Não é preciso se aliar a gente como Janot, Fachin e Joesley para derrubar presidentes

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Não há problema algum em derrubar governos. Creio que a essência do liberalismo original – onde se criou o termo “revolução permanente”, por Lord Acton – está em derrubar governos que consideramos ilegítimos, tirânicos ou que estão tentando nos oprimir de qualquer forma. Digo isso pois há uma razoável parcela da direita que está tão empenhada em derrubar Temer (por conta das denúncias de corrupção) quanto os petistas e marinistas (para tentar retomar o poder).

Porém, há formas mais ou menos legítimas de derrubar um presidente. O processo legal de impeachment contra Dilma foi uma forma legítima e perfeitamente amparada pela Constituição. Aliás, o STF até jogou contra e violou a Constituição para tentar segurar Dilma, mas não deu. O Brasil venceu com a queda de Dilma, em um processo que seguiu todo o rito definido por um STF enrolador. 

Por outro lado, fazer parceria com aliados de um inimigo fundamental (PT), como Rodrigo Janot, Edson Fachin e até Joesley Batista (inclusive validando seu acordo de impunidade), é descer baixo demais. O acordo de impunidade dado a Joesley Batista é talvez uma das maiores vergonhas da história nacional, algo que nos diminui como civilização pelo mundo. Tudo isso lembrando que é perfeitamente possível cancelar o acordo de impunidade e ainda assim manter as delações e as provas enviadas. Ou seja, nada justifica permitir que Joesley fique solto.

Com isso em mente, é óbvio que apoiar Rodrigo Janot e Edson Fachin em seu acordo com Joesley Batista significa abdicar de qualquer princípio moral. Há quem arrume até a desculpa de que isso “é preciso para derrubar Temer”. Falso, pois, como já dito, dá para manter as provas coletadas e cancelar o acordo. O melhor seria um processo legal de impeachment, como foi feito contra Dilma. Ou então pressionar pela renúncia ou até mesmo para que a Câmara aceite a denúncia. Tudo isso faz parte do jogo político. Mas se aliar a Janot, Fachin e Joesley é o fim da picada.

De todas as formas de se tentar derrubar um presidente, escolheram a menos moral de todas. Com isso, a tendência é que a direita que decidiu apoiar o trio pague um baita preço histórico.

Em tempo: vale rever um vídeo de 12 de agosto de 2016, que mostrava como a direita – que estava em campanha pelo impeachment de Dilma, que viria a se concretizar no dia 31 do mesmo mês – estava botinando o PGR Rodrigo Janot. Isso é mais uma prova que a direita não precisa vender a alma ao demônio (ou seja, se aliar a PGRs nomeados por petistas) para derrubar presidentes:

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