Show de picaretagem: neo-ateu tenta técnica de transferência de culpa para inocentar a extrema-esquerda e culpar a religião

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Meu interesse pelo estudo da guerra política surgiu na época em que eu investigava as fraudes argumentativas neo-ateístas. O movimento neo-ateu surgiu em 2004, com o lançamento  de A Morte da Fé, de Sam Harris. A obra seria excelente caso tivesse a lente calibrada: o problema da violência política é da religião política, não da religião tradicional, a não ser que esta seja usada como um método da religião política. Ao invés de olhar para este fato contundente, Harris (seguido depois por Dawkins, Dennet e Hitchens) optou por transferir a culpa para a religião tradicional. É claro que estes autores apenas jogavam a guerra política,  ao invés de estudar seriamente o assunto da violência relacionada a política e religião. (E você pode jogar a guerra política, estudando seriamente um assunto. Uma pena que o movimento neo-ateu tenha optado pelo caminho mais fácil e desleal.)

Ricardo Mello é um neo-ateu que segue o mesmo modelo de fraudes em seu texto “Ateu, graças a Deus”, na Folha de S. Paulo. É por isso que ateus que rejeitem fraudes neo-ateístas precisam se manifestar.

Vamos desconstruir essa lixeira, que lamentavelmente mais prejudica que ajuda o ateísmo:

“A religião é o ópio do povo”, diz uma frase de velhos pensadores. Permanece verdadeira até hoje. Qual a diferença entre as Cruzadas, a Inquisição e o jihadismo atual? Nenhuma na essência. Tanto uns como outros usaram, e usam, a religião como justificativa para atrocidades desmedidas.

O parágrafo acima é tão tosco que chega a dar dor de cabeça. A frase “a religião é o ópio do povo” faz com que o início do parágrafo não tenha absolutamente nada a ver com sua conclusão, o que mostra serviço digno de amador. Dica: não citem algo que não entendam!

A frase “A religião é o ópio do povo” critica uma suposta ausência de luta política por parte de religiosos, o que seria causado pelo conformismo trazido pela religião. É o oposto do que ele está tratando, que é a motivação para a luta violenta por causa da religião. Eu avisei que o nível era baixo.

Cruzadas, Inquisição e Jihadismo revolucionário são coisas diferentes, ocorridos em momentos históricos diferentes. Ele estaria correto se dissesse que protótipos da religião política existiam na época das Cruzadas e da Inquisição, e são completamente manifestados no Jihadismo radical dos dias de hoje.

Aliás, se ele fosse comparar algo com as Cruzadas, deveria ser a ação militar… de Saladino, não do Jihadismo moderno. E uma coisa não tem nada a ver com a outra. Melhor seria falar da guerra entre os islâmicos e cristãos por Jerusalém, que foi completamente pragmática, sem nenhum filtro revolucionário.

Já a Inquisição também teve um início bastante pragmático, mas de certa forma cristãos milenaristas se envolveram tanto nas Cruzadas como principalmente na Inquisição. O milenarismo sim iniciou o uso de projetos de paraíso em Terra para justificar barbáries. Mas espere: promessa de paraíso em Terra não é o uso da religião, mas sua substituição por um discurso mais secularizado. Aliás, nada contra o secularismo (tudo a favor), mas é verdade que o mesmo também pode ser usado para dar inspiração a projetos genocidas, caso este secularismo esteja empacotado como parte integral de uma religião política.

Enfim, não é que “religião causou Cruzadas e Inquisição”, mas foi usada como símbolo. Quem quer que leia qualquer estrategista de guerra sabe que adornar seus projetos de violência com enfeites morais é um imperativo político. Na época, o símbolo “Deus quer” foi usado. Nos genocídios da Rússia, China e Alemanha Nazista esse símbolo foi trocado por outros. Então a causa está em outro lugar.

Uma boa dica de leitura é Al Qaeda e o que Significa ser Moderno, de John Gray. Melhor ainda: recomendo ler também Cachorros de Palha e Missa Negra, do mesmo autor. Se Ricardo Mello ler esses os livros e tiver honestidade intelectual, perceberá o tamanho da bobagem que escreveu.

Ah, e o Jihadismo moderno? Também não é culpa da religião, mas principalmente culpa do humanismo revolucionário, que impulsionou tanto as ideias de Marx, como as de Hitler, e como as de Sayyid Qutb, principal arquiteto dos movimentos revolucionários islâmicos, que beberam muito mais na fonte de Marx e Comte do que do Corão. (Eu não estou inocentando o Corão, mas avaliando criticamente as fontes fornecedoras da motivação para a violência revolucionária)

Tanto uns como outros servem a interesses que não têm nada a ver com o progresso da civilização e a solidariedade humana. Todos glorificam o sofrimento como bênção maior, em nome de um além cheio de felicidade e redenção. Se você é pobre, está abençoado. Se você é rico, dê uns trocados no semáforo para conquistar o passaporte para o céu.

Ué, ele acabou de contradizer a si próprio. Se a religião é errada por “glorificar o sofrimento como bênção maior”, então não pode ser elencada como motivador para as guerras, as quais seriam uma rejeição ao sofrimento de seu grupo. Até uma ostra sabe que as guerras surgem por motivos estratégicos, especialmente disputas de recursos.

O termo “eu quero o progresso da civilização” é vago, e não se aplica especialmente aos adeptos da extrema-esquerda, movimento do qual Mello faz parte. De nada adianta dizer “quero lutar pelo progresso” defendendo ideias marxistas, totalmente obscurantistas. E temos um fato doloroso: as sociedades marxistas são as mais atrasadas do Globo. Aliás, é por se inspirarem tanto em autores como Marx que a maioria dos movimentos radicais islâmicos tem levado o Islã ao mesmo atraso que vivem os norte-coreanos.

Em tempo: quem ensinou os jihadistas a praticar terrorismo suicida foi o movimento marxista-leninista (e secular) Tamil Tigers, do Sri Lanka, criador do modelo de terror com ênfase em homens-bomba. Outra dica de leitura: Dying to Win  -The Strategic Logic of Suicide Terrorism, de Robert Pape.

Com base em conceitos simplórios como estes, milhões e milhões de homens e mulheres são amestrados para se conformar com a exploração, as injustiças e o sofrimento cotidiano. Sejam cristãos, islamitas ou evangélicos. Por trás dessa retórica, sempre haverá um califa, um Paul Marcinkus, um bispo evangélico, um papa pronto para amealhar os benefícios do rebanho obediente.

Esse sujeito tem algum problema cognitivo, que o incapacita a concatenar causa e efeito.

O discursinho dizendo que a religião surgiu para “fazer as pessoas se conformarem com exploração, injustiças e sofrimento cotidiano” é uma alegação sem qualquer fundamento científico. É precisamente o oposto:  essas religiões foram sendo selecionadas evolutivamente e, especialmente no caso de cristianismo e judaísmo, propiciaram o interesse pela fuga da tirania. Por isso, muito provavelmente a seleção natural as “selecionou”.

Já o discurso propondo uma “sociedade sem classes, onde ninguém será oprimido por ninguém” sempre foi o truque unicamente usado para validar os opressores que comandassem a “ditadura do proletariado”. Em síntese, a famosa tática de prometer um paraíso em Terra para obter o benefício que esta crença pode prover.

A verdade é que no mundo atual sempre teremos exploração, injustiças e sofrimento. Devemos lutar para fazer o melhor possível e mitigar os problemas, ao invés de lançar falsas promessas fingindo lutar para eliminar estes problemas com propostas revolucionárias que sempre (repito: sempre) terminam por ampliá-los.

Não é preciso ser um gênio para notar que Mello defende o discurso mentiroso de “salvação em Terra”, o qual é o responsável direto pelo 11 de setembro, pelos atentados do Boko Haram, pela morte dos chargistas do Charlie Hebdo, assim como pelos genocídios na Rússia, China, Cambodja e Alemanha Nazista. Ou seja, se você vir um sujeito discursando como Mello “prometendo acabar com sofrimentos em Terra” (mas só se você der poder aos tiranos dele, é claro, seu tonto), pode fugir. E tenha medo, muito medo dessa gente.

A figura de deus, em minúscula mesmo, é recorrente em praticamente todas as religiões. Com nomes diferenciados, ajudou a massacrar islamitas, montar alianças com o nazismo e dar suporte a ditaduras mundo afora. Na outra ponta, serviu, e serve, de “salvo conduto” para desequilibrados assassinarem jornalistas, cartunistas ou inocentes anônimos numa lanchonete ou ponto de ônibus.

Que o símbolo da religião pode ser usado para dar salvo conduto a qualquer coisa, esse é um fato inegável. Qualquer símbolo que evoque âncoras positivas nas pessoas também pode.

Mas ele está enganando o leitor ao criticar o elemento que “pode ser útil para”. Se fosse intelectualmente honesto (coisa que ele não é), deveria estudar a causa de fato da violência revolucionária, que está na promessa de “paraíso em Terra”, já vista em autores como Bertrand Russell, Auguste Comte e especialmente em Karl Marx. Foram esses que começaram a era dos genocídios.

Em suma, enquanto esse sujeito faz um texto criticando “o que pode ser usado para ajudar”, eu foco no que “arquiteta e organiza toda a violência”. É evidente que ele está lutando para que você não descubra a real causa da barbárie. Ele faz isso muito provavelmente de caso pensado, pois ele defende essas ideias. No fundo, ele e Sayyid Qutb usam o mesmo discurso.

Um minuto de racionalidade basta para destruir estes dogmas. A Igreja Católica combate a camisinha quando milhões de africanos morrem como insetos por causa da Aids. Muçulmanos fundamentalistas aceitam estupros como “adultério” e subjugam as mulheres como seres inferiores em nome de Maomé.

Decerto um minuto de racionalidade ataca vários dos dogmas citados. E valida argumentos em prol de uma sociedade secular, onde não sejamos obrigados a viver sob as regras das religiões dos outros. Mas um segundo de racionalidade já é suficiente para perceber que esta nem de longe é a causa raiz da violência.

Certo que, paradoxalmente, o obscurantismo religioso algumas vezes serviu de combustível para mudanças sociais. Khomeini, no Irã, é um exemplo, embora o resultado final não seja exatamente promissor. Já a primavera árabe atolou num inverno sem fim. Hosni Mubarak, ditador de papel passado, recentemente foi absolvido de todos os seus crimes contra o povo do Egito. Os milhões que se reuniram na praça Tahrir para denunciar o autoritarismo em manifestações memoráveis repentinamente viraram réus. Tão triste quanto isso é saber que a grande maioria deles conforma-se com o destino cruel. “É o desejo do profeta”, em minúscula mesmo.

Paradoxalmente?

Ué, se qualquer símbolo que evoca sensações positivas pode ser usado politicamente, o que há de “paradoxal” em vê-los utilizados como fator de mudança política?

Nem vou comentar os casos que ele citou da política recente do Oriente Médio, pois eles não tem nada a ver com o objetivo de provar ou não o elemento “religião” como condição suficiente (ou até necessária) para a violência.

Aliás, a violência do islamismo radical vem da “não conformação” (alimentada e distorcida por discurso de ódio, ausência deliberada de senso de proporções e táticas de vitimismo), e não da “conformação com o destino cruel”.

É nisso que dá não estudar e pensar por slogans…

A história registra à exaustão a aliança espúria entre religiosos e um sistema que privilegia desigualdade e opressão. O Estado Islâmico foi armado até os dentes por nações “democráticas”. Bin Laden e sua seita de fanáticos receberam durante muito tempo o apoio da CIA. Hitler, Mussolini e sua gangue mereceram a complacência do Vaticano em momentos cruciais. Binyamin Netanyahu, o algoz dos palestinos e carrasco da Faixa de Gaza, posou de humanitário numa manifestação em Paris contra o “terror”.

A história sempre vai registrar a aliança espúria de políticos com grupos sociais de todos os tipos, religiosos ou não, e de preferência que lhes atribuam simbologias positivas, vindas da religião ou não.

Não notar uma obviedade dessas é um erro que só poderíamos tolerar em um pré-adolescente que não goste de estudar. Não parece ser o caso de Mello, que usa a fraude intelectual muitíssimo bem planejada.

Respeitar credos é uma coisa; nada contra a tolerância diante das crenças de cada um. Mas, sem tocar na ferida da idiotia religiosa como anteparo para interesses bem materiais, o drama de Charlie Hebdo será apenas a antessala de novos massacres abomináveis.

Como sempre, desvio de foco desonestíssimo.

A primeira frase do parágrafo acima está correta. Mas o problema em si é exatamente o oposto do que ele afirmou nas outras frases: a prioridade não é lutar para atacar a religião, mas para termos o direito de criticá-la sem sofrer consequências por isso.

Além de tudo, precisamos lutar contra mentalidades revolucionárias (não as lutas por mudanças reais, mas contra utopias planejadas para enganar os outros), vitimismos, busca de ação com retórica de ódio, ausência deliberada de senso de proporções, ódio à liberdade de expressão, transferência de culpa (quase sempre indevida, como Mello tentou aqui) e a defesa da violência exacerbada como solução.

Ei, esperem… não estamos falando da religião tradicional. Como já disse, falamos da religião política, composta por coisas como marxismo, nazismo, islamismo radical. (E nada disso isenta qualquer religioso tradicional que participe do jogo da religião política)

Tente Mello desviar o foco o quanto quiser (a tal transferência de culpa), mas mentes como a dele é que são a causa do problema.

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25 COMMENTS

  1. O coitado só não admite que as cruzadas iniciadas em 1095 por Urbano II foram , na verdade, uma reação ao extremismo e ao expansionismo muçulmano por 2/3 do mundo conhecido de então. Vastas regiões pacíficas cristãs foram pouco a pouco ciando sob a espada da Jihad maometana. Não apenas o centro da cultura judaico-cristã como Jerusalém foram tomadas pelas hordas islâmicas, mas a Ásia Menor, o Norte da África, Constantinopla e a expansão foi-se alastrando até que finalmente chegaram à Ibéria e dominaram a Espanha. Não restava muito o que os cristãos pudessem fazer senão reagirem. Da mesma forma o Ocidente de hoje está ameaçado e ou reage, ou é destruído.

  2. “Enfim, não é que “religião causou Cruzadas e Inquisição”, mas foi usada como símbolo.”

    Ayan, mas isso não é a desculpa usada pelos marxistas (não é que “marxismo causou miséria e morte”, mas foi usado como símbolo)?

  3. “A religião é o ópio do povo”, diz uma frase de velhos pensadores. Permanece verdadeira até hoje. Qual a diferença entre as Cruzadas, a Inquisição e o jihadismo atual? Nenhuma na essência. Tanto uns como outros usaram, e usam, a religião como justificativa para atrocidades desmedidas.”

    Sim, especialmente a religião política chamada de Marxismo, a qual perpetra milhões de vítimas alienadas e violentadas no mundo inteiro. É de todas, a mais fanatizante. qual a diferença do Nazismo para o Comunismo ? Nenhuma na essência. Tanto uma como a outra usam a promessa de um novo homem e uma nova Terra como justificativa para seus genocídios.

    “Tanto uns como outros servem a interesses que não têm nada a ver com o progresso da civilização e a solidariedade humana. Todos glorificam o sofrimento como bênção maior, em nome de um além cheio de felicidade e redenção. Se você é pobre, está abençoado. Se você é rico, dê uns trocados no semáforo para conquistar o passaporte para o céu.”

    Tanto o nazismo como o comunismo servem a interesses que não tem nada a ver com o progresso da civilização e o bem-estar humano. Todos glorificam o Estado e a destruição da individualidade, reduzindo o ser humano à uma coisa amorfa, em nome de um mundo melhor, que nunca se concretiza justamente por que quem está no poder, acha tão bom, que sempre adia dividi-lo com todos. Se você é socialista, então está abençoado e protegido e sempre com razão. Se é contra, só lhe restam as consequências nefastas.
    Acrescento que a primeira universidade, criada pela igreja em Bolonha, bem como algumas contribuições de religiosos para destravar a mente da Humanidade da escuridão parece passar despercebido à mentes cauterizadas pelo Marxismo.
    Nomes como os de Nicholas Steno, o pai da geologia, do padre Athanasios Keicher, pai da egiptologia, Giambattista Riccioli, que mediu a taxa de aceleração de um corpo em queda livre, padre Robert Boscovich,estudioso da teoria atômica moderna, e uma vasta lista de religiosos que deram grande contribuição para a Ciência, ainda que esta não fosse uma meta da Igreja fomentar essas cosias como um programa de ensino, a mente desses religiosos em nada foi afetada de tal forma que “impedissem ou desencorajassem” o progresso humano, mas ao contrário, o fomentaram.

    ” Com base em conceitos simplórios como estes, milhões e milhões de homens e mulheres são amestrados para se conformar com a exploração, as injustiças e o sofrimento cotidiano. Sejam cristãos, islamitas ou evangélicos. Por trás dessa retórica, sempre haverá um califa, um Paul Marcinkus, um bispo evangélico, um papa pronto para amealhar os benefícios do rebanho obediente.”

    Com base em conceitos simplórios, estúpidos e mentirosos como a mais-valia, o valor-trabalho, o fracasso do Capitalismo , o determinismo histórico, a existência de uma “classe dominante” o antagonismo entre pessoas de características e statuos quo diferentes e principalmente, com base no ódio e em um maniqueísmo em que o pobre “bom” é explorado pelo rico “mau”, centenas de milhões de homens ,mulheres, crianças são amestrados para acreditarem que estão sendo exploradas por pessoas e que por isso devem odiá-las. Por trás dessa “retórica” sempre haverá um esquerdista maquiavélico e manipulador, capitalizando dividendos políticos e se entupindo de dinheiro às expensas da ingenuidade de arregimentados analfabetos (idiotas úteis).

    “A figura de deus, em minúscula mesmo, é recorrente em praticamente todas as religiões. Com nomes diferenciados, ajudou a massacrar islamitas, montar alianças com o nazismo e dar suporte a ditaduras mundo afora. Na outra ponta, serviu, e serve, de “salvo conduto” para desequilibrados assassinarem jornalistas, cartunistas ou inocentes anônimos numa lanchonete ou ponto de ônibus.”

    A figura do deus-estado, em minúscula mesmo, é recorrente em praticamente todos os “argumentos” da religião política, com nomes diferenciados como comunismo, socialismo, humanismo, justiça social, igualdade,que ajudou a massacrar russos, poloneses, romenos, ucranianos, cubanos, vietnamitas,chineses, africanos, nicaraguenses, cambojanos, montar alianças com o Nazismo e o Fascismo e perpetuar ditaduras mundo afora, como a que já ocorre há mais de 54 anos me Cuba. Na outra ponta, serviu e serve para que aproveitadores, pretensos salvadores dos oprimidos usem isso como salvo conduto para se empoleirarem no poder e oprimirem não apenas jornalistas cerceando a liberdade de imprensa, como também a milhões de cidadãos de todos os tipos.

    “Um minuto de racionalidade basta para destruir estes dogmas. A Igreja Católica combate a camisinha quando milhões de africanos morrem como insetos por causa da Aids. Muçulmanos fundamentalistas aceitam estupros como “adultério” e subjugam as mulheres como seres inferiores em nome de Maomé.”

    20 segundos de racionalidade basta para destruir esses dogmas. O Estado Supremo combate o DIREITO À VIDA quando milhões de seres indefesos morrem como insetos por causa de adultos irresponsáveis e indolentes. Marxistas messiânicos aceitam serem estuprados em suas liberdades e direitos e subjugam homens, mulheres e crianças como seres inferiores em contraposição ao deus-estado que deve ser adorado e obedecido.

    “Certo que, paradoxalmente, o obscurantismo religioso algumas vezes serviu de combustível para mudanças sociais. Khomeini, no Irã, é um exemplo, embora o resultado final não seja exatamente promissor. Já a primavera árabe atolou num inverno sem fim. Hosni Mubarak, ditador de papel passado, recentemente foi absolvido de todos os seus crimes contra o povo do Egito. Os milhões que se reuniram na praça Tahrir para denunciar o autoritarismo em manifestações memoráveis repentinamente viraram réus. Tão triste quanto isso é saber que a grande maioria deles conforma-se com o destino cruel. “É o desejo do profeta”, em minúscula mesmo.”

    Certo que, paradoxalmente, ninguém matou mais comunista do que os próprios adventistas da nova terra e do novo homem. Stalin na Rússia é um exemplo da eficiência e presteza com que os ensinamentos de Marx e Engels foram postos em ação. Pol Pot no Camboja conseguir bater todos os recordes. Os estudantes e cidadãos que se reuniram por exemplo, na Primavera de Praga tiveram pela frente enormes tanques de guerra e milhares de soldados do Pacto de Varsóvia. Bem típico da falta de tolerância socialista a quem ousar questionar seu dogma supremo.

    “A história registra à exaustão a aliança espúria entre religiosos e um sistema que privilegia desigualdade e opressão. O Estado Islâmico foi armado até os dentes por nações “democráticas”. Bin Laden e sua seita de fanáticos receberam durante muito tempo o apoio da CIA. Hitler, Mussolini e sua gangue mereceram a complacência do Vaticano em momentos cruciais. Binyamin Netanyahu, o algoz dos palestinos e carrasco da Faixa de Gaza, posou de humanitário numa manifestação em Paris contra o “terror”.

    A História (se escreve com H maiúsculo) registra à exaustão a aliança espúria e intrínseca entre messiânicos marxistas e ditadores mas Paradoxalmente, se aliam ao inimigo quando a coisa aperta, pois adoram produtos e objetos do capitalismo. Stalin e suas tropas famintas recebiam por muito tempo a ajuda financeira dos aliados, principalmente Estados Unidos e Grã-Bretanha para se livrar de seu rival, e irmão de fé, Adolf Hitler. Kim Il sung, ditador genocida da Coreia do Norte, determinou que no nome houvesse a palavra democracia, bem como havia também na Alemanha Oriental. Prestes, chamado de “o cavaleiro da esperança” permitia que suas tropas praticassem todo o tipo de crimes como estupro, roubo e saques por onde passavam. Mao-Tsé condenava à morte mulheres que não queriam ir com ele para a cama, mas sempre posando de o salvador da China.

    “Respeitar credos é uma coisa; nada contra a tolerância diante das crenças de cada um. Mas, sem tocar na ferida da idiotia religiosa como anteparo para interesses bem materiais, o drama de Charlie Hebdo será apenas a antessala de novos massacres abomináveis.”

    respeitar um credo é uma coisa. Mas respeitar um credo que restringe um ser humano e a sua individualidade à condição de mera abelha ou cupim, promovendo a barbárie e perseguição e censura de todos os tipos, bem como genocídio, aí já é atestado de idiota supremo. E querendo tocar na ferida da idiotia religiosa como anteparo para interesses bem materiais, onde ditadores vivem no luxo absoluto às custas do povo pobre e oprimido, o drama das florestas de Bikivnya será apenas a antessala de novos massacres horrendos.

  4. “A religião é o ópio do povo”

    Essa frase é de Marx. A “religião” que ele fundou matou e continua matando milhões e milhões de pessoas, onde quer que ela chegou.

    O autor ainda dá um jeito de envolver o cristianismo com um atentado islâmico, como vários ateus fazem!

    Isso me lembra do caso em que os islamistas vêm com seus atentados como o 11 de setembro e os ateus, ao invés de criticá-los, atacam é os cristãos! Isso mesmo, eles atacam os cristãos por um atentado islâmico!!! Veja só: http://oneoateismoportugues.blogspot.com.br/2011/10/11-de-setembro-obra-de-muculmanos.html

  5. O ateu disse que a Primavera Árabe se tratava de protestos pró-democracia???
    Nada poderia ser mais falso.
    Depois da derrubada de Hosni Mubarak no Egito, o militares foram obrigados a intervir e tomar o poder, por que os organizadores da “Primavera Árabe” – A Irmandade Islâmica – Queria implantar uma teocracia, e seu principal argumento era dinamitar as pirâmides e a Esfinge, por serem pagãos – Um ato de destruição histórica tão incrível e absurda, que nem mesmo o califado fatímida do ano 900 teve a ousadia de sequer pensar no assunto.
    Os muçulmanos da idade das trevas eram menos estúpidos e loucos do que esses que temos hoje em dia.

  6. “Sim, a dor e o sofrimento são o apanágio da humanidade, e os homens poderão ensaiar tudo, tudo tentar para os banir; mas não o conseguirão nunca, por mais recursos que empreguem e por maiores forças que para isso desenvolvam. Se há quem, atribuindo-se o poder fazê-lo, prometa ao pobre uma vida isenta de sofrimentos e de trabalhos, toda de repouso e de perpétuos gozos, certamente engana o povo e lhe prepara laços, onde se ocultam, para o futuro, calamidades mais terríveis que as do presente. O melhor partido consiste em ver as coisas tais quais são, e, como dissemos, em procurar um remédio que possa aliviar os nossos males.” (Papa Leão XIII, Rerum Novarum, 9; 15 de maio de 1891).

    O cristianismo não promete e tampouco propõe um paraíso na Terra, porque esse mundo já está consumado no pecado (Evangelho segundo João 14:27 e Mateus 28:20). Não foi a Igreja, como alguns costumam dizer, que criou esse “tipo brasileiro” indolente, preguiçoso, esperançoso de que virá o “salvador”. Esse caráter dos brasileiros, de messianismo — e para a Igreja só há um messias, o verdadeiro, Cristo Jesus —, talvez seja explicado sociologicamente e devido ao populismo dos nossos políticos ao longo dos séculos. A Igreja, infelizmente, pouco teve influência nesse país, pois desde sempre ela foi impedida pelos governos, desde o Descobrimento. A Igreja tampouco é estóica para quedar na “quietude mórbida”. Os políticos manirrotos compram os pobres, que temem perder esses favores. A pobreza favorece.

    Quantos males perpetrados em se querer fazer o paraíso na Terra! Lênin certa vez afirmou: “A unidade desta luta realmente revolucionária da classe oprimida pela criação do paraíso na Terra é mais importante para nós do que a unidade de opiniões dos proletários sobre o paraíso do Céu.” O socialismo é uma dessas seitas que se arroga de defender os pobres. Não há maior mal do que aquele que se passa por bem. O ópio é um narcótico de parestesia fortíssima. O Cristianismo não é um ópio porque propõe suportarmos as dores, a carregarmos, cada um de nós, a nossa cruz. O Cristianismo é espeque do renovo.

    E quem é Marx, um utopista do mal, para falar em ópio? Mas, quanto à “quietude mórbida” e à “obediência civil cega”, que não é criação da Igreja, há hoje um engodo: a marxista Teologia da Libertação, que “reinterpreta” o Cristianismo e que, como escreveu o inestimável Pe. Paulo Ricardo, transforma-o como um todo num mecanismo de transformação da sociedade, esvaziando a fé e cortando a transcendência. Vide aqueles sacripantas que apóiam o MST, movimentos da esquerda e tudo mais o que não presta e beija ma mão de ditadores. Quantos esquerdistas não mantém essa cosmovisão!

    Quanto às críticas à Igreja, os mesmos clichês pueris sobre camisinha e tudo mais — e o pior, ele replica uma fraude velha que é hoax, de tentar associar o Cristianismo ao nazismo e fascismo. Jonh Corwell escreveu um livro totalmente fraudulento e difamatório contra o Papa Pio XII, associando-o ao holocausto. Só que várias autoridades judaicas e até judeus célebres manifestaram gratidão à Igreja Católica. Até Albert Einstein, que disse: “Somente a Igreja ousou opor-se à campanha de Hitler de suprimir a verdade. Nunca tive um interesse especial pela Igreja antes, mas agora sinto um grande afeto e admiração porque somente a Igreja teve a coragem e a força constante de estar da parte da verdade intelectual e da liberdade moral. Devo confessar que o que eu antes desprezava agora elogio incondicionalmente.” O primeiro a condenar o nazismo foi o Papa Pio XI em uma Carta Encíclica (“Mit Brennender Sorge”), ele que reagiu energicamente contra a doutrina extremamente racista.

    Portanto, tentar associar o nazismo ao Cristianismo, quando na verdade o nazismo só vagiu amortalhado nas garras da URSS, é de uma cretinice sem par. Outra fraude recorrente é associar a Igreja ao fascismo, em relação ao Tratado de Latrão. O Vaticano não foi fundado em 1929 por Benito Mussolini, os Estados papais já existiam bem antes de Mussolini, por volta da Idade Média. O Tratado de Latrão foi um acordo onde o Estado italiano, que havia confiscado Roma e aprisionado o Papa em 1870, devolvia a soberania do Vaticano, enquanto o Vaticano reconhecia o Estado italiano. Essa fraude, e muitíssimas outras, é muito replicada por ateuzinhos, que agem como se pegasse alguém com a mão na calça.

    E para finalizar, ele acusou o obscurantismo, citando Khomeini, que é uma das inspirações de Lula, além de Adolf Hitler. A Revolução Iraniana foi apoiada pela esquerda. A esquerda flerta com os estados totalitários, por isso a proximidade com… o Irã e com o islamofascismo, esses canalhas que, quando há um atentado terrorista em nome do islã, saem logo atenuando os crimes dessa religião, quando não jogam todas as religiões num mesmo balaio, acusando-as de serem violentas quando só uma (o islã) pratica o terror. “Não conheço Cristãos que façam ataques suicidas bombistas, nem conheço uma grande denominação Cristã que acredita que a apostasia deva ser punida com a morte”, disse Richard Dawkins, guru do ateísmo militante. Mas esse Ricardo Mello é petralha, não é?

    P.S.: Eis que surge por ironia do destino esse vídeo perfeito e benfazejo, sob medida, que é exatamente o que o Ayan critica nos ateus que acham que a religião é a causa de todos os males da humanidade, tornando-se assim idiotas úteis do movimento revolucionário e da religião política. “Uma mensagem para os meus amigos ateus”: https://www.youtube.com/watch?v=QzFhz9wDwE8.

  7. Sr. Luciano Ayan, Em relação ao texto do neo ateu, achei pertinente esse vídeo do Padre Paulo Ricardo (https://padrepauloricardo.org/episodios/e-o-capitalismo). É um vídeo bastante interessante que mostra o que a igreja católica espera da civilização. O padre explica que a economia é apenas um aspecto da vida social e não o centro da sociedade.
    Vejo neste vídeo um potente destruidor de fraudes intelectuais.

  8. Luciano,
    Você sempre fala da “religião política”, o Islã não seria uma “religião política” também? O mesmo nunca se dissociou da política desde sua origem, ele tem uma agenda política e usa os mesmos métodos de guerrilha que a esquerda popularizou e aperfeiçoou,

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