Guerra Política 2014 – 16 – A urgência do senso de urgência

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John Kotter, um dos melhores autores sobre gestão de mudança corporativa, define vários passos para se estabelecer uma verdadeira mudança. O primeiro e mais importante deles é estabelecer o senso de urgência. Sem isso, qualquer mudança fracassará.

Estabelecer o senso de urgência significa mobilizar as pessoas para o que é realmente urgente, o que garantirá o comprometimento com a mudança. Sem isso, a mudança tende a ser relegada a segundo plano. O animal humano é apenas uma máquina que prioriza os seus esforços. Nada mais óbvio, pois não é possível investirmos esforços em tudo. Escolhemos o que é importante.

Na guerra política, devemos estabelecer o senso de urgência para as nossas propostas, ou mesmo para a derrubada de propostas ou leis dos oponentes. Não devemos tratar esse tipo de coisa como se fosse uma trivialidade. Se não for assim, ninguém dará importância.

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Um ótimo exemplo do bom uso do senso de urgência está no vídeo abaixo, gravado em 7 de setembro pelo candidato a deputado federal Paulo Martins:

Alias, Paulo Martins sempre é muito competente ao estabelecer a priorização para suas ações políticas.

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Mas e se aquilo contra o que ele está lutando (ou algo que ele quer implementar) for concretizado, como o senso de urgência fica? Ele não seria neutralizado? De forma alguma, pois a partir daí direcionamos nossa atenção para outros focos que mereçam ser tratados com o mesmo senso de urgência.

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Por exemplo, imagine que é urgente evitar o lançamento de um decreto 8243. Bem, isso já aconteceu. Então, passa a se tornar urgente derrubá-lo. Mas e se ele não for derrubado em curto espaço de tempo? Passa a se tornar urgente neutralizar as ações do governo que o implementou. Outros pontos também são urgentes, como derrubar o plebiscito para a constituinte. Mas, independentemente dos resultados, a vida política sempre deve ser encarada com a priorização de ações (seja de implementação de suas propostas e derrubada de propostas e leis dos oponentes) e a transmissão da urgência ao seu público e seus pares.

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O uso contínuo do senso de urgência pode funcionar também como uma vacina para o direitismo depressivo, onde alguém pode ter a tendência de falar “tá tudo dominado” (pelo oponente), o que, em termos políticos, não serve para nada, a não ser para ajudar o inimigo.



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9 respostas

  1. O que é urgente no momento seria juntar a oposição que está exercendo a liderança e pessoas que atuam em todo tipo de mídia(blog, sites, páginas etc) para começar a fazer reuniões periódicas para entender o que acontece e organizar planos de ação. Essas reuniões não poderiam ser hangouts abertos a todos…

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  2. Concordo, mas eu fico puto da vida quando eu alerto amigos meus sobre esse Plebiscito e pensam que estou exagerando ou ficando maluco. por favor não me confunda com Direitista Depressivo mas se falo em risco de ditadura do PT as pessoas me acham um “radical” ou coisa do tipo. talvez seja o modo de falar ou ninguém parece dar a minima.

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  3. OFF Topic, viu isso Luciano? http://oglobo.globo.com/blogs/preto-no-branco/posts/2014/09/09/marina-cpmf-548921.asp

    Infelizmente a mascara da Marina esta caindo e de maneira bem feia, ela poderia ter ficado quieta e não mentido tanto no debate…isso esta se refletindo na queda dela nas pesquisas

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  4. Ayan, vale a pena ver a resposta do Garotinho ao candidato do PSOL:

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  5. Luciano Ayan, venho por este comentário, depois de muito silêncio, agradecer pelos seus textos e propor uma ideia.

    Agradecer pois sempre fui de debater frente-a-frente e na internet sobre os mais variados assuntos, mas por me manter em fórums e círculos fechados, me acostumei a usar a linguagem polida, da razão.

    Hoje me peguei “treinando” em um grupo do Facebook de debates políticos e fiquei espantado em como uma mudança de mindset pôde afetar meu discurso de um tempo pra cá. Ao reler os posts, senti a força dos frames em detrimento de um discurso mais formal.

    A ideia ao qual me referi é que você poste mais conversas do dia-a-dia ou debates mais informais na internet, para ajudar seus leitores à entenderem como a coisa funciona “na lata”. Muitos dos seus textos desmascaram blogueiros, imprensa vermelha, e posts mais elaborados em geral, e, apesar de nos esclarecer muitos pontos, ainda deixam dúvidas. Sabe como é, você é um boxeador profissional e estamos nas brigas de rua.

    Deixo aqui um exemplo meu (devidamente ordenado e com nomes apagados), e sinta-se à vontade para usá-lo num post seu e apontar como deve ou como não deve ser feito.

    O post em questão é esse:

    A parte em que entro na discussão:

    Deixei alguns comentários de outras pessoas fora de discussão opcionais para que você possa criticar também os mindsets e estratégias de outros esquerdistas e direitistas durante a discussão. Aqui algumas screens de antes da minha entrada na discussão, em que mostra a falta de estratégia política dos nossos amigos de direita:

    Mais uma vez, obrigado Luciano.

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    • Caio,

      Gostei bastante. Você usou o shaming muito bem, com foco no constrangimento do oponente e nas contradições do outro.

      Agora, aos poucos o desafio é ir fazendo isso com diversos temas e questões.

      Você já viu os textos da série “Guerra Política 2014”? Aqui já tem 16 textos para esta série:

      https://lucianoayan.com/estudos-de-caso/

      Abs,

      LH

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    • O que me chamou a atenção é o fato de muitos deles utilizarem o embuste de que pessoa Y faz FIES ou o ProUni mas é contra o governo e por isso é uma ingrata.
      Ora, tal argumentação é inválido pelo fato de o governo não está fazendo nenhum favor para a pessoa (lembrando que o beneficiário, indiretamente paga por esses programas, já que também é um pagador de impostos).
      Governo não faz favor.Governo cumpre obrigações!
      Eu fico até imaginando isso em outras áreas.
      Imagine que uma pessoa quer reformar uma parte da casa e contrata empresa X para fazer o serviço.O serviço fica bom em todos os sentidos (prazo de entrega, profissionais que não atrasam etc), mas essa pessoa quer contratar empresa Y para reformar a outra parte da casa, pois essa empresa tem custo mais barato e foi indicada por seus amigos.A empresa X nunca vai poder usar o argumento de que o seu cliente está sendo ingrato com a empresa, já que se trata de um serviço pago.
      O mesmo deveria ser usado, na minha opinião, para essa turma que diz que a pessoa está sendo ingrata com o governo.

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