Anestesista diz que está sendo invadido por robôs depois da entrevista de Joesley à Época

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O Antagonista – também chamado por este que vos escreve de “O Anestesista” (*) – teve méritos por sua participação no processo de derrubada de Dilma Rousseff, mas de uns tempos para cá vem adotando uma posição no mínimo esquisita (para pegarmos leve) de apoio ferrenho ao PGR nomeado pelo PT, Rodrigo Janot.

O pior não é isso. É o apoio ao acordo de impunidade entre a PGR, Fachin e Joesley Batista.

É evidente que essa foi uma aposta de risco, pois resultaria na luta pela mudança simbólica de boa parte da direita, que não adota bandidos de estimação e não admite seletivismos jurídicos.

Em razão disso, estão recebendo várias críticas, que foram à estratosfera depois da entrevista de Joesley à Época.

Neste fim de semana, depois de muita paulada, tiraram temporariamente os comentários do ar, como reconheceram aqui:

Fechamos a área de comentários porque os mercenários a soldo do PMDB, desesperados com as acusaçōes ao chefão feitas pelo ex-pagador do partido, promoveram um ataque de robôs sem precedentes contra nós. A área de comentários será reaberta assim que for possível.

O argumento é no mínimo estranho, pois se fosse para eles sofrerem ataques de “MAVs do PMDB”, o melhor momento para isso acontecer seria durante aquelas 25 horas entre a matéria de Lauro Jardim (endossada pelo Anestesista) e a revelação do áudio. Vários outros momentos críticos ocorreram nesse meio tempo.

Mas no fim de semana transcorreu o exato oposto: surgiu uma indignação claramente natural por parte da direita com a tentativa de se transferir a responsabilidade de Lula para Temer. No imaginário popular, Lula é o chefe do esquema, e não Temer. Mesmo que Temer não mereça ser inocentado, é absurdo acreditar na narrativa de Joesley.

Esse tipo de sentimento é natural, e não artificial. Formadores de opinião de diversos níveis mudaram a postura de “fé em Janot” e passaram a adotar ceticismo em relação à narrativa de Joesley.

Porém, ao atacar os que estão criticando Janot e a impunidade de Joesley, os anestesistas partiram de vez para a tática da intimidação e decidiram chamar os críticos de “MAVs do PMDB”.

Um leitor, Jonatas, disse: “Somos guerrilheiros virtuais kkk,. Mavs do PMDB, é infantilidade demais!”.

Felipe escreveu: “Confesso que no início achei que você estivesse exagerando mas após ver com meus olhos o sangue subiu..”.

Essas são as palavras de Fernanda: “Os críticos foram desqualificados e rebaixados à condição de robôs e MAV’s a soldo de partidos politicos que, descobriram agora, são mais danosos ao país do que o PT.  Acho que não gostaram nem um pouco da sensação de calçar os sapatos que o RA vem usando ultimamente. Doem, né?”.

Regina explica: “Muito estranha essa postura deles…. Não aguentaram críticas dos leitores e trataram a todos como MAVs e robôs do PMDB. Como assim?! Leitor não pode criticar foco que considere equivocado…?!!”.

Em suma, quem é formador de opinião já viu vários de seus leitores reclamando de sofrerem achincalhe em razão da discordância. Essa é, novamente, uma tática arriscadíssima.

Não é de interesse deste blog fazer qualquer ataque moral ao Anestesista, mas me reservo ao direito de criticar todos, assim como já critiquei Olavo de Carvalho por táticas consideradas erradas, e Reinaldo Azevedo por ter desrespeitado o direito à livre expressão de Jair Bolsonaro. Da mesma forma, é natural criticar o Anestesista por suas recentes posições em favor de Rodrigo Janot e do acordo de impunidade com Joesley Batista.

Um conselho: não violem um dos princípios fundamentais da direita, que é não ter bandidos de estimação, e isso vale também para Joesley Batista e a tropa da JBS. O brasileiro não aceitará isso.

(*) Por quê “anestesista”?

O termo “anestésico” foi escolhido para identificar a postura de “liberar a pressão” sobre o adversário. Isso é feito a partir de falsas promessas. Por exemplo, alguém poderia achar natural ver Eduardo Cunha ir para a cadeia, com a promessa de “amanhã é a Dilma que vai”. Ela não foi. Agora, se defende que Aécio deve ser preso, pois “amanhã é a Gleisi que vai”. Mas quando ele estiver preso, é óbvio que ela seguirá solta. Da mesma forma se diz que “Temer tem que ir preso”, pois “amanhã é o Lula que vai”. E é claro que ele segue livre e solto, sem ter nenhuma prisão preventiva decretada.

Em suma, é a tática de se prometer 72 virgens no paraíso, que já serviu para motivar muitos homens bomba. O site O Antagonista tem adotado essa postura de prometer “penas graves sobre os líderes petistas” como forma de justificar qualquer ataque sobre aqueles investigados que não são petistas nos dias de hoje. Tecnicamente, é uma forma de anestesiar o público. A frase “Lula preso amanhã” é um clássico do anestesiamento político.

Pode até acontecer de alguém ter alguma liberação de endorfina ao ler esse tipo de conteúdo (seria uma sensação de alívio), mas não se motivará para a ação, pois estará anestesiada. Mas cada um é cada um: se alguém sente prazer em obter apenas expectativas futuras que raramente se concretizam, é uma questão de gosto. Particularmente, eu não gosto.

Aliás, eu até gostaria que o Anestesista voltasse aos seus melhores momentos, mas acho difícil que isso ocorra, pois depois de um certo ponto de apoio a Janot, ficaria muito ruim se voltassem atrás. A tendência é que eles avancem ainda mais no janotistmo (e seria até pior se recuassem), mas deveriam entender que muitos não vão admitir apoio a um PGR seletivo. Dá para criticar o Anestesista sem chamá-los de “MAVs do PGR”. Por isso, é lamentável que eles chamem seus críticos de “MAVs do PMDB”. Deprimente.

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1 COMMENT

  1. Uma total falta de respeito do Antagonista aos leitores. Com isso mostraram a verdadeira face: autoritários, incapazes de lidar com críticas , arrogantes e voluntariosos. Honestamente, não sei o que move essa gente (há muitas teorias, só o tempo dirá qual é a verdadeira), mas não são simples jacobinos. Uma prova foi a última Reunião de Pauta em que tiveram coragem de dizer que só falam tanto de Temer porque afinal ele é o atual presidente da República e que se limitavam a repassar notícias sem nenhum juízo de valor!..Sério, pensei que não estivesse ouvindo direito.Ou seja, mentem.. O tempo dirá…

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