Guerra Política 2014 – 20 – A dinâmica social do comportamento MAV

provocacao

Dia desses um amigo apareceu em meu Facebook reclamando da vida, após ter interagido com um MAV. A reclamação geralmente assume esta tonalidade: “Já perdemos! Está tudo acabado! Está tudo dominado!”. O que vejo aqui é sempre a regra alinskiana nos lembrando de que “poder não é o que você tem, mas o que o inimigo pensa que você tem”. Como sempre, o oponente da esquerda fez um show de ferocidade e o direitista caiu.

Não podemos deixar de lembrar que de acordo com Sun Tzu, apresentar-se ao oponente como mais poderoso do que se realmente é muitas vezes permite que batalhas sejam vencidas sem o derramamento de sangue, exatamente por desistência do adversário impressionado com a encenação de poder do outro lado. Quem costuma cair em jogos desse tipo ainda não está pensando de acordo com os paradigmas da guerra política.

Quer ver um discurso que geralmente deixaria muitos direitistas irritados, furiosos e, em alguns casos, até desanimados? Observe por exemplo o discurso de um membro do MAV mandado para a lixeira deste blog, mas disponível aqui para estudos científicos do comportamento petralha:

Suas esperanças douradas, os candidatos de direita, não tem competência nem pra governar, nem pra debater. Não tem cacife pra fazer frente à gente aqui (1). Conforme-se com isso: você perdeu tempo e horas úteis trabalhando por um fracasso anunciado (2). E vai ficar pior: teremos Ley de Medios, teremos REGULAÇÃO ECONÔMICA da Mídia, que não tem nada a ver com controle de conteúdo nem com censura, e essas mentiras desavergonhadas de vocês não colam mais (3)(4). E teremos SIM Conselhos Populares, que vão legitimar verdadeiras revoluções sócio-econômicas pra sabujo “liberalista lambe-botas dos especulares internacionais” nenhum dormir tranquilo nunca mais nesse país, porque não se conformam com a participação dos pobres nas benesses do desenvolvimento (5) (6). Chora. Late. Gane. Urra. Vai doer mais ainda (7).

Observe que em poucas linhas, o meliante nada mais fez que praticar trucagens de guerra política, em ritmo sequencial e controlado. Vejamos:

(1) Aqui o sujeito começa tentando um truque dizendo “você vai perder”, que não passa da tática alinskiana dizendo que “poder não é o que você tem, mas o que o inimigo pensa que você tem”, que por sua vez não é nada mais nada menos do que a técnica já ensinada por Sun Tzu de enganar o adversário sempre fingindo um poder além do que você realmente tem. A capitalização obtida é a captura de neutros para o seu lado, além do desânimo que se abate sobre o oponente incauto. Além de se animar a própria tropa, é claro. É tanto um recurso que pode ser plenamente copiado (por você) e ridicularizado (ao olhar para o seu oponente). Aqui depende de sua habilidade.

(2) Aqui ele segue com o mesmo jogo, com a diferença que é utilizado até o discurso “resistir é inútil”, que vemos tradicionalmente em videogames e filmes de ação de segunda categoria. Ridicularize também.

(3) Ele lança de forma preventiva um ataque dizendo que todas as vezes que identificamos o aspecto censório das leis de mídia, estamos “mentindo”. Aí você pode citar o caso de Rachel Sheherazade e a censura lançada sobre ela, como um exemplo da censura sutil na Argentina. O esquerdista vai espernear, mas é só chamá-lo de desonesto e ir refutando as fraudes.

(4) Aqui ele segue os recursos vistos em (1) e (2), mas dando mais detalhes, dizendo “o que vai conquistar”. Não é diferente de dizer ao oponente que “vai conquistar as cidades X e Y nas batalhas do próximo mês”. Como sempre, é tudo truque para te impressionar. Não caia no jogo. Aliás, os petistas nunca estiveram com o asterisco tão apertado como nesta eleição. Há um pânico generalizado com medo de perda de poder. Saiba que sempre que eles tentarem o jogo, estão encenando, conforme as orientações que receberam.

(5) Se você se lembra do princípio 6 da arte da guerra política, deve se lembrar que neste tipo de embate, a vitória fica do lado do povo. Por isso, o bom guerreiro político sempre embute que tudo aquilo defendido por ele é “para o povo”. Se você não neutralizar este tipo de discurso, embutindo em seu ataque que você está do lado do povo, já dá a vantagem ao oponente.

(6) Mais uma instância dizendo “o que vai conquistar”. Pura tática de intimidação. E neste caso ele usa o truque dizendo que os coletivos não-eleitos são “conselhos populares”. Basta explicar para o leitor que esses coletivos não foram eleitos pelo povo e que o oponente praticou uma cretinice.

(7) Ah, não poderia faltar a provocação de parquinho ao final, que pode ser retrucada com várias instâncias de ridicularização.

Pelos sete itens acima, creio que você já pode notar que não exite “diálogo” estimulado por membros da extrema-esquerda, mas apenas o concatenamento de técnicas e rotinas, nada mais do que isso. Este é o estilo do PT para as redes sociais.

Se falamos de técnicas executadas (como em xadrez), por que muitos da direita se impressionam com este tipo de truque? Por que não perceberam ainda que estão em envolvidos por jogos políticos, no contexto da guerra política. Daí é natural que se irritem e percam o foco, quando na verdade deveriam, de forma calma, refutar com neutralizações ponto a ponto, e até realizar novos ataques.

Enfim, o que você acha que o pessoal do MAV fica fazendo em seus “campings” promovidos pelo partido? Basicamente, eles aprendem discursos padrão e o uso de técnicas para obter resultados. Se você encarar desta forma, poderá aos poucos desdobrar todos os mini-blocos de discurso oponentes em técnicas a serem contra-atacadas.

Isto é, não falamos mais de um “diálogo” com petistas, mas com uma forma mais técnica e tática de se encarar a interação com eles. Se criarmos esse tipo de conscientização, com o tempo eles vão perdendo o poder, cujo maior centro de força está no uso de embustes em sequência, em uma quantidade tão grande que seus opositores muitas vezes perdem o foco ou desistem de responder.

Eu não sei qual será o resultado desta eleição, mas, independente de qual seja, podemos contabilizar alguns preciosos pontinhos do PT na conta do uso deste tipo de recurso, de forma dissimulada e incessante, sempre mostrando falsa confiança na vitória, com um misto de diversas rotinas e provocações, e, enquanto isso, muitos da direita caem como patinhos. Já passou da hora da direita perceber toda a questão de forma mais técnica, tirando todo um “ativo embusteiro” dessa gente.



Categorias:Guerra política (ensaios)

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6 respostas

  1. AUDACES FORTUNA JUVAT ( A sorte favorece os audazes)! Devemos sempre nos lembrar deste velho ditado Romano, como um talismã precioso para afastar os venenos dessa petralhada asquerosa!

    CARAMBA! Mandou ver bem, Luciano! Preciosa lição de confiança e ótima exemplificação através da “análise de lixo ao microscópio”! E é verdade, essa canalhada petista está se borrando de medo perder esta eleição.

    Amanhã vamos fazer o nosso trabalho e, depois continuar a lutar, até ver essa CANALHADA PETRALHA NA CADEIA, para o resto de suas torpes existências!

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  2. Você acha útil usar palavrões em alguns debates com o mav?

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    • Sim, mas desde que você não aparente nervosismo.

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    • Depende da atuação do adversário. Geralmente ridicularizo o adversário intelectualmente (com ironia e sarcasmo), em praticamente todas as respostas (mesmo quando respondo parágrafo por parágrafo) desde o início… desta forma eu o QUALIFICO, SEMPRE APÓS demonstrar onde ele fraudou ou falaciou no debate.
      É como se fosse um ônus que o adversário é submetido ao realizar fraudes, enganações e falácias em discurso,

      Em geral mantenho um arquivo COMBO de informações, e links (de preferência vídeos e textos de curta duração e leitura)….pois os MAVS em sua maioria sempre incorrem nos mesmo assuntos e mesmas rotinas, logo a informação que os desmente varia muito pouco (se você souber usar o combo de informação de forma sucinta e assertiva, em geral os caras não conseguem responder e vão utilizar de algum subterfúgio erístico pra permanecer no debate) sobrando espaço pra variar na ridicularização caso se mostre necessária.

      Se o adversário partir pro esculacho (o que raramente acontece — pois quando submeto-os à ridicularização desde o início, eles se acostumam à ela e só ficam reclamando), você DOBRA o volume de ridicularização….em última hipótese, uma vez que você já demonstrou seu ponto, já o ridicularizou e percebeu que ele fica se repetindo…Toca o ‘foda-se’ e vá para o próximo, ou não…você pode ficar rindo da cara deles enquanto eles ficam dando chilique 🙂

      Lembrando que só utilizo esse “método” com gente do MAV, militantes de extrema esquerda, ou até mesmo gente maluca de extrema direita. Quando estou lidando com idiotas úteis, eu diminuo a ridicularização,foco na informação e os utilizo como plataforma para ataques transversais. Se a pessoa é conhecida, e não detecto a “Má intenção” das suas declarações, foco somente na informação.

      PS: Ridicularizar os MAVs em debate é viciante…..use com moderação 🙂

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