso é: “deixe-mos que eles gritem, mas lá dentro; estigmatizemo-os como radicais; enquanto isso, façamos o que queremos”.

    • Rodrigo, me desculpe, mas há vários furos no seu discurso. Vejamos…

      Concordo em tudo, mas no que concerne à Veja, minha visão é esta: a linha editorial da revista mudou muito com o passar do tempo. Quem lia Veja há 20 anos atrás e a lê hoje, sabe que não é a mesma revista! E isso não é desproposital. A perda de qualidade é notória. Meu entendimento resumido é de que a Veja se tornou o nosso “tea party”. Ela existe para ser odiada por todos os espectros da esquerda, incluindo os mais ingênuos e “light”.

      Eu leio a Revista Veja e não vejo esses elementos de publicação “para ser odiada por todos os espectros da esquerda”.

      Você consegue fazer uma avaliação com evidências disso que você está falando?

      Outro ponto: “Tea Party” só é “odiado por todos os espectros da esquerda” no discurso do Partido Democrata e seus seguidores, que hoje são de extrema-esquerda. Então, você precisa demonstrar também o que fala sobre o Tea Party.

      Ou seja, ela serve para que toda a esquerda diga e pense: vejam como vocês – a direita são fascistas, violentos, radicais.

      Demonstre os seguintes elementos em Tea Party e Veja:

      – fascismo
      – violência
      – radicalismo

      Ao mesmo tempo, a Veja serve como uma “válvula de escape” para a direita, no seguinte sentido: não há ( quase) políticos, nem partidos, nem intelectuais de direita. Também não há (quase) mídia de direita, como foi mostrado acima. Mas há uma enorme população conservadora. Para essa, foi feita a Veja dos nossos dias, para que ela receba a Veja semanalmente, fique alegrinha e ache que “seus problemas acabaram”, como diziz o pessoal do Casseta & Planeta.

      Engraçado, pois quase todos os artigos da Veja atacam a visão conservadora de mundo. E, pior, eles APÓIAM o Partido Democrata contra o Partido Republicano. é por isso que precisamos de evidências, como as que eu fiz neste artigo, antes de tantar fazer alegações sobre o mundo. O que você diz, tanto sobre o Tea Party, como sobre a Revista Veja, não fazem o menor sentido. Pior: não há uma evidência para o que você diz.

      Por isso faço a comparação com o Tea Party, pois lá acontece a mesma coisa: o Partido Republicano se tornou um partido de direita fake, uma direita biônica ( é claro, não tanto como a daqui). Se os democratas não põe em prática a agenda da nova ordem, os republicanos a colocarão (conforme a “estratégia das tesouras”). Para que os conservadores americanos tenham sua válvula de escape, criou-se o Tea Party. O pensamento por taz disso é: “deixe-mos que eles gritem, mas lá dentro; estigmatizemo-os como radicais; enquanto isso, façamos o que queremos”.

      Agora eu entendi por que antes seu discurso sobre o Tea Party e a Revista Veja não faziam sentido. Quando se toma por base teorias de conspiração, que dificilmente são sustentadas por evidências, fabricam-se realidades onde “o Tea Party é um movimento radical” ou “A Revista Veja é de direita”. No fundo, isso é sempre uma forma de que a direita esconda sua incompetência no jogo político.

      A regra é simples: ou a direita assume que é incompetente no jogo político, e luta para recuperar o tempo perdido, ou fabrica respostas em sua mente, todas falsas, para justificar sua incompetência.

      Enfim: O Tea Party é um movimento de direita moderado, que pede coisas básicas, como redução de impostos, responsabilidade individual, etc. A Revista Veja é uma publicação que apóia o partido democrata, mas dá às vezes voz a algumas pessoas de direita. Isso amplia seu espectro de leitores.

      Todas as rotulagens feitas quanto ao Tea Party, fabricadas pela extrema-esquerda (do Partido Democrata), não passam de truque.

      Abs,

      LH

      • Caro Luciano. Você tem razão quando diz que as rotulagens que faço possam estar erradas. Além disso, você também tem razão quando percebe que o meu raciocínio é completamente embasado no que o senso comum chama hoje de “teoria da conspiração”. É difícil falar sobre um assunto dessa envergadura e é fácil desacreditar o “teórico da conspiração”, porque a teoria parece estar fora da realidade. Mas isto, se deve ao fato de que há um marketing pesado, em nível mundial, que serve exatamente para que a “teoria da conspiração” pareça ser algo fora da realidade. Por isso, dificilmente falo ou escrevo coisas como a que escrevi acima: quase ninguém vai dar ouvidos. Restrinjo-me a estudar e quase nunca falo.Além disso, não tenho a paciência e a destreza que você tem para tratar de assuntos políticos. Por outro lado, eu as invejo, admiro e meus votos são os de que você continue fazendo o trabalho que faz da maneira como faz. Não havendo o trabalho de pessoas como você, nossa sociedade tende a caminhar para a idiotização absoluta, ou para a loucura. Enfim, recoloco a minha visão de forma resumida: o movimento esquerdista é mundial, os valores morais, o modo de fazer política, tudo, está mudando de maneira proposital. Sugiro, apenas, que atentem para isso. Abraço.

  4. Na verdade essa mentalidade dos petistas até que faz bastante sentido (partindo de uma premissa falsa, claro). Se eles são tão justos, bons e iluminados quanto pensam, obrigatoriamente as únicas opiniões realistas e isentas são aquelas que retratam suas qualidades.

  5. A *imprensa golpista* sempre foi EXTREMAMENTE BOAZINHA com lula e com o pt. Claro! Quase TODOS os reporteres sao esquerdistas de carteirinha, sem se dar conte que o dia em que o golpe final for implantado perderao seus empregos. Na maioria sao debeis mentais, canalhas ou inoventes uteis.
    (desculpe a falta de acentos)

  6. Comenta ai que to com sangue muito quente.
    “Vejam como os militantes pré-pagos do PT hostilizam a imprensa e o único cidadão (jaqueta marrom) ”

  7. Lógica da histeria

    Escrito por Olavo de Carvalho | 19 Novembro 2013
    Artigos – Movimento Revolucionário

    Lançar as próprias culpas sobre os outros é, no psicopata, um instinto inato e uma das bases do seu poder pessoal. No histérico, é um hábito adquirido, um reflexo defensivo e um instrumento de integração na comunidade protetora. Nos psicopatas, é uma força. Nos histéricos, um sinal de fraqueza.

    Sendo impossível o socialismo perfeito, suas sucessivas encarnações imperfeitas serão sempre e necessariamente consideradas “direitistas” em comparação com suas versões ideais futuras, de modo que a culpa de seus crimes e misérias terá de ser imputada automaticamente à direita, ao capitalismo, aos malditos liberais e conservadores. Do fundo do Gulag, do cemitério ou do exílio, estes serão sempre os autores do mal que os comunistas fizeram.

    Isso é um dos preceitos mais essenciais e constantes da lógica revolucionária. Ele corresponde, na prática, ao direito ilimitado de delinqüir, de roubar, de matar e de produzir toda sorte de horrores e misérias, com a garantia não só da impunidade mas de uma consciência eternamente limpa, tanto mais pronta a levantar o dedo acusador quanto maiores são as culpas objetivas que carrega.

    É impossível não perceber a identidade cabal entre esse vício estrutural de pensamento e o traço mais característico da mentalidade psicopática, que é a ausência de culpa ou arrependimento, o cinismo perfeito de quem se sente uma vítima inocente no instante mesmo em que se esmera na violência, na mentira e na crueldade.

    Os psicopatas não são doentes mentais nem pessoas incapacitadas. São homens inteligentes e astutos sem consciência moral. São criminosos por vocação. Os únicos sentimentos morais que têm são o culto da própria grandeza e a autopiedade: as duas formas, ativa e passiva, do amor-próprio levado às suas últimas conseqüências.

    Eles não têm sentimentos morais, mas sabem percebê-los e produzi-los nos outros, sobre os quais adquirem assim o poder de um super-ego dominador e manipulador que neutraliza as funções normais da consciência individual e as substitui por cacoetes de percepção, coletivos e uniformes, favoráveis aos objetivos da política psicopática.

    Só por isso não se pode dizer que todos os líderes e intelectuais comunistas sejam psicopatas. Como observou o psiquiatra Andrew Lobaczewski no seu estudo da elite comunista polonesa, um pequeno grupo de psicopatas basta para atrair um vasto círculo de colaboradores e militantes e instilar neles todos os sintomas de uma falsificação histérica da percepção. O histérico não crê naquilo que vê, mas naquilo que diz e repete. Sua experiência direta da realidade é substituída por uma padronização compulsiva que enxerga sempre as coisas pelos mesmos ângulos e não consegue nem imaginar que possam ser vistas de outro modo: a mera tentação de fazê-lo, mesmo por instantes, é reprimida automaticamente ou repelida com horror.

    Só um pequeno círculo no topo do movimento comunista compõe-se de psicopatas autênticos. A maioria, do segundo escalão para baixo, é de histéricos. Erik von Kuenhelt-Leddihin documentou extensamente o papel da histeria na militância esquerdista em geral, mas Lobaczewski descobriu que essa histeria não é “causa sui”: é produto da influência penetrante e quase irresistível que os psicopatas exercem sobre as mentes fracas, trocando a sua percepção natural do mundo e de si mesmas por uma “segunda realidade” — para usar o termo de Robert Musil – da qual só podem emergir por um salto intuitivo atemorizador e humilhante que lhes custará, ademais, a perda dos laços de solidariedade grupal, base da sua precária subsistência psicológica.

    Lançar as próprias culpas sobre os outros é, no psicopata, um instinto inato e uma das bases do seu poder pessoal. No histérico, é um hábito adquirido, um reflexo defensivo e um instrumento de integração na comunidade protetora. Nos psicopatas, é uma força. Nos histéricos, um sinal de fraqueza. Não espanta que os primeiros façam uso dele com astúcia e comedimento, os segundos com total destempero, levando a invencionice até o último limite do ridículo e da alucinação.

    Mas o dr. Lobaczewski vai um pouco mais fundo na análise do fenômeno. Quando a militância orientada pelos psicopatas sobe à condição de poder político e cultural hegemônico, a deformação histérica torna-se o modo dominante de pensar e se alastra por toda a sociedade, infectando até grupos e indivíduos alheios ou hostis ao movimento revolucionário.

    Daí a contaminação da linguagem de comentaristas “de direita” pela mágica histérica de tentar inverter as proporções da realidade mediante a simples inversão das palavras. Quando proclamam que Lula ou Dilma são “de direita”, os srs. José Nêumanne Pinto e Demétrio Magnoli, homens insuspeitos de colaboração consciente com o “establishment” esquerdista, só provam que foram vítimas inconscientes dessa contaminação. Por definição, todo governo “de transição” para o socialismo é menos socialista, portanto mais direitista, do que o seu sucessor esperado, assim como todo socialismo real é menos socialista e mais “direitista” do que qualquer socialismo ideal. Ver nisso a prova de um direitismo substantivo, transmutando uma diferença de grau numa identidade de essências é um erro lógico tão grosseiro que só faz sentido como mentira psicopática ou macaqueação histérica. O psicopata vive de criar impressões, o histérico de absorvê-las, imitá-las e propagá-las. Os srs. Nêumanne e Magnoli querem dar a impressão de que o petismo é mau. Para isso, absorvem, imitam e propagam o estereótipo verbal criado por psicopatas comunistas para salvar automaticamente a reputação da esquerda após cada novo fiasco, de modo que ela possa repeti-lo de novo e de novo. Combatem o petismo de hoje fomentando o petismo de amanhã.

    Publicado no Diário do Comércio.

  8. Excelente artigo !!
    Já tinha gostado e compartilhado o artigo do Rodrigo Constantino, mas o seu matou a pau !!
    Escancarou a falsidade do PT !

    Parabéns !

  9. De todos as suas análises, essa sem dúvidas essa foi a que me trouxe mais perplexidade em relação a mentalidade doentia do esquerdismo. Eu fico até mais tentado a partir para uma “generalização” do comportamento da esquerda, algo que eu normalmente rejeito profundamente.

    No entanto, eu tenho percebido que, no que se refere a suposta oposição que alegam existir entre PSDB e PT, eu não visto explicitamente em seus textos que isso não passa de outro grande engodo.

    A meu ver toda essa confusão que predomina há décadas no principal palco político nacional não passa da maior cortina de fumaça de todos os tempos, como nunca antes na história do Brasil, e devido a importância desse tema, eu gostaria de saber se além desse link abaixo se existem outros onde você trata especificamente do pseudo-conflito entre essas duas máfias, ou se você considera esse tema meramente lateral a proposta do blog.

    http://lucianoayan.com/2012/01/09/estrategia-de-esquerda-esquerdismo-invisivel/

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