A pergunta sobre “novas eleições” que a Folha deveria ter feito

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A extrema-esquerda anda indignada com uma pesquisa do Datafolha que mostrou que apenas 3% das pessoas querem novas eleições. Segundo os petistas (e seus aliados do PSOL), os números seriam bem diferentes: 62%.

Será mesmo?

Antes, veja a análise do site de Marlos Ápyus:

Mais do que petista, a imprensa é psolista, um partido que nasceu da vergonha que alguns membros do PT sentiram do Mensalão. Mas, na hora do aperto, todo o papo de “oposição à esquerda” vai pelo ralo e a função como linha auxiliar do petismo desponta. Da mesma forma como ocorre com o jornalismo brasileiro ao, por exemplo, pregar a convocação de novas eleições.

As duas perguntas apresentadas pelo DataFolha tinham objetivos distintos. A primeira queria saber do eleitor “o que seria melhor para o país“. A segunda, se o entrevistado era “a favor ou contra Michel Temer e Dilma Rousseff renunciarem para a convocação de novas eleições para a Presidência da República ainda neste ano“.

Ora… Uma pessoa pode tranquilamente ser a favor das renúncias até dos chefes de outros poderes, como Ricardo Lewandowski, Renan Calheiros ou mesmo Rodrigo Maia, mas acreditar que menos traumático para a nação seria a conclusão do mandato pelo peemedebista ainda interino. Uma questão não invalida a outra.

Mas o instituto de fato errou. Ou a própria Folha de S.Paulo, uma vez que partiu do jornal a formulação das questões. Porque ambos os textos trazem adendos que soam tendenciosos e parecem defesas de algumas respostas estimuladas. Na primeira, a própria pergunta confronta a volta de Dilma com a permanência de Temer, justo as duas opções vitoriosas. Na segunda, antes de apresentar a possibilidade de novas eleições presidenciais, é explicado como isso seria possível. O resultado soaria paradoxal: apenas 3% dos eleitores acreditam que o melhor para o país estaria numa nova escolha nas urnas, mas 62% se dizem a favor de uma renúncia mútua de Dilma e Temer, o que tornaria obrigatória a convocação do pleito.

Contudo, nada disso importa. Porque a antecipação das eleições presidenciais não está no norte político brasileiro. Trata-se apenas de uma desculpa explorada pela imprensa sempre que o processo de impeachment toma conta do noticiário. O Google Trends flagra bem o fenômeno [ver a seguir o gráfico].

No segundo mandato de Dilma, a proposta de novas eleições primeiro ganha força nos dias que antecederam o gigantesco protesto de 15 de março de 2015, fenômeno que se repetiria nos de 16 de agosto de 2015 e 13 de março de 2016. Chama ainda atenção a primeira semana de dezembro de 2015 (quando Eduardo Cunha aceitou o pedido de impeachment contra Dilma), de 17 de abril de 2016 (quando Dilma foi derrotada na Câmara dos Deputados) e de 12 de maio (quando finalmente foi afastada do cargo).A imprensa sabe melhor do que ninguém como se dá o jogo político em Brasília. E que a antecipação das eleições presidenciais não passa de uma alternativa jogada pelo PT para que ao menos um terço dos senadores se sinta tentado a votar contra o afastamento definitivo de Dilma ao final do processo de impeachment. Mas o próprio Partido dos Trabalhadores pretende fazer campanha contra a ideia caso obtenha sucesso em agosto.

O que não deve acontecer. Mas não torna menos vergonhosa a distorção que o jornalismo brasileiro faz da realidade.

A análise é bem clara: os interesses do PSOL são os interesses do PT, disfarçados. Vale lembrar também o mapa mental que mostra como a narrativa de “novas eleições” é apenas um embuste para travar o impeachment:

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Ora, se é assim, esta é a pergunta que a Folha de São Paulo deveria ter feito: “A narrativa de novas eleições é apenas uma tática para barrar o impeachment, sendo abandonada imediatamente se Dilma retornar ao poder. Ciente de que a narrativa é esta farsa e que só serve para evitar o impeachment, você concorda com o uso desta narrativa? Sim ou não?”.

Evidentemente, a pergunta correta, que seria esta acima, daria um resultado muito diferente do que a pergunta original, sem sentido.

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3 COMMENTS

  1. Os PETISTAS são péssimos perdedores. Os resultados na câmara e no Senado em um processo alinhado com todas as leis que a Constituição prevê e alinhamento com o próprio STF; todos pressionados por manifestações pacíficas da população brasileira mostram que o Brasil ainda é uma República e ainda é democrática. Plebiscito é golpe no contexto atual e muito mais condicionado a volta de Dilma ao poder. Golpe baixo e descarado. É tudo mimimi.

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