Guerra política 2014 – 1 – Falando ao coração

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Começa aqui a série de “bits”, que farei sempre que achar relevante, até o fim das eleições deste ano. O objetivo é utilizar exemplos do cotidiano, além de trazer lições breves, que podem ser assimiladas pela oposição.

Com esse conteúdo aqui pode-se fazer pressão sobre os políticos de oposição (especialmente aqueles do PSDB, no caso da eleição presidencial) para que eles sejam obrigados a corrigir sua postura na guerra política.

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Nossa ação na guerra política deve ser similar à de torcedores de futebol. Nosso poderio de cobrança em cima de dirigentes, técnicos e jogadores é o maior potencializador de resultados, mais do que a vontade dos próprios indivíduos que estão lá.

Como eles não podem sofrer sanções diretas (como uma demissão de imediato por falta de resultados ou insubordinação), precisam sofrer pressões contínua que venham do mundo exterior. Assim, nós temos que começar a nos questionar em relação ao nosso potencial de pressão em cima destes políticos.

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Exemplo de pressão: David Horowitz acabou de lançar livro Take No Prisoners, que é uma verdadeira paulada em termos de aula de guerra política. Claro que ele será melhor assimilado para quem já adentrou ao mundo da guerra política. Neste caso, é mais importante ainda ler antes A Arte da Guerra Política, panfleto do mesmo autor, que foi traduzido neste blog. Seguem os links:

Perguntas que podemos fazer a estes políticos: Seus assessores tem lhe orientado a respeito deste tipo de princípio? O quanto você conhece desse tipo de estratégia política? Caso você não conheça, você acha que é um direito moral ignorar este tipo de conhecimento em um período tão crítico da história do Brasil, onde temos um grupo (petistas)  com foco em implementar totalitarismo?

Estes são exemplos de questionamentos que podem ser feitos por telefone, e-mail ou mesmo presencialmente. Exatamente da mesma forma que torcedores de futebol questionam dirigentes, técnicos e torcedores.

Lembre-se de como o mundo caiu em cima de Felipão por causa de suas decisões erradas. Não há motivos para não fazermos o mesmo em direção aos políticos profissionais.

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Uma lição de Howoritz é tão básica que em seu site há até uma seção chamada Go for the Heart, para a qual ele também escreveu um panfleto.

Para um candidato, a lição é tão básica que pode ser explicada com um questionamento: você tem constantemente gasto a maior parte de seu tempo de discurso falando sobre como suas propostas vão afetar a segurança, saúde, educação e o dinheiro no bolso de seus eleitores de forma positiva, e de como as propostas (e realizações) de seus oponentes afetarão estes mesmos fatores negativamente? Se você não estiver fazendo isso, simplesmente não está falando ao coração.

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Nos Estados Unidos, para aprender isso é fácil: basta olhar os discursos dos políticos do Partido Democrata. No Brasil, é só olhar os discursos de Lula, Dilma e sua turma.

Horowitz dá um exemplo de uma frase padrão do Partido Democrata: “Os republicanos estão defendendo os ricos às suas custas”. O Partido Republicano geralmente responde: “O Partido Democrata está usando a retórica da guerra de classes”.

Qual argumento vai colher mais votos? Qual é o argumento que faz os eleitores acreditar que o candidato se preocupa com eles? A resposta é óbvia.

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Um dos maiores problemas do PT é sua retórica de ódio com base em guerra de classes. Por que eu falo isso aqui se esse tipo de discurso não fala ao coração? Motivo: este blog é de estratégia política, direcionado a um público que precisa compreender como o jogo funciona.

Na verdade, a expressão “ódio” também fala ao coração, mas não significa muito se o discurso não estiver amparado em símbolos como proteção da saúde, educação, segurança e dinheiro no bolso do povo. Mas “retórica de guerra de classes” não significa nada para o povo.

Quando Aécio usou termos como “meu ministério não será ideologizado”, falou de forma abstrata, o que não significa muito para o eleitor. Eu sou um analista politico e falo para um público específico. Ele é um candidato que fala para o Brasil. Ele precisa urgentemente de um chacoalhão de nossa parte.

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Por fim, um vídeo humorístico, mas muito mais sério do que parece:



Categorias:Guerra política (ensaios)

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14 respostas

  1. Luciano, voce tem alguma opinião a respeito do que podemos tratar publicamente e o que podemos tratar apenas entre os direitistas privadamente?

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    • Privadamente, podemos tratar estratégias políticas, discutir o jogo, e justificar dialeticamente nossas propostas.

      Em direção ao povo (ou seja, o discurso dos candidatos) e dos intelectuais orgânicos que vão para órgãos de maior penetração, as táticas são os princípios da guerra política, falando sempre em linguagem simples, pensando no auto-interesse das pessoas (como também disse Alisnky), etc.

      Falarei disso na próxima.

      Abs,

      LH

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  2. Dois hangouts que achei interessantes:

    1) Izabella Vasconcellos entrevista dois caras da Empiricus:

    2) Kim Kataguiri entrevista os candidatos a deputado Evandro Sinotti (São Paulo) e Rodrigo Mezzomo (Rio):

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  3. O vídeo ainda vai ser upado para o youtube, mas vejam essa edição da palestra do bezmenov:

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  4. A coluna de hoje do Reinaldo na Folha fala de algo interessante: os agentes Smith que surgem “do nada” quando você fala mal de Dilma, o que em termos gramscianos conheceríamos por espiral do silêncio e tolerância repressiva. Aliás, como notará, isso também se estende à gestão de Fernando Haddad, odiado por quase metade dos paulistanos.
    Porém, há um equívoco na coluna do Reinaldo, que se repete em outras colunas dele: o tal lance de achar que fascismo é de direita, quando na realidade é um ponto fora da curva e usa a mecânica básica da esquerda (estado forte, criação de bodes expiatórios, luta por atingimentos impossíveis que são vendidos como possíveis aos leigos, pôr um grupo de pessoas contra o outro, censura oficial ou oficiosa, paramilitares na rua para dissuadir quem queira se manifestar contrariamente, demonização de adversários ou opositores com direito a confecção de termos pejorativos e o resto daquilo que conhecemos bem).

    Porém, ele voltou a falar coisas certas quando notou que até os candidatos estão com medo de falar contra a presidente que tenta a reeleição, lembrando que até o Eduardo Campos fazia o mesmo (ainda que nós compreendamos isso perfeitamente pelo fato de o PSB ser parte do Foro de São Paulo e tendo sua função dentro do esquema maior daquilo que inocentes úteis gritam na forma do lema “a América Latina vai ser toda socialista”).

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  5. E a respeito do post, muito bom. Boas dicas do que enviar ao PSDB. Esses assessores do Aécio tão muito molengas (não que os do PT sejam grande coisa, o texto lambendo o Eduardo Campos revela bem a incompetência desses assessores). Aécio tá muito de bom mocismo e com pouco sangue nos olhos. Vamos agir.

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  6. Engraçado Luciano, que lendo sobre esse novo livro do David no http://www.takenoprisonerscampaigns.org/, percebo que o conservadorismo americano sofre do mesmo mal brasileiro e a briga dele com seu público é a mesma sua conosco aqui no Brasil, hehehehehe. Continue assim, despertando-nos para a realidade da guerra política!

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  7. Talvez Aécio não seja muito simpático ao Horowitz,que é um dissidente que saiu das fileiras socialistas. Além disso, até onde um socialista pode, com isenção, usar contra outros socialistas os conselhos de Horowitz?

    Por isso, talvez, os tucanos não se interessem muito no que Horowitz diz, mas eu já ficaria satisfeito se, pelo menos, o PSDB lesse Alinsky e usasse contra o PT o que Alinsky ensina aos radicias da esquerda.

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  8. Luciano, não valeria nem que um pouquinho falar do quiproquó gerado pelo Greenpeace devido ao cartaz com Dilma e Alckmin juntos? Vamos considerar que seja um daqueles momentos em que o marxismo-humanismo-neoateísmo combate o marxismo-humanismo-neoateísmo, mas também nos faz rir um pouco por ser marxismo-humanismo-neoateísmo.

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  9. http://listverse.com/2013/11/14/10-more-controversies-of-the-future/

    O assunto em questão é o tópico sobre a pobreza no número 1. Segundo as fontes, a situação no mundo desenvolvido parece piorar, enquanto que no mundo em desenvolvimento, vem melhorando. Antes que algum socialista faça uso de qualquer argumento, mundo em desenvolvimento implica países como Chile e China, que tem uma economia muito longe daquilo que Marx queria, diga-se de passagem.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADs_em_desenvolvimento

    Ah sim, vale lembrar que essa pesquisa é de 2013, acho que não havia crises na Venezuela ou Argentina nessa época 😦

    Aqui está a pesquisa da Cruz Vermelha:
    http://www.ifrc.org/PageFiles/134339/1260300-Economic%20crisis%20Report_EN_LR.pdf

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